E libertar o nosso tremendo potencial crítico?

O Financial Times publicou ontem uma carta de protesto de Ricardo Reis e de Luís Garicano contra a exigência da UE e do FMI de um acordo pan-partidário, antes de eleições, em torno do plano de ajuda externa. A legitimidade do pacote está em causa, dizem, e a atitude política correcta seria permitir aos portugueses escolher qual o pacote de impostos e de redução da despesa que pretendem.

Isso implicaria imaginar um Portugal que não existe, um Portugal em que os nossos principais partidos não se digladiam no espaço público para ver quem ganha o título de menino melhor comportado aos olhos da “troika” e dos “mercados”. A nossa noção de responsabilidade esgota-se na nossa capacidade de acatar, acriticamanente, os ditames dos nossos superiores e salvadores. Falar em alternativas é um tabu intelectual motivado por rebeldia extremista.

O Financial Times não esteve longe da razão quando sugeriu há um mês que nos anexássemos como província do Brasil: protectorado por protectorado, mais vale escolhermos o Senhor que nos garante melhor protecção.

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