O FMI é o nosso salvador (2)

A direita que chama caloteiros aos que avisam que a reestruturação da dívida portuguesa é necessária (como se os credores não fossem profissionais da avalição de risco e não merecessem, pobrezinhos, sofrer as consequências das suas escolhas) não parece ter problema moral algum com o facto de o FMI ir buscar o dinheiro do bailout ilegitimamente aos contribuintes internacionais já de si endividados, assim obrigados a endividarem-se ainda mais para “salvar” Portugal. Essa direita estatista, geneticamente determinada a proteger o status quo, a salvar a cara do Estado, à custa dos sacrifícios individuais, não se distingue em nada da esquerda colectivista.

O Socialismo Global riscou “absurdo” do seu vocabulário e vetou a matemática à arte praticada por aqueles a quem falta a Fé.

Leitura complementar: O FMI é o nosso Salvador!

14 pensamentos sobre “O FMI é o nosso salvador (2)

  1. tric

    “A direita que chama caloteiros aos que avisam que a reestruturação da dívida portuguesa é necessária ”

    essa é a direita judaica…que neste momento se apoderou do PSD!

  2. 🙂

    Elisabete,

    esta discussão, pelo menos entre nós os três, devia recomeçar do zero. Certo, o FMI é uma má solução, de acordo. Resta saber se há alguma menos má.
    Antes de mais nada há a fazer uma análise custo-benefício para todos os envolvidos, devedor, credores e contribuintes. A questão que se põe é de custo, ou seja, de alternativa. Por mim estou disposto a ser convencido que no curto prazo há outra solução menos gravosa, quem dera.

  3. Já li montes de artigos a defender o default nas mais variadas origens (no WSJ, do Tim Worstall,do colombiano, etc), aceito que um default negociado possa ser solução menos má sem problema nenhum. Falta perceber como seria possível sem sair do euro e da UE e isso ainda ninguém explicou. Nem vi analisada em lado nenhum a relação custo-benefício de uma ou outra solução.
    Por outro lado também não sei por que o “managed sovereign debt default” não há-de ser gerido pelo FMI. Que não deve ser gerido por que nos desgoverna tenho a certeza

  4. elishbajoachim

    Mas porque partes do princípio que reestruturação negociada implica saída da UE? A própria UE vai-nos forçar a reestruturá-la em 2013: http://economia.publico.pt/Noticia/sp-avisa-que-portugal-tera-de-recorrer-ao-mecanismo-de-ajuda-europeu-a-partir-de-2013_1490023 Pressionar que se faça isso antes estaria no nosso interesse. Mas claro que isso faria de nós um potectorado mal comportado aos olhos da Alemanha e da França. De toda a maneira, parece-me que por força das evidências o plano da UE de esperar para controlar efeito dominó vai ser interrompido pelos desenvolvimentos da Grécia. E quando a Grécia pedir reestruuração será mais fácil para nós fazê-lo. O problema é que a essa hora já termos o FMI a pesar na factura/crescimento da economia.

  5. Igualmente, porque é que se parte do princípio que sair da UE é algo que não nos interessa quando o sistema Euro e os seus efeitos perversos de socialização monetária estão na origem da situação actual? http://www.iea.org.uk/blog/the-tragedy-of-the-euro Só há 2 resultados possíveis nesta altura: ou (i) se entrega o controlo económico do país a Bruxelas e Portugal passa a ser um protectorado a viver da redistribuição europeia (com ou sem reestruturação da dívida), ou (ii) volta para um sistema de vários bancos centrais locais em competição cuja disciplina viria dessa mesma competição. A 3ª opção é o Euro implodir http://www.telegraph.co.uk/finance/comment/rogerbootle/8441470/Eurozone-ship-is-on-the-course-that-was-set-for-it-heading-for-the-rocks.html e chegarmos “naturalmente” à opção (ii), mas parece-me que as autoridades da eurozona vão preferir redistribuir todo o dinheiro dos contribuintes europeus antes de admitirem o fim do EURO.

  6. Caros amigos Elisabete e Filipe Faria,

    – estar fora do euro seria melhor que ter entrado;

    – enquanto se discute o defaut da Grécia vamo-nos a percebendo que os maiores credores são Bancos e Fundos de pensões…gregos;

    – em Janeiro desde ano a Banca portuguesa detinha 19 mil milhões de dívida (já deve ser bem mais);

    – duvido que a UE goste da tal restruturação/default mas veremos

    Dito isto, não gosto de revoluções, sou um reaccionário, eu e os factos como disse o Revel. Default nesta altura e/ou saída do euro tem um *custo* demasiado elevado para o meu gosto. Vivi o suficiente de desgraças e gostei tão pouco que não desejo nada revivê-las e as coisas postas assim, Filipe, dão em coisas que prefiro esquecer. Há-de haver outra solução.

    Caros, quando propõem o que propõem meçam as consequências, já temos experiência histórica que nos devia tornar relativamente mais cuidadosos com o que desejamos.

  7. Caro Helder,

    Sem querer entrar em grandes detalhes económico/políticos, parece-me que concorda que o Euro é decisivo para a nossa situação actual, como tal estaríamos melhor fora do que dentro do Euro.

    Agora a questão central é saber se sair do Euro e reestruturar a dívida é revolucionário ou não (usando o termo revolução com uma conotação negativa, pois também pode ser usada positivamente). Em relação aos defaults, como mostrou a Elisabete, não só há várias vozes de especialistas a favor dessa opção como também é uma questão de tempo até que se faça o default, visto que os historiadores económicos mostram que nunca ou raramente países com mais de 60% de dívida em relação ao PIB evitam um default. É melhor fazer um default antes de se ter mais dívida do que depois. Com as dificuldades conhecidas do processo, o default não é revolucionário, é apenas uma questão de saber quando é que se faz: agora ou depois.

    Em relação ao Euro, o crescimento económico simplesmente não vai voltar enquanto Portugal tiver uma moeda desajustada em relação à sua produção económica. Enquanto tiver um sistema de sindicatos que elevam o custo do trabalho e não for possível inflacionar para descer os salários reais; enquanto o Euro e o crédito de baixo custo que ele traz continuar a manter a sobrevalorização artificial dos salários reais em Portugal sem que se possa inverter o processo, estamos condenados a importar sem exportar, a empobrecer relativamente sem qualquer forma de relançar o crescimento económico (por mais reformas liberais que façam internamente). Neste contexto o capital não vem investir em Portugal, nós próprios não investimos, e como temos incentivos monetários para importar e não exportar a nossa produção não se irá fortalecer, muito pelo contrário. Como tal, as 2 soluções possíveis são as que apresentei no meu comentário anterior.

    Então sair do Euro teria um alto custo. Terá com certeza, mas será revolucionário? Não me parece. Inúmeros economistas em inúmeros países (como estes http://www.ionline.pt/conteudo/117218-se-portugal-quer-ser-um-pais-livre-tem-sair-da-zona-euro ) recomendam essa opção a Portugal e a todos os países nestas condições. Esta “revolução” não é pedida por furiosos elementos do proletariado mas sim por economistas que estão conscientes dos problemas que daí advêm mas que ainda assim acham preferível a opção de sair da zona euro. O que me parece “revolucionário” é manter a ausência de debate e esperar que um dia sejam os radicais nacionalistas a colher os votos dos eurocépticos, visto que nenhum partido main-stream é capaz de questionar a UE e os seus efeitos. Este fenómeno dos partidos nacionalistas já se verifica noutros países europeus e não é de todo saudável (tirando talvez o UKIP que é genericamente liberal). É importante que sejam os partidos chamados “moderados” a questionarem a UE. O que me parece igualmente “revolucionário” é passar todos os dias a queixármo-nos de José Sócrates e companhia (da esquerda à direita) e não termos coragem de apresentar reais alternativas. Isso faz perder credibilidade a qualquer crítica política.

    Peço desculpa se o meu discurso é “revolucionário” no sentido em que usou a palavra, mas parece-me que está na altura do tema do Euro e da UE deixar de ser tabu e passar a ser discutido abertamente entre eurófilos e eurocépticos tal como acontece naturalmente em Inglaterra, Holanda ou na Alemanha sem que estes últimos sejam apelidados de epítetos inomináveis.

  8. lucklucky

    Estarmos fora Euro teriamos levado com os choques a tempo e não tarde demais . O Bloco de Esquerda nunca teria chegado onde chegou, não teríamos Presidentes idiotas a dizerem “há mais vida para além do défice” etc. teríamos de ser adultos.
    Agora seria a inflação a disparar e a destruir muitas pessoas pelo caminho.

  9. JS

    “… que está na altura do tema do Euro e da UE deixar de ser tabu …”
    Permitam-me mais petróleo para a fogueira.
    Esta Europa, e este €uro, nos Países desajustados ao fenómeno -quase todos- porque foi uma boa ideia mal realizada, (devido à abertura à China via WTO, mercado infindável para produtos Alemães), tem (ainda) 2 de defensores: 1- Os governos, desses débeis Países, porque o €uro serve de bode espiatório para os erros que cometem, e tema de miragem que suporta os seus discursos demagógicos. 2- As imensas (felizes) burocracia EU que, sem responsabilidade (accountability), se entretêm a parodiar um catastrófico “Yes Minister” à escala europeia.
    Esta (mais uma) tentativa, de criar uma Europa, também falhou….
    Mas e Portugal ?. Tem que arrumar a (sua) casa.
    Talvez o FMI tenha mesmo interesse -como se vê- em fazer um Plano Marshal para Portugal. Daí a sua oferta ser “melhor” que a da EU-Merkel. Não custa nada colocar a Irlanda, Portugal e Espanha, tal como já está a Inglaterra, em paridade com o Dolar. Teríamos cá a Libra. O estado destas economias até é semelhante. “Dividir para reinar”. “Cash” não é, nem nuca foi, problema para as impressoras de Dolars.
    Os Brics -a China- andam congeminar uma moeda!!!. Aproveitar uma, esta, crise e dividir, travar a China (e a Europa) ?….
    O problema é (sempre) o petróleo. Haverá mesmo disso em Peniche?

  10. Filipe,

    enquanto Portugal tiver uma moeda desajustada em relação à sua produção

    ou enquanto tiver uma produção desajustada à moeda

    O que me parece “revolucionário” é manter a ausência de debate

    Não é isso que estamos a fazer aqui?

    Quanto à revolução, não vejo que sentido positivo pode ter nem numa perspectiva liberal. A aceitar a muito liberal evolução espontânea a revolução é sempre um corte, um salto em frente ou um retrocesso, por definição, não pode ser outra coisa.

    Quanto às recomendações dos economistas, estou-me pouco lixando para esse tipo de liberdade, a de Portugal ser um país livre ou não no sentido do texto, livres são as pessoas, os países são geografia e mais umas coisas interessantes como a gastronomia e as mulheres. De resto preocupa-me apenas a minha liberdade e a dos meus,e é essa que corre sérios riscos. Não me apetece mesmo nada andar aos tiros com ninguém.

    Lucklucky

    Agora seria a inflação a disparar e a destruir muitas pessoas pelo caminho.

    E a assegurar um Portugal livre mas cheio de escravos e desta vez literalmente

  11. ùltima nota, que isto só se resolveria à volta de um cozido ou de um robalo na Tasca do Joel 😉

    A revolução é teleologia esquerdista, não passa disso

  12. A razão para declarar a bancarrota é muito simples: direito de propriedade. Os produtores não têm obrigação de pagar impostos para pagar estas dívidas. Não se comprometeram com esta dívida de livre-vontade. A máfia-Estado é que lhes impôs unilateralmente esta obrigação. Quem vem com argumentos de “necessidade de analisar custos e benefícios” está a tratar os portugueses como carneiros, como simpls meios. Típica mentalidade de escravagista, mafioso e/ou socialista.

    Quanto à “análise custos/benefícios”, curiosamente os custos são para os carneiros tributados, e os benefícios para os credores da república. Mas já que isto parece normal, vou aparecer de metralhadora à porta do Hélder, para lhe sacar umas massas. Tenho umas dívidas para pagar, e após ampla reflexão, assim como uma cuidadosa análise de custos e benefícios, decidi que era a melhor opção para nós os dois.

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