O PS que temos

Hoje, passados mais de seis anos de liderança de José Sócrates, o PS não é mais do que uma claque ao serviço de um líder inquestionável, onde a capacidade crítica representa uma parca excepção que, quando praticada, vale um automático ostracismo ou um apontar de dedo ameaçador a quem dela faz uso.

Mas não se pense que este é um problema exclusivo do PS. Na situação crítica que o afecta, o país teria tudo a ganhar se, para lá de Sócrates, houvesse um partido funcional e capaz. Um partido que estivesse disposto a cortar com o autoritarismo que o amordaça, que fosse capaz de moderar o tom, que tivesse o bom senso de democratizar os próprios gestos e que soubesse promover acordos, ao invés de proclamar a sua necessidade enquanto torna infértil o chão de onde os poderia fazer brotar.

Quando poderia salvar-se e ajudar o país, demarcando-se de José Sócrates, mudando caras e atitudes, dando a mão a outros partidos e evitar a mudança de rumo de forma brusca e perigosa, o PS vai insistir em vegetar e seguir o caminho rumo à autodestruição de mão dada com o líder. É o que temos.

Um pensamento sobre “O PS que temos

  1. agfernandes

    Tiago

    Se o PS tivesse essa cultura que diz, nunca teria embarcado nestes 6 anos de destruição sistemática do país: áreas-chave da economia, coesão social, equilíbrio litoral-interior com a desertificação do interior do país, controle das instituições-chave da democracia e da organização saudável como o Banco de Portugal e a Autoridade da Concorrência, controle da justiça, controle da comunicação social, controle da banca.

    Esta cultura específica é socialista, traz a sua marca original, não é apenas do actual PM. Leia-se, como TPC, a crónica do seu histórico e ex-Presidente no DN: está lá a filosofia de base do PS, uma cultura que se julga acima de qualquer avaliação democrática como ir a eleições, como se fossem “os donos do país”. Está lá tudo. Isto em termos teóricos, porque em termos práticos, o TPC será ouvir outro ex-Presidente e o seu apelo dramático ontem lá do deserto por onde anda, alguém que demitiu um governo maioritário que não tinha infringido nenhuma regra democrática para agora vir defender um governo minoritário que as infringiu quase todas.

    A cultura socialista está expressa nestes marcos históricos: no gesto anti-democrático de um seu ex-Presidente, no OE 2008, na destruição sistemática do país, no desrespeito pelas regras e instituições democráticas. E a sua teoria de base está na crónica do DN já referida. É só ler.
    Ana

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