Cheira cada vez menos a jasmim para as bandas do Wisconsin

Vale a pena ler esta lista engraçada de abusos direitos que os funcionários públicos do Estado do Wisconsin negociaram “em sede de concertação social”.

Entre exemplos de newspeak ao melhor estilo dos nossos “horários zero”, de revoltas contra o “esvaziamento de funções”, de funcionários de duplicaram ou triplicaram o seu vencimento base com recurso a horas extraordinárias, e de reformas generosas que serão pagas por uma qualquer “geração parva” e não pelos políticos que as concederam, nem pelos funcionários que as vão gozar, há um pouco de tudo.

Curiosamente, nós por cá, só desde o início do ano, já tivemos greves da CP, dos professores e dos investigadores criminais por causa, precisamente, de cortes nas horas extraordinárias. Como diz o Thomas Sowell, há limites para o que os sindicatos do sector privado podem negociar sem que os seus membros dêem por si no desemprego, depois de terem ajudado a rebentar com as empresas onde trabalhavam. No sector público, só mesmo com um governo particularmente incompetente é que conseguimos descobrir o ponto em que o despesismo e o conluio para ir ao bolso do contribuinte se começou a virar contra os feiticeiros.

Repito: este episódio no Wisconsin ainda nos vai fornecer umas pistas importantes sobre o caminho que temos de percorrer para endireitarmos o país.

8 pensamentos sobre “Cheira cada vez menos a jasmim para as bandas do Wisconsin

  1. JS

    TM. “… pistas importantes sobre o caminho que temos de percorrer para endireitarmos o país”. De acordo.
    Mas mais. Por cá a percentagem (%), proporção entre funcionários públicos / trabalhadores no privado, ultrapassa a de Wisconsin … e ,em muito, o ratio razoável. Dúvidas?. Porque é que o PSD tem medo de eleições?.

  2. Para isso fazer sentido, teríamos que comparar esses casos negociados por “negociação colectiva” com os casos em que não há negociação colectiva – a minha experiência pessoal diz-me que há muito mais “abusos” nos casos em que cada trabalhador negocia directamente com uma agência estatal no que nos casos em que há um acordo colectivo.

  3. Já agora, qual é o problema do ponto 5?

    “5. Some state employees, due to the nature of their positions, are required to carry pagers during off-duty hours in order to respond to emergency situations. Due to the collective bargaining agreements, these employees are compensated an extra five hours of pay each week, whether they are paged or not. For an employee earning an average salary of $50,000 per year, this requirement can cost more than $6,000 in additional compensation.”

    Se uma pessoa tem que estar, de qualquer maneira, disponível para poder ser chamada, faz sentido que seja paga por isso, mesmo que não seja chamada não? Afinal, mesmo que não seja chamado, está de qualquer maneira sujeito a não se poder ausentar muito longe, está muito mais limitado para combinar alguma coisa com a família ou amigos, nunca dorme tão descansado como dormiria, etc. Ter um suplemento salarial de 12% por causa disso não me parece nenhum escândalo.

  4. Mas, exactamente, o que é que o Tomás Belchior propõe a partir daí para Portugal? Não pode ser os ordenados e afins dos funcionários públicos deixarem de ser fixados em concertação colectiva, porque… não são fixados por contratação colectiva (o governo houve os sindicatos, mas não é obrigado a ter o acordo deles para decidir salários, carreiras, etc.; aliás, penso que há anos que os ordenados e afins dos funcionários públicos são decididos sem o acordo dos sindicatos).

    E, mesmo que os funcionários públicos não tivessem associação chamadas sindicatos e com os direitos legais que os sindicatos têm, quase de certeza que iriam criar “associações” (fosse a que titulo fosse) que acabariam por ter a mesmo influência politica que os sindicatos-chamados-sindicatos (no caso do EUA, veja-se a Fraternal Order of the Police)

  5. Miguel,

    O interesse da situação no Wisconsin não reside tanto nos detalhes concretos do quadro legal mas sim na procura de uma maneira de limitar a capacidade dos sindicatos/funcionários públicos em de negociar benefícios à custa dos contribuintes (e de os políticos os darem). É óbvio que acabar com os sindicatos ou com a obrigatoriedade da concertação é capaz de não resolver grande coisa. Talvez a única forma de minimizar este problema seja mesmo limitar o campo de actuação do Estado. Ou talvez não. Não isolar os FP de muitas das consequências destas negociaçōes (por exemplo, permitindo o seu despedimento) seria meio caminho andado para evitar estes abusos.

  6. Pingback: Perguntinhas em dia de greve (desconvocada) da CP « O Insurgente

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.