Vão mas é trabalhar

O caso da senhora que morreu e ficou 8 anos em casa sem que ninguém desse por isso não é representativo de absolutamente nada. É um exemplo de como uma cadeia de eventos infinitos como é a vida de 10 milhões de pessoas pode resultar em casos extraordinários. Uma senhora que por acaso não tinha família, por acaso não tinha amigos, um conjunto de polícias que, e bem, respeitaram a propriedade privada até a dona cometer uma ilegalidade, criaram uma situação destas. A maior parte dos velhos, por muito solitários que sejam, têm família, têm amigos ou conhecidos que percebem a sua morte. Este foi um caso excepcional, um outlier e só por isso foi notícia. Se fosse representativo de alguma coisa, não teria sido notícia. Deixemo-nos de fantasias e da incessante busca de causas. Como dizia o personagem de TV: vão mas é trabalhar.

20 pensamentos sobre “Vão mas é trabalhar

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  3. Discordo. É verdade que não se devem tirar conclusões apenas de um caso mas face ao descrito não creio que possa ser descrito apenas como “um exemplo de como uma cadeia de eventos infinitos como é a vida de 10 milhões de pessoas pode resultar em casos extraordinários”.

    Também não concordo que havendo fortes indícios de que algo de errado se passa com a pessoa deva prevalecer o respeito(?) pela propriedade privada. Parece-me que prevaleceram foi o desinteresse e a incúria.

    Por último, acho significativo que quando se tratou de executar uma dívida do fisco já não tenha havido problema nenhum em forçar a entrada.

    E agora vou trabalhar…

  4. André, como disse ao Ricardo, o estado não tem obrigação de tomar conta de ninguém. Se alguém quiser ser um solitário, porque deve ter que prestar esclarecimentossua vida pessoal ao Estado? A senhora morreu como viveu. E até prova em contrário, por opção própria. Até acho bastante positivo que até ao ponto em que a senhora cometeu uma ilegalidade (não pagar impostos), nenhuma autoridade lhe tenha batido à porta.

  5. Miguel Madeira,

    É muito comum em vendas de edifícios penhorados pelas finanças. Como o fiel depositário é quase sempre o penhorado, qualquer pessoa que queira vêr a propriedade não é normalmente muito bem recebido….

  6. Carlos,

    Percebo o teu ponto de vista mas discordo. Como escrevi, para mim em situações nas quais haja fortes indícios de que algo de errado se passa com a pessoa não deve prevalecer o respeito(?) pela propriedade privada. E parece-me que não é sequer essa a explicação: o que prevaleceu foi o desinteresse.

  7. jorge

    vão mas é trabalhar….parece-me que foi exactamente o que a GNR respondeu às pessoas que participaram o desaparecimento da senhora ” vão mas é trabalhar “…onde é que já se viu a GNR a arrombar uma porta…quem arromba portas são os gatunos…esses ao mesmo trabalham todos os dias…Espero que o Carlos Pinto nunca morra em casa sózinho, pq se a familia for tão desprendida quanto ele, vai ficar uns anitos a apodrecer….

  8. manuel palma

    trabalhar é o que deviam ter feito as autoridades policiais quando informadas de algo estranho. mas tinham mais que fazer. riram, troçaram, gabaram-se de uma superioridade intelectual ( que se revelou pouco acima da dos galináceos). mais uma prova da falência do estado. parece que a única coisa a funcionar é o saque do min. das finanças ao cidadão.
    o seu comentário é uma estupidez.

  9. Joaquim Amado Lopes

    Pois parece que a senhora tinha família (um primo e sobrinhos) e vizinhos, que a familía (o primo) e uma vizinha participaram o seu desaparecimento às autoridades, a família (o primo) pediu repetidamente para arrombarem a porta e isso foi sempre negado.

    O Fisco penhorou a casa sem nunca ter contactado a senhora ou a família (herdeiros, p.e.), esteve-se nas tintas para o facto de haver uma participação na polícia relativa ao seu desaparecimento (p.e. podia estar amnésica num hospital sem ninguém a ter conseguido identificar), atribuiu um preço à propriedade sem avaliar o seu real valor (não apenas não valorizou o estado da propriedade como podia lá estar um espólio muitíssimo valioso que ficaria para quem a comprou) e vendeu-a como se isso fosse banal.

    O mínimo que se exigia ao Fisco era que alguém entrasse naquela casa antes de ela ser vendida. E este é mesmo o mínimo dos mínimos. Quase tudo o que o Fisco fez e tudo o que as outras autoridades não fizeram envergonham qualquer cidadão que mereça ser chamado de tal.

    O post que o Carlos Guimarães Pinto escreveu é simplesmente nojento. Se foi simplesmente infeliz ou se se limitou a mostrar-se como é, saberá quem o conhece. Felizmente não pertenço a esse grupo.

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  11. vascosilveira

    Foi o que o fisco fez: trabalhou
    Penhorou casa de falecido; vendeu-a por tuta e meia a um amigo do primo de…
    Antigamente dizia-se que o fisco disparava a tudo o que se mexia; agora dispara a tudo!

    Um caso normalíssimo todo ele..
    Num país cada vez menos normal

  12. Vítor

    Se o Carlos sofrer um despiste por excesso de velocidade, não vale a pena chamar o 112, porque viveu como morreu. E o estado nada tem a ver com isso.

  13. Tiago

    Se há motivos para crer que alguém que vive só pode estar doente e em dificuldades, procurar prestar auxílio, mesmo através do arrombamento da porta é agir em estado de necessidade em benefício de 3º.
    Se o A suspeita que B, que vive sozinho/a, pode estar acamada e doente e a necessitar de auxílio que não consegue solicitar, o arrombamento da porta e a entrada em casa deste/a estão justificados pelo direito. O sacrifício do direito de propriedade e de privacidade é de menor importância do que o do direito à vida.

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