A liberdade não é para todos?

“Are the peoples of the Middle East somehow beyond the reach of liberty? Are millions of men and women and children condemned by history or culture to live in despotism? Are they alone never to know freedom and never even to have a choice in the matter?”

George W. Bush.

Bem sei que ainda é demasiado cedo e nada sabemos quanto ao futuro de Egipto, se conseguirá ser uma democracia ou se cai na negra tentação do regime islâmico. Independentemente de tudo isso, quando vemos os manifestantes nas ruas e praças do Cairo dizendo que querem liberdade, não devo ser o único a lembrar-me das palavras de Bush e da sua agenda da Liberdade. Os povos não estavam preparados para ela, lembram-se?

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21 thoughts on “A liberdade não é para todos?

  1. CN

    Discurso passado por um anjinho na mão de ideólogos (não lhe retira culpa) para justificar uma (duas, três?)invasão.

    É que vamos lá ver, ele está a dizer isso contra quem? alguém jurava a pés juntos a incompatibilidade de muçulmanos e Islão com a “liberdade” (será só democracia, suponho)? Há alguns que o juram, mas estão perto dos mesmos ideólogos que vêm agora com a prudência da revolução interna (sem CIA) poder cair em más mãos, já as revoluções-regime-change induzidas externamente é só qualidades.

    mind your own business

  2. P

    Começado por Bush (ou como alguns dizem, pelo Obama)? Esta gente está a falar a sério? A democracia do Iraque já é tão forte que influencia os países vizinhos?

    Será que toda a revolução ou mudança de regime no mundo tem que passar pela influência dos EUA?

  3. AA

    Que ridículo, processo despoletado por Bush ou por Obama. Se Obama tem o discurso que tem é para iniciar a contra-revolução, cavalgando a onda da mudança, que já se afigura inevitável. É dos livros, meus caros.

  4. Max Cady 128

    Meninos e meninas, as palavras de Bush são um exemplo do que é verdadeira retórica, construída inteiramente com genuína experiência e se quiser-mos ser leigos, de alguém que percebe o mínimo do assunto.

    As palavras e as acções da administração Bush tiveram bem mais influência naquela região, do que as tentativas de diálogo paternalista e mentalidade de “ah-e-tal-vamos-esquecer-os-nossos-problemas-e-recomeçar-de-novo, vamos-todos-dançar-e-cantar-à-fogueira”, que muito têm caracterizado a Administração Obama.

  5. jose carlos

    isto é assim…um tipo de direita e para mais americano não pode apelar à democracia e liberdade. Quando Reagan desafiou Gorbatchov a deitar abaixo o muro de Berlim caiu o Carmo e Trindade…cowboy maluco rosnaram os esquerdistas ( lembro-me de Mário Soares entre outros )..onde é que já se viu milhões de europeus de leste a viverem em democracia. A história deu-lhe razão, ao cowboy é claro. Quanto ao Bush é a mesma coisa.

  6. CN

    Na altura a direita-moralista-neocon achava que era necessário um first strike contra a URSS ou perto, diziam que estava no máximo da sua força militar e económica, a meses de cair.

    Em vez disso, Reagan (como Thatcher), apesar de já ter a administração cheia desses neo-conservadores vindos do Partido Democrata estendeu a mão a Gorbachev na primeira oportunidade.

    Bush fez um discurso conveniente à invasão Iraque, enquanto isso ajuda ao Egipto continuou (como apoiaram Saddam contra o Irão). Porquê a invasão, o Egipto não mostra que mais tarde ou mais cedo, pessoas são capazes de proceder a regime de mudança se estiverem para aí viradas? de resto, é responsabilidade dos próprios tomarem conta do seu regime.

    O neo-conservadorismo contínua a fazer mal à cabeça, estão sempre a trocar as voltas a qualquer raciocínio básico, trocando causas/consequências/por causa de/apesar de.

  7. P

    Quando algo mau na economia ou na diplomacia é atribuído à antiga admn. Bush, caí o carmo e a trindade, que não pode ser que agora o Obama é que é presidente. Mas agora, já se atribuem os louros ao texano. Pois claro.

    Achar que meia dúzia de discursos bonitos e jogos de diplomacia são a chave para revoluções destas é americanocentrismo a mais. Junte-se mais uma invasão que não tornou os USA mais populares nos olhos do médio oriente. Há quem faça um grande esforço quando é para politizar.

  8. “cowboy maluco rosnaram os esquerdistas ( lembro-me de Mário Soares entre outros )..”

    eu duvido muito que o Mário soares tenha rosnado, porque na altura ele era um pró-americano entusiasta, mas enfim…

  9. O que complica esta discussão é que normalmente, tanto os “pró-intervencionistas” como os “anti-intervencionistas” têm, cada qual, dois ou três “discursos de bolso” distintos, o que permite a ambos os lados, perante acontecimentos futuros imprevistos, dizer “vêm como nós tinhamos razão?”.

    Mais exactamente, costuma haver pelo menos estes quatro argumentos em confronto:

    – “intervencionistas – universalistas”: “toda a humanidade aspira a viver de acordo com os nossos valores, logo não será dificil nós irmos lá civilizá-los”

    – “intervencionistas – relativistas”: “aquele povo tem uma história e uma cultura completamente bárbara; a única maneira de melhorarem será com um intervenção externa que lhes leve as luzes da civilização”

    – “anti-intervencionistas – universalistas”: “aquele povo aspira fundamentalmente ao mesmo que nós, e se o deixarem em paz evoluir+á naturalmente nesse sentido”

    – “anti-intervencionistas – relativistas”: “aquele povo é tão diferente de nós que é uma perda de tempo tentar mudá-lo”

    Para complicar a questão, às vezes as mesmas pessoas oscilam entre o modos “universalista” e “relativista”, conforme o que dá mais jeito na discussão.

    Onde euq uero chegar com isso – é que os actuais acontecimentos no Egipto permitem a tanto os “intervencionistas – universalistas” como aos “não-intervencionistas – universalistas” dizer “vêm como tinhamos razão!”; e se daqui a uns anos o Egipto se tornar uma teocracia tanto os “intervencionistas – relativistas” como os “não-intervencionistas – relativistas” vão dizer “vêm como tinhamos razão!”.

  10. CN

    NO meu caso, o não-intervencionismo é uma questão de princípio geral (sujeito a excepções, não existem absolutos) assente em diferentes princípios:

    – os povos têm responsabilidade de resolver os seus próprios problemas
    – entre marido e mulher…
    – mind your own business
    – a defesa nacional está suportada em impostos baseados numa ideia de “Contrato Social” cujos contornos dificilmente incluem aventuras externas fora da defesa estrita do território nacional
    – mais em democracia do que na velha ordem, o intervencionismo externo dá azo a criar inimigos que podem ver todo a população como cúmplice (afinal se em democracia a população apoia o intervencionismo externo ->todos são alvo… quando antes era o soberano com mercenários que concentrava quer os combates quer as culpas)
    – a história do séc.20 (ou a história em geral) mostra a verdadeira tragédia provocada pelos jogos intervencionistas de geo-estratégia com culpas para todas as partes, mas expondo a falha da teoria das alianças (transformar conflito local em Mundial)
    – princípios da Guerra Justa
    – e mais alguns que ficam por pensar e escrever

    Será uma falácia ver acontecimento a acontecimento se valeu/não a pena intervir ou se valeu /não intervir. Intervindo não temos responsabilidade directa no que acontece depois, intervindo passamos a ter.

  11. lucklucky

    “Na altura a direita-moralista-neocon achava que era necessário um first strike contra a URSS ou perto, diziam que estava no máximo da sua força militar e económica, a meses de cair.”
    .
    CN mente. Não do que fala e ainda por cima inventa.

  12. Inês Meneses

    Vocês são maravilhosos, obrigada por alegrarem o mundo virtual português com a vossa lógica tão… especial

  13. CN

    “Na altura a direita-moralista-neocon achava que era necessário um first strike contra a URSS ou perto, diziam que estava no máximo da sua força militar e económica, a meses de cair.”

    “CN mente. Não sabe do que fala e ainda por cima inventa.”

    Lucky, não invento nada, a equipe especial dos serviços de inteligência que falava no máximo da força da URSS era precisamente a que fazia parte o já esquecido Paul Wolfowitz.

    Quanto ao first strike era assunto discutido, o tema estava presente. Reagan bem haja, era muito pouco dado a essa via e estendeu a mão a Gorbachov, e lembrar a reacção soft à invasão do Afeganistão, cujo custo, acabou a empurrar a URSS para a derrocada.

  14. CN

    Lucky, mesmo a propósito:

    Reagan was no neocon, Gene Healy

    It’s Ronald Reagan’s 100th birthday on Sunday, and everyone on the Right is jockeying for a piece of the Gipper’s legacy.

    No surprise, then, that the latest issue of the Weekly Standard — the magazine that helped bring you the Iraq War — is a “What Would Reagan Do?” special, with a cover featuring Reagan blowing out his birthday candles. This isn’t the first time the Standard’s editor, William Kristol, has wrapped himself in our 40th president’s mantle. In a famous 1996 article, “Toward a Neo-Reaganite Foreign Policy,” Kristol and co-author Robert Kagan invoke the Gipper for an aggressive program of “global hegemony” and rogue-state rollback.

    Nice try. During his career, Ronald Reagan often employed the sort of confrontational rhetoric neoconservatives thrill to, but, as president, Reagan was no neocon — and be thankful for that.

    In their 2004 book, “America Alone: The Neoconservatives and the Global Order,” Jonathan Clarke and Stefan Halper write that modern neocons have “attached a Reagan bumper sticker to their motorcade,” but they “ignore much of the substance: the intense arms control commitment, the summitry, the minimal use of direct American military power.”

    Reagan had a genuine horror of nuclear weapons, and wanted them abolished. He called mutually assured destruction “the craziest thing I ever heard of.” His three military interventions — Grenada, Lebanon and Libya — were “limited operations of short duration,” and he carefully avoided direct confrontation with the Soviets.

    This got Reagan into trouble with the neocons early on. They took to the oped pages to lament “The Muddle in Foreign Policy” (Irving Kristol) and chronicle the “Neoconservative Anguish over Reagan’s Foreign Policy” (Norman Podhoretz).

    Incredibly, Podhoretz accused Reagan of “following a strategy of helping the Soviet Union stabilize its empire,” instead of “encouraging the breakdown of that empire from within.”

    In Reagan’s Middle East policies, especially, there was much for hawks to rue, such as the administration’s sharp condemnation of Israel’s 1981 “preventive strike” on the Iraqi nuclear reactor at Osirak, and Reagan’s decision to withdraw U.S. peacekeepers from Lebanon after a truck bomb killed more than 200 Marines.

    In a 2007 debate, to the chagrin of Rudy Giuliani, Rep. Ron Paul, R-Texas, invoked Reagan to argue for getting out of the Middle East: “We need the courage of a Ronald Reagan.”

    Despite Reagan’s “ringing speeches,” he was “quite circumscribed in his efforts at democracy promotion,” Colin Dueck writes in “Hard Line,” a new history of GOP foreign policy. Reagan viewed the U.S. as a city on a hill, a “model to other countries,” not a crusader state with “an obligation to forcibly promote democracy overseas.”

    Most of all, what separates Reagan from his hawkish latter-day admirers was his optimism. He viewed the United States as dynamic and free — and, therefore, strong enough to outlast any enemy.

    For the neoconservatives, however, it’s always 1939, and the free world is always under siege, whether from a decrepit Soviet monolith of the 1980s or today’s allegedly “existential threat” presented by several hundred cave-dwelling Islamists.

    In the Gorbachev era, Norman Podhoretz accused Reagan of buying into “the fantasy of communist collapse.” Some fantasy.

    Reagan had been right when he proclaimed in 1981 that “the West will not contain communism; it will transcend communism,” dismissing it as “a sad, bizarre chapter in human history whose last pages are even now being written.” The Gipper’s threat-addled fans at the Standard could use some of his confidence today.

    In recent decades, Republicans have repeatedly honored Reagan’s memory by naming federal buildings after him — a curious tribute indeed. They’d do better to look at his actual record.

    In foreign affairs, the Reagan legacy is one of realism and restraint.

    Examiner Columnist Gene Healy is a vice president at the Cato Institute and the author of “The Cult of the Presidency.

    Read more at the Washington Examiner: http://washingtonexaminer.com/opinion/columnists/2011/01/reagan-was-no-neocon#ixzz1CnEZFBx9

  15. lucklucky

    !? não diz nada sobre o assunto. First Strike é uma opção no caso de uma escalada no caso de uma parte ter uma grande vantagem. Isso não sucedia.

    Quanto ao resto qual seria a reacção de Reagan ao Iraque de Saddam e ao 911?

  16. CN

    “Quanto ao resto qual seria a reacção de Reagan ao Iraque de Saddam e ao 911?”

    Vejo muito provável que não actuaria militarmente (pelo menos da mesma forma, com guerra clássica) no caso do Iraque, afinal esta´confirmado que o embaixador americano deu assentimento de neutralidade a Saddam. O que tinha poupando muita coisa, e quem sabe até o próprio 911 (os EUA não acabariam a ter bases na Arábia Saudita, por exemplo).

  17. CN

    Lucky, num artigo sobre Frank Meyer, dado como libertarian mas na verdade sempre próximo do neo-conservadorismo, nos círculos de William F. Buckley, Jr. ( e dai inimizade mútua com Murray Rothbard)

    Principles and Heresies, Frank S. Meyer and the
    Shaping of the American Conservative Movement, By Kevin J. Smant (ISI Books, 2002)
    Review by Ryan McMaken

    http://www.lewrockwell.com/mcmaken/mcmaken69.html

    “Meyer slyly slips in his incorrect assertion that the antiwar libertarian position has appeared for the “first time” in American history (the Washington doctrine apparently being of little interest) in an attempt to de-legitimize it among the tradition-minded American Right; he dismisses the antiwar libertarian view as “patently distorted,” and claims that the libertarians were opposed to the American government exercising its “legitimate function” of self-defense. In his zeal to send American troops into battle across the globe, however, Meyer never addressed what all his military plans had to do with the “legitimate” defense of the United States.

    Mr. Smant examines Meyer’s record on foreign policy, and illustrates that at various times in his career Meyer had supported the invasion of China in order to crush their nuclear program, he supported the use of first-strike nuclear weapons, and he was an avid supporter of the war in Vietnam, even going so far as to denounce the virulently anti-communist John Birch Society for its opposition to what it saw as a costly and pointless war. Also, Meyer was undoubtedly aware that his editor, William F. Buckley, Jr., had declared that in order to defeat the communists, the United States must emulate the enemy and adopt their methods and their mind-set. And, through it all, Americans were taxed more every year to pay for the engines of war. Boys were being enlisted against their will, and were dying by the thousands on the other side of the globe to prop up friendly dictators. Huge standing armies of Americans crisscrossed the globe, while the arms race threatened to incinerate 20 million Americans, yet Frank Meyer would never admit that militant anti-communism had any effect on individual liberty, something he claimed to cherish greatly.

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