Números esmiúçados

E integrais, no blog Os Comediantes.

Há dez anos, na reeleição de Jorge Sampaio, a abstenção teve níveis semelhantes mas os cadernos eleitorais de então detinham um erro de perto de 8% em relação aos votantes reais – ao contrário de ontem, onde a votação dispunha de cadernos eleitorais “limpos”, com um desacerto que não deveria ultrapassar o nível de 1,5%.

Escreve Carlos Abreu Amorim, é a campanha da desinformação que já ontem tinha sido levada a cabo por Pedro Adão Silva e Luís Delgado na SIC Noticias. Nunca é demais referir: em 2001, estavam inscritos 8.950.905 eleitores. Em 2011 o número de inscritos, após a “limpeza” dos cadernos eleitorais a que CAA faz referência, disparou para 9.629.630. São só 678.725 eleitores a mais. Portugal deve ser dos países no mundo com maior crescimento populacional. Ou isso, ou desde 2008 terão sido acrescentados cerca de 600 mil eleitores por via do recenseamento automático e a “limpeza” dos cadernos eleitorais deixou muito a desejar.

2 pensamentos sobre “Números esmiúçados

  1. Bom, não é assim.
    Qualquer pessoa que tenha trabalhado num dos recenseamentos do INE (trabalhei em dois) sabe que é um recenseamento feito muito por baixo, a população do país é superior a dez milhões e meio de habitantes.
    Mas o facto do número de recenseados ter subido deve-se a vários factores:
    -A um pequeno aumento da população;
    -ao facto de que quem tira o cartão de cidadão ficar automaticamente recenseado;
    -ao número de naturalizações de ex-estrangeiros ter subido;
    -ao número de portugueses residentes no estrangeiro terem pedido cartão de cidadão;
    -ao facto de que com a nova lei da nacionalidade qualquer pessoa que tenha pelo menos um avô português passa a poder requerer a nacionalidade portuguesa (de origem, sem naturalização).

    Estes factos levaram a um aumento da emissão de cartões de cidadão e, portanto a um aumento de inscritos no recenseamento eleitoral

  2. Caro Raio,

    porquê que não é assim? Não percebi se estava a contrariar o que digo ou o que o CAA diz. Quantos aos vários factores que levaram ao aumento de eleitores o mais relevante é, sem qualquer dúvida, o do recenseamento automático. Só em 2008, primeiro ano em que o recenseamento automático entrou em vigor, pelas informações prestadas pelos serviços responsáveis terão sido acrescentados 650 mil eleitores.

    Depois diz que o recenseamento está feito muito por baixo. Se bem percebo o que diz, erra num ponto, esquece que dos 10 milhões e meio de portugueses, para o recenseamento eleitoral, tem de subtrair todos os que tem menos de 18 anos (os quais, se não me engano, no último censo de 2001, representariam bem mais do que um milhão e meio de portugueses). Mesmo com “limpeza” dos cadernos eleitorais, estou absolutamente convencido que os cadernos continuam cheios de eleitores-fantasmas. Em 2011 será feito novo censo, será boa oportunidade para voltar a pegar no assunto. Dos 9 milhões e 600 mil eleitores agora inscritos, só 200 mil não são do território nacional; logo, se os cadernos eleitorais estiverem correctos, a população residente com mais de 18 anos terá de rondar os 9 milhões e 400 mil eleitores. Vai uma aposta que assim não é?
    Abraço.

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