A nova Europa

A economia alemã continua acrescer a olhos vistos e acima da média europeia. Quando o fenómeno começou a ser notório, houve quem acreditasse que seria ‘sol de pouca dura’: a existir explicação para a moeda única, ela estava na necessidade que a Alemanha tinha dos mercados europeus. Estando os países consumidores em recessão, a Alemanha venderia menos e iria pelo mesmo caminho.

Nada disso aconteceu, apesar de existir quem ainda acredite no contrário. A razão do fenómeno está no aumento das exportações para a China, com resultados acima dos obtidos antes de 2008. Ou seja: a globalização não significa apenas a deslocação da produção para os países emergentes. Traduz-se também na mudança dos centros de consumo. A Europa, ao continuar a viver com direitos adquiridos, mas não obtidos, torna-se também aqui num resquício do que foi. A potência europeia pode deixar de ser o continente, para voltar a ser um país, com os vizinhos a serem mais empecilhos que actores no jogo global.

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9 thoughts on “A nova Europa

  1. António Ferreira

    A Alemanha é a superpotência europeia, sem dúvida. Nós gostamos de falar da integração dos “retornados” na sociedade portuguesa, mas um acto verdadeiramente impressionante é a reunificação das duas Alemanhas. Era como se nós agora nós(Alemanha do Leste, claramente!) nos juntássemos com um país escandinavo(Alemanha Ocidental). A cultura e civilização dos países do Norte da Europa é muito superior à dos países do Sul, tendo a U.E. os dias contados, sendo apenas uma questão de tempo. Não se pode ter uma uniformização entre países tão diferentes, é como pedir a um UMM para acompanhar o ritmo de um Porsche, é absurdo e impossível. Dou 10 anos (estou a ser bem generoso!) para a Alemanha sair do Euro ou para os PIGS serem expulsos da moeda única. Se vivessemos na Europa do Norte, acredito que o Estado Social seria possível, mas com o nosso grau civilizacional (compadrio, chico-espertice, deixa andar, etc), acho impossível e bastante contra-producente (os resultados estão à vista!).

  2. A potência europeia nunca o foi, o motor da união será sempre a Alemanha, economicamente, politicamente, é o centro de decisões.

    Uns bons anos atrás li um thriller político sobre como a Alemanha conscientemente estava a dominar a política da CEE como meio de estabelecer pelo poder económico e politico o que não consegui pelas armas, criando um novo Reich encoberto. Infelizmente já não me recordo do autor ou do livro. Não caindo no ridículo de afirmar que estamos a caminhar para algo parecido, não deixa de ser preocupante uma Alemanha exigente e cada vez mais autoritária e segura de si própria no espaço europeu.

  3. lucklucky

    A Alemanha já investe mais na Asia que na Europa – O investimento na China já é quase o valor do investimento na Europa dos 15. O comércio com os Brics já é quase o dobro do Comércio com os EUA.

  4. JS

    A Alemanha é, por enquanto, ainda, a economia (volume,superávit) na Europa. Mas mais de 50% de vendas do maior produtor de automóveis do mundo, a VW, já foi na China, -não na Europa- aonde até existem fabricas da VW.
    O centro económico do mundo é, crecentemente, a China, para grande preocupação dos seus vizinhos asiáticos Japão, India, Coreia do Sul, Vietnam e, claramente, dos EUA.

  5. António Ferreira escreveu:

    “A cultura e civilização dos países do Norte da Europa é muito superior à dos países do Sul”

    ???? Quem escreveu isto não conhece os países do Norte da Europa… nem os do Sul…
    A cultura e civilização é diferente, tal como os do Sul são diferentes entre si.
    Ser diferente de nenhuma forma implica uma relação de ordem!

    “tendo a U.E. os dias contados, sendo apenas uma questão de tempo”

    Aqui concordo. Tentou-se misturar no mesmo saco culturas, hábitos e mesmo civilizações muito diferentes, ainda por cima, cada um falando a sua língua. O resultado só poderia ser o actual, catastrófico.

    “Dou 10 anos (estou a ser bem generoso!) para a Alemanha sair do Euro ou para os PIGS serem expulsos da moeda única”

    Expulsos???? Porquê? Muitos países acabarão saindo do Euro por questões técnicas e lógicas. E isto ainda não aconteceu porque os incapazes que nos meteram no Euro ainda estão no poder e não têm coragem de dizer à Nação: “Ó malta, desculpem lá mas metemos a pata na poça, deixamos o país de pantanas e vocês é que vão ter de pagar”.

    ” mas com o nosso grau civilizacional (compadrio, chico-espertice, deixa andar, etc), acho impossível e bastante contra-producente”

    Realmente, o autor destas linhas nunca deve ter saído de Portugal? De Portugal? Não, nunca deve ter saído da Reboleira…

    João Cunha escreveu:

    ” criando um novo Reich encoberto.”

    Os três Reichs foram sempre pretendidas etapas da unificação da Europa, o primeiro de Carlos Magno, o segundo de Bismark e o terceiro de Hitler. A UE não se chama IV Reich porque Hitler queimou o termo, nada mais.

  6. António Ferreira

    Caro Sr. Raio:

    Conheço vários países europeus, tanto do norte como do sul. Limitei-me a expressar a minha opinião. Se não concorda, muito bem, está no seu direito, como estou no meu de ter uma opinião formada sobre o assunto. Não acho correcto que me insulte ou me desrespeite, pois eu não desrespeitei ninguém nem disse nenhuma atrocidade. Se estabeleci alguma relação de ordem, acho que não foi assim tão disparatada. Aprenda a ser um verdadeiro Democrata e se quiser criticar a opinião de alguém, faça-o de maneira civilizada e construtiva, senão só me dá razão.
    Os melhores cumprimentos

  7. Caro Senhor António Ferreira,

    “Conheço vários países europeus, tanto do norte como do sul.”

    Eu também…

    E, de nenhuma forma pretendo insulta-lo, se o fiz, peço desculpa.

    Mas acho extremamente irritante este desporto nacional de se pretender que os outros são sempre melhores.
    Vivi anos fora de Portugal e em serviço desloco-me por vezes a outros países. Sinceramente não vejo nenhuma superioridade cultural ou outra, da parte do Norte da Europa, antes pelo contrário. Nem ido lá nem falando com os que são de lá e estão por cá. Mais uma vez, antes pelo contrário.

    Com os melhores cumprimentos,

  8. zedeportugal 06-11-2009″

    Os norte-americanos sabem muito bem que um dos melhores e mais seguros lugares para investir neste momento é precisamente a Alemanha, com o seu governo de coligação entre democratas cristãos e liberais e toda a sua força industrial agora renovada (purgada) e preparada.
    A Alemanha vai ser o primeiro país da união europeia a livrar-se da recessão, e fá-lo-á com a sua Economia reforçada e mais pujante do que antes. Todas as medidas ditas anti-crise da UE tiveram exactamente essa finalidade: tornar a Alemanha a potência económica europeia dominante na emergência pós crise.

  9. António Ferreira

    Caro Sr. Raio:

    Pedido de desculpas aceite. Concordo consigo que é muito triste o bota-baixismo ser desporto nacional. Infelizmente, não se vê luz ao fundo do túnel, por isso é díficil dizer coisas boas ou mesmo ficar calado. Sobre a superioridade dos países do norte da Europa, não me leve a mal, mas continuo a achar o que disse anteriormente. Até lhe dou exemplos: a pontualidade, a relação Estado-Cidadão, a relação Cidadão-Trabalho, a produtividade, etc. Também acho que nós (portugueses) temos imenso potencial, mas falta-nos liderança a todos níveis.

    Os melhores cumprimentos

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