O caso que poderia ser mas não é (2)

Não considero que a honestidade de um político possa fundamentar a sua recusa em prestar esclarecimentos sobre os seus actos com repercussão política. É que essa honestidade só pode ser reconhecida, quanto a esses actos, depois de os mesmos estarem esclarecidos. O que equivale a dizer que essa conversa da honestidade tanto serve a táctica do honesto como do desonesto.

Nesse sentido, e apenas nesse Maria João, comparo a reacção de Cavaco, via Alexandre Relvas, às reacções típicas de Sócrates. Um e outro apostam na sua honestidade para se escusarem a responder às legítimas questões com que, sobre alguns dos seus actos, têm vindo a ser confrontados.

Não está aqui em questão, note-se, a minha percepção de que Cavaco Silva é honesto nem a minha percepção de que Sócrates o não é. Essas percepções autorizam-me dirigir primeiro a minha atenção para os casos que envolvem Sócrates, mas não me autorizam a considerar ilegítimas ou inaceitáveis as perguntas daqueles que preferem dirigir questões a Cavaco, sendo certo que, evidentemente, considero que podem retirar-se conclusões acerca das prioridades de cada um.

Cavaco Silva explicou pouco ou quase nada (note-se que Cavaco paradoxalmente já remeteu para notícias do Expresso publicadas apesar da falta dos seus esclarecimentos) apostando na percepção de que a maioria de nós tem (eu também) de que ele é honesto. É uma estratégia perfeitamente natural para quem, como Cavaco, conhece o nosso eleitorado. Mas não considero que o candidato tenha esclarecido convenientemente a questão (o que não significa que, a final, se veja que nada havia a temer – coisa que, lá está, só pode saber-se depois e não antes de os contornos do “caso” se saberem) e é com algum enfado que o vejo actuar com a mesma estratégia de Sócrates.

4 pensamentos sobre “O caso que poderia ser mas não é (2)

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  2. oscar maximo

    Se ser honesto fosse só não roubar, o que já é muito, havia mais gente a considerar Cavaco honesto. Mas há quem não considere honesto atirar a pedra e esconder a mão, como na história do monstro, vocação do mar, escutas, etc. Releva duma posição mais grave, que é por os interesses pessoais á frente dos do país.

  3. bola de neve

    Por paradoxal que possa parecer, a continuação desta novela — que já fede — deve imenso ao fundamentalismo dos que, pretendendo defender com “unhas e dentes” o seu candidato (p.ex., Maria João Marques), argumentam com uma cegueira que faria corar de inveja muitos “jugulares” e “corporativos”…

    Lamentável e claramente mais prejudicial para o seu candidato que todas as atoardas que se pretendem contestar.

    Gostando-se ou odiando-se o estilo de Pacheco Pereira — parece que não há meio termo, o que neste caso só abona em seu favor — uma característica tem que se lhe reconhecer, e que é raríssima na nossa praça: não ser dogmático, ao ponto de não conceder que ele e restantes companheiros que defendem os mesmos ideais também erram, e, quando tal acontece, ser o primeiro a notar o facto. O que, neste mundo de “cães de fila”, tem um custo (mais mediático que político), pois o que, num país civilizado, seria um ponto a favor é, neste mundo pequenino, entendido pelo adversário e pelos “media” como uma vitória.

    Felizmente, o eleitorado parece assim não o entender. O que leva a que atitudes como a da Maria João provoquem ainda maior dano a quem pretendiam proteger.

  4. César

    À MULHER DE CÉSAR NÃO BASTA SER HONESTA…
    Já refeito do desaire eleitoral com Jorge Sampaio (1996) , Cavaco Silva preparou-se para um novo ataque em 2006 quando é eleito por uma “unha negra” logo à primeira volta , ficando mais portugueses em casa do que aqueles que o elegeram …
    Para tanto teve a ajuda do seu amigo e banqueiro do Grupo BPN , Oliveira e Costa , seu habitual financiador de campanhas eleitorais , parecendo estarmos perante um simulado financiamento para a campanha eleitoral de 2006 .
    Assim , em 2001 , Cavaco Silva e a sua filha , compraram a Oliveira e Costa , 255.018 acções da SLN , ao preço de 1 euro por acção , acções que haviam sido adquiridas por Oliveira e Costa ao preço de 1 euro por acção . Cavaco Silva obteve assim um preço de favor.A SLN – Sociedade Lusa de Negocios , SGPS , SA (contribuinte nº504265369)
    dona do Banco Português de Negocios(BPN) , tinha um capital de 350 milhões de euros , tendo acções com o valor nominal de 1 euro e com valores de subscrição entre 1 e 3 euros .Os GANHOS com a venda de acções estavam isentos de IRS , se estas fossem possuidas por mais de um ano , beneficio fiscal que estava em vias de extinção .
    Assim , logo em 2003 , Cavaco Silva e a sua filha , no mesmo dia e à mesma hora , se apressam a vender aquelas acções (!) . E Cavaco Silva e a sua filha , por ordem de Oliveira e Costa , vendem as suas acções à SLN-VALOR , SGPS , SA (que era co-accionista de Cavaco Silva na SLN
    dona do BPN) e pelo preço de 2,40 euros por acção !…Um GANHO de 140%,no prazo de dois anos!…Um GANHO usurário(?)de 357.025,20 euros (cerca de 72 mil contos !!!) .
    Aos GANHOS de Cavaco Silva correspondem prejuizos para o Grupo BPN . Existe abuso de confiança por parte de Oliveira e Costa ? Gestão danosa ? Qual a cumplicidade de Cavaco Silva ? Compete ao Ministerio Publico investigar .
    Cavaco Silva era dono indirecto do BPN . Tinha informação privilegiada sobre o BPN e sobre a SLN , a par do seu amigo Dias Loureiro e outros que lá se encontravam , o que , com o devido respeito , nos faz lembrar
    o velho ditado “diz-me com quem andas,dir-te-ei quem és”..
    Cavaco Silva , figura publica , doutorado em YORK(U.K.) , Tecnico Superior do Banco de Portugal , Economista , Financeiro , n vezes Ministro das Finanças , etc. não pode ter desculpas …
    Até o pobre desconfia quando a esmola é boa…A fortiori , quando se é rico e até ter 4 reformas e mordomias que mais nenhum português tem …
    Cavaco Silva não desconfiou? Cavaco Silva não compra “gato por lebre”.Cavaco Silva sabia o que estava a fazer . Não dá ponto sem nó …Tinha plenas garantias do seu amigo Oliveira e Costa ? Também contrapartida dos danosos beneficios fiscais que Cavaco Silva concedeu ao Grupo BPN ?
    O argumento de que o negocio de Cavaco Silva é do foro privado e que ninguem tem nada com isso , não procede . Tambem a usura é do foro privado , não obstante , é crime , e o supracitado negocio é presumidamente usurario .
    Também não procede o argumento de que ao tempo houve muitas transacções de compradores a preços iguais ou superiores àquele de Cavaco Silva (2,40 euros) pois se desconhece , por um lado , o preço das anteriores transacções ; e por outro , sobretudo , porque se desconhece o que posteriormente aconteceu a estes compradores . E não se confundam preços(BPN) compra/venda .Se são muitos aqueles “papalvos” , na D. Branca foram muitos mais …
    E não está provado que a SLN-VALOR tenha então comprado mais acções da SLN por aquele valor de 2,40 euros ou outro , aliás , até a ora alegada compra pela SLN-VALOR das acções de Cavaco Silva , não consta dos registos da SLN-VALOR , o que desde já ilustra a (des)organização
    existente no Grupo BPN !…
    São desculpas de mau pagador aquelas apresentadas por Cavaco Silva ao fazer a sua defesa remetendo-nos para o Tribunal Constitucional e para a Administração Fiscal . Na verdade , ao tempo , Cavaco Silva não tinha qualquer obrigação declarativa para com o Tribunal Constitucional
    como também não tinha qualquer obrigação delarativa para com a Administração Fiscal , em relação a esta matéria pois aqueles escandalosos lucros de 357.025,20 euros estavam isentos de IRS.É diabólico Cavaco Silva remeter-nos para a sua declaração fiscal(onde aliás nada consta de relevante para o caso …) quando existe o segredo fiscal que o protege !… Trata-nos por “parolos”? Ou é ignorante na matéria ? E é esta gente que nos governa ?
    JMF refere no Publico que por exemplo a Jeronimo Martins apenas num ano obteve na Bolsa 100% de valorização , e casos há até de duplicar ou triplicar , pelo que não é de estranhar os 140% para Cavaco Silva .
    JMF parece omitir dolosamente(?) que isto apenas acontece na Bolsa como ainda existem naqueles casos , fundamentos contabilisticos ,economicos e financeiros para que tal aconteça , o que não foi o caso de Cavaco Silva com a SLN que não estava cotada na Bolsa e se encontrava tecnicamente falida …
    JMF desconhece também que o contrato de compra e venda de acções existe sempre , expresso ou tácito . Vd. p.e. Acordão Relação Porto nº 0532116 , in http://www.dgsi.pt/ . E também sempre o comprador
    é identificável quer pela própria natureza das acções , quer pelo próprio BPN com contabilidade organizada …
    Também Felicia Cabrita , no SOL que aliás inclui mais incorrectas informações , Felicia Cabrita refere que Cavaco Silva vendeu barato e abaixo do preço !… Erradamente , pois acontece que apenas no caso
    por ela apresentado de Ezequiel Sequeira , pretendendo este (e não a SLN-VALOR …) adquirir acções a 2,75 euros num diferente contexto de um contrato promessa de compra e venda de acções e com vista a um futuro aumento de capital da SLN . Mistura alhos com bogalhos.
    Confunde preço de venda com preço de compra , etc. .E desconhece as restrições juridicas de aquisição de acções próprias pela SLN …
    Ter lucros não é pecado , mas é crime se não forem justificados .
    Cavaco Silva , consciente ou inconscientemente ( o que é grave …)teve um beneficio injustificado que gerou prejuizos que viriam a ser suportados pelos contribuintes portugueses !…
    O Governo vai interpor acções cíveis contra quem obteve beneficios injustificados .
    E com um processo penal em curso relativamente ao Grupo BPN , será que vamos eleger mais um governante(PR) no futuro a contas com a Justiça ?Não basta o que já temos ?
    Cavaco Silva , como figura pública , pode e deve estar sujeito a permanente público escrutinio .
    Cavaco Silva , ainda que juridicamente inocente , está politicamente condenado …
    Assim , o melhor é fechar para Saldos,
    Pois , parafraseando Vasco Pulido Valente ,
    “Quem se envolveu – porque de perto ou de longe Cavaco se envolveu-na trapalhada do BPN não é a criatura indicada para superintender a economia de Portugal inteiro “ .
    à MULher de césar não basta ser honesta
    DEVE PARECER HONESTA

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