O caso que poderia ser mas não é

Estou entre aqueles que considera que Cavaco Silva deu explicações insuficientes, e até contraditórias, sobre o “caso” SLN. Não basta o próprio saber, com absoluta convicção, que nada fez de ilegal ou politicamente reprovável. E estou também entre aqueles que considera que a reacção de Alexandre Relvas foi excessiva, quase ao género Sócrates, já que não basta de falar de campanha suja quando, de facto, pouco foi dito ou explicado.

Mas já não estou entre aqueles que não se conformam com o facto de o “caso” SLN, por mais interessante ou sumarento que seja, estar, apesar de tudo, a passar ao lado da marcha triunfal de Cavaco.

Na verdade, o que impede o “caso” SLN de ferir de morte a candidatura de Cavaco Silva não é o facto de o assunto não ter sido analisado, discutido e investigado, que foi e está a ser. Nem é o facto de Cavaco cultivar um perfil apolítico, porque a verdade é que Cavaco Silva a ser escrutinado pelo “caso” e diariamente confrontado com o mesmo.

O que impede o “caso” SLN de ferir de morte a candidatura de Cavaco Silva é o facto de os portugueses se estarem nas tintas para o assunto, seja porque o consideram acima de qualquer suspeita, seja porque o assunto lhes é indiferente, seja porque, como aliás têm demonstrado ao longo de toda a governação Sócrates, se estão positivamente a borrifar para estas coisas de (i)legalidades.

Se querem que este caso faça baixas políticas, têm primeiro que mudar de povo.

10 pensamentos sobre “O caso que poderia ser mas não é

  1. António Ferreira

    O problema é que o povo elege quem lhes dá mais regalias, mais “direitos adquiridos” e quem lhes mente mais. O povo em Portugal infelizmente não tem o mínimo de consciência política, por isso vão continuar a eleger o PS e o PSD, mesmo depois de estes provarem que não estão minimamente aptos para governar e que só fazem “trafulhices”. Além disso, não há alternativa, pois os cidadãos que têm capacidade e mérito para nos governaram querem é ganhar o “seu” e não precisam de “tachos” para serem alguém na vida.

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  3. LA-C

    Tens toda a razão, Adolfo. E se com o Sócrates era o povo de socialista que se recusava a ver a necessidade de mais explicações, entrincheirando-se na estratégia de Sócrates; agora vemos grande parte dos acusadores de então a ter a mesma atitude em relação a Cavaco. Só mudando de povo.

  4. ricardo saramago

    Ainda não percebi que esclarecimento exigem estes senhores.
    Do dito negócio de compra e venda de acções, sabe-se tudo`.Sabe-se quando comprou, a quem comprou, por quanto comprou.Sabe-se a quem vendeu, quando vendeu, por quanto vendeu e que declarou ao fisco o que tinha que declarar.
    Querem saber mais o quê?
    Parece uma rábula do Gato Fedorento.

  5. JS

    De acordo. Mais dúvidas foram levantadas em relação a Sócrates, e foi re-eleito.
    São muitos séculos de pragmatismo/sobrevivência -ou cooperação ou indiferência- em relação ao poder. Uns vão a missa, outros não, mas são todos católicos. Ninguém se atreve a, declaradamente, não o ser. Vota-se com fé no homem/partido, ou sobrevive-se com o “voto útil” ou a abstenção.
    Indicíam, recentes estudos, que os meninos “sabem ler” mas não percebem que lêem. Isto está para continuar.

  6. Diogo Costa

    Concordo que os portugueses se “borrifam positivamente” para certas ilegalidades, e isso é triste. Mas não me parece correcto comparar este caso e os “casos Sócrates” como Freeport ou TVI – em que estavam em causa suspeitas de actos claramente ilícitos.

    Não há ilegalidades na compra e venda de acções por Cavaco Silva – a não ser que o lucro de 140% já seja ilegal neste país, como sugerem alguns opositores de Cavaco – e a compra de acções foi feita numa altura em que Cavaco não exercia qualquer cargo político. É óbvio que a decisão de compra de acções compreende uma manifestação de confiança no projecto, julgamento que se pode questionar. Cavaco poderia explicar porque “julgou” dessa forma, mas Cavaco não participou na gestão ou nas operações do banco. Aliás, a dimensão da participação não lhe conferia quaisquer direitos de intervenção.

    Se o BdP nunca descortinou nada de estranho no BPN, e ainda assim continuou a receber a confiança do Governo, e se a Segurança Social mantinha aplicações no BPN de centenas de milhões de EURO ainda em 2008, que legitimidade têm políticos do PS em insinuar que Cavaco cometeu algum ilícito por ter comprado acções?

    Talvez seja também por isso que os Portugueses se “borrifam positivamente”: percebem haver muitos “casos” que são promovidos e alimentados por quem procura tirar proveito deles, e atribuem tantas responsabilidades a quem levanta o caso como ao visado…

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