O castelo desmorona-se…

O combate ao aquecimento global fazia lembrar um castelo. Um castelo com paredes muito elegantes e aparentemente fortes, atraente para muitas pessoas. Os inimigos, os “deniers” pareciam destinados ao ridículo e eram alvo de chacota dada a aparente robustez da ciência que suportava as belas paredes do castelo.

Quando as bases das belas muralhas começaram a ruir, os mais sensatos e conhecedores reconheceram o engano e escaparam com o mínimo de danos. Cada dia que passa cai mais um pedaço da muralha e os “deniers” têm mais espaço atirar, e quem estava lá dentro tem mais espaço para sair.  Quem decide ficar entricheira-se no que resta das paredes.

Depois de passar anos do lado de fora da muralha já percebi que, para ajudar amigos inteligentes a saírem das ruínas sem ferir o seu amor próprio, sem que eles “percam a face”, é mais importante ajudá-los no caminho entre os escombros do que atirar-lhes com o mesmo tipo de tratamento que nos deram no passado. Se agora caímos na tentação da retaliação a tendência natural vai ser o entrincheiramento atrás de qualquer pedra da muralha, por mais isolada ou insignificante que esta seja.

A pergunta que continua a ter de ser respondida, que resume as 3 originais é se os resultados do combate ao AG compensam toda a liberdade retirada e recursos necessários para esse combate. Hoje, como há 5 anos atrás, a resposta é não.

Anúncios

14 pensamentos sobre “O castelo desmorona-se…

  1. AA

    Eu diria que tentar informar as pessoas do que é ciência (vs. misticismo dos números) não é bem retaliar, é um imperativo amoral 🙂

    De resto, o cherry-picking não é uma táctica desesperada de último recurso dos antropo-warm-catastrofistas – é modus operandi desde o princípio – porque obviamente toda aquela “ciência” está pejada de números mágicos, nem se compreende o clima actual para poder prever o futuro (nem sequer dois meses, como se viu dos nevões), como todo o processo está altamente contaminado pela política.

    (mas sim, discutir com malta que quer acreditar é um pouco com mud wrestling with a pig)

  2. “A pergunta que continua a ter de ser respondida, que resume as 3 originais é se os resultados do combate ao AG compensam toda a liberdade retirada e recursos necessários para esse combate. Hoje, como há 5 anos atrás, a resposta é não.”

    Concordo que essa continua a ser a pergunta decisiva para a humanidade, independentemente de tudo o resto.

  3. É verdade que a aposta que eu lancei é irrelevante para questões como:

    – o aquecimento global é provocado pela acção humana?

    – o aquecimento global faz algum mal?

    – é possivel contrariar o aquecimento global?

    – mesmo que as questões anteriores sejam sim, valerá a pena?

    Mas o certo é que quem está constantemente a centrar o debate na questão “o aquecimento global existe?” são vocês (p.ex., no Verão o Arrastão ou o Jugular não costumam fazer posts sempre que num sitio qualquer há temperaturas mais altas que o usual), logo estou apenas a combater no terreno que vocês escolheram (e, também, é verdade, o único em que tenho conhecimentos técnicos suficientes para combater…).

  4. E por falar em “cherry picking” – para mim cherry picking é o que o gajo do ICD faz, que é dizer que “desde 1998 não há sinais de aquecimento global” (até há, como eu demonstrei, mas enfim…). Porquê 1998 e não 1997 ou 1999 (ou 1995 ou 2000, em homenagem ao hábito de usar números redondos)? Simples – a temperatura média em 1998 foi de +56, contra +39 em 1997 e +32 em 1999; ao escolher-se como ponto de partida um ano cuja temperatura foi mais alta que nos imediatamente antes e a seguir, “minimiza-se” a tendência à subida.

    And this, ladies and gentlemen, is what is called cherry picking.

    De qualquer maneira, já propus ao AA que escolhesse ele um periodo temporal para vermos se há ou não tendência à subida, mas acho que ele já não me está a ligar nada…

  5. Ricardo G. Francisco

    Miguel,

    Para mostrar que uma muralha não é inexpugnável basta mostrar um buraco. É legítimo que quem contrarie uma teoria o faça com factos ad-hoc. É que basta 1 para termos a prova de falsidade, como chama a atenção o texto passado pelo António.

    Eu chamo a atenção para que o debate tem um quê de emocional, isto sem dizer que a ciência ficou muito conspurcada pela política.

  6. Ahhh… Eles andam por aqui? LOL
    Ó Miguel Madeira? O que achas que fazem o Jones e o Mann? A isso não chamas cherry-picking???
    Porque será que estes dois, e muitos mais, fogem do Óptimo Climático do Holoceno ou do Período Quente Medieval? Porque andaram eles a conspirar em Lisboa para ver se se livram do Período Quente Medieval? Porque será???
    Resumindo, como já te disse no teu blog, a Terra tem estado a aquecer, mas nem sequer é relevante na história recente do Planeta. E esse aquecimento não se deve ao CO2, sendo na minha opinião a maior subida derivada da Ilha de Calor Urbano, de tão fácil demonstração, como recentemente cientistas da NASA determinaram
    Se tiveres mais dúvidas, podes-me mandar emails para ecotretas@gmail.com
    Ecotretas

  7. «Mas o certo é que quem está constantemente a centrar o debate na questão “o aquecimento global existe?” são vocês (p.ex., no Verão o Arrastão ou o Jugular não costumam fazer posts sempre que num sitio qualquer há temperaturas mais altas que o usual)»

    Porque é que o Arrastão ou o Jugular haveriam de abordar esta questão num ponto de vista necessariamente diferente do Insurgente? Os factos têm ideologia? A verdade depende das convicções políticas?

  8. «para mim cherry picking é o que o gajo do ICD faz, que é dizer que “desde 1998 não há sinais de aquecimento global” (até há, como eu demonstrei, mas enfim…).»

    Isso é curioso, Miguel. Sendo 1998 reconhecido como o ano mais quente desde que há medidas, e não tendo havido nenhum ano tão quente desde então, como é que afirmar que não há sinais de aquecimento (necessariamente relativo ao ano recorde) é “cherry picking”?

    Sendo reconhecido que os modelos computacionais usados como base à teoria do AGA não conseguem explicar o divórcio entre emissões de GEE e a evolução de temperaturas desde 1998, como é que referir esse facto é “cherry picking”?

  9. “Para mostrar que uma muralha não é inexpugnável basta mostrar um buraco. É legítimo que quem contrarie uma teoria o faça com factos ad-hoc. É que basta 1 para termos a prova de falsidade”

    A minha avó teve duas filhas; a minha mãe duas filhas e um filho – isso desmente que a natalidade em Portugal tenha-se reduzido nas últimas décadas.

  10. “Sendo 1998 reconhecido como o ano mais quente desde que há medidas”

    Pelos dados que estou a ver (admito que provavelmente haverá outros cálculos que dêem outros resultados) 2005 e 2007 foram mais quentes.

    Mas o meu ponto é que, se formos ver a evolução das temperaturas desde o ano recorde para a frente, quase por defenição teremos uma tendência a baixar.

  11. “Mas o certo é que quem está constantemente a centrar o debate na questão “o aquecimento global existe?” são vocês”

    Pela minha parte, eu tento centrar o debate é na total inconsistência da propaganda eco-alarmista que domina os media e boa parte do establishment político-académico, especialmente na Europa.

    Em termos de uma “posição de fundo”, continuo a subscrever integralmente o que escrevi aqui e situo-me no plano da economia e das políticas públicas: https://oinsurgente.org/2006/10/22/alteracoes-climaticas-e-cepticismo-economico/

  12. Pingback: Apostas climáticas « O Insurgente

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.