Uma pergunta popperiana

Agradecia que algum fiel elemento do consenso sobre o aquecimento global antropogénico me indicasse que factos empíricos, se observados, permitiriam invalidar a sua teoria.

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18 pensamentos sobre “Uma pergunta popperiana

  1. Bem, na verdade a teoria tem duas partes – o “aquecimento global” e o “antropogénico”.

    A respeito da primeira parte, a teoria do aquecimento global seria refutada se as temperaturas médias no planeta não revelassem uma tendência a subir ao longo das últimas décadas (como é óbvio, estar a nevar em Londres ou a fazer muito calor dentro do meu microondas não interessa nada para aqui – o que interessa é a temperatura global) ou tivessem mesmo um tendência a descer.

    Um exemplo – imagine-se que (usando as estatísticas da NASA, que são as que estão à mão) Novembro passado, em vez de ser o mais quente dos últimos 130 anos, tinha estado dentro da média de, digamos, os últimos 30 anos (porquê 30? boa pergunta, mas tínhamos que arranjar um período qualquer) isso levantaria grandes dúvidas sobre a teoria (embora só um ano individual não servisse por si só, já que poderia ser um outlier).

    O método mais rigoroso seria calcular uma regressão tendo como “y” as temperaturas e como “x” os anos; se o beta fosse negativo ou nulo, isso invalidaria a teoria; se fosse positivo mas não significativo, confesso que não tenho certeza se invalidaria ou não.

    Claro que isto é só para a primeira parte da teoria (“aquecimento global”); quanto à segunda parte (“antropogénico”), nãp faço ideia.

  2. Fernando

    O MM resolveu a primeira parte do problema. A segunda parte seria perceber se existe verdadeiramente uma relação de causa-efeito. Por exemplo, eu posso comparar a temperatura no Tibete com a quantidade de pizza que eu tenho comido ultimamente e os dados me aparecerem com um forte coeficiente de correlação. Mas o empirismo dir-me-á que isso acontece por coincidência e não pode haver uma relação de causa-efeito.

    O clima, com tantas variáveis e ainda por cima esfasadas no tempo (é também um sistema reflexivo…), torna-se impossível de modelizar com a precisão desejada. No entanto, o meio científico tem estudado a questão e encontra-se dividido, embora a balança penda mais para o facto de a emissão de CO2 aumentar de facto a temperatura global (claro que, como teoria científica, vale de pouco se não puder ser verificada pela experiência e isso é a questão do seu post).

  3. Fernando

    Esqueci-me de concluir: nenhum fiel ou infiel da teoria do aquecimento global poderá provar qualquer coisa…

  4. Cabe a quem defende dispender biliões para nos livrar do que afirmam ser o aquecimento global antropogénico e as suas consequências propiciar essa argumentação e, inclusivamente, os aspectos que levariam a rejeitar as suas teorias.
    Uma ressalva: o argumento “Science is settled” é inegavelmente inválido quando, por exemplo, sucede isto, conhecido em 8 de Dezembro último.

  5. Fernando

    Eduardo F.: o Luís Lavoura tem razão. Imagine que consegue arranjar um bom modelo matemático que traduza as equações do clima. Você nunca terá precisão de 100% por melhor que seja o modelo, entende? Ou seja, nunca provará rigorosamente o aquecimento global (embora possa ter toda a comunidade científica a apoiar a teoria). A técnica que se utiliza para testar os modelos é o chamado “backcasting” (contrário de forecast) que é pegar no modelo e prever que temperaturas houve noutras eras passadas, em função não só do CO2 mas de outras variáveis. Pelo que sei, há um mega projecto europeu que se tem saído bem, mas realmente essa não é a minha área. Se está mesmo interessado em descobrir que validade têm os resultados, procure pela revista RESEARCHER EU que lhe dedicou um número…

  6. Oh Migas pá, não apanhas a malta com esse truque barato de “cientista”, que os factos são contrarevolucionários e a maltosa já aprendeu isso pá!

    Mas para não fugir à pergunta, o Climate Placeholder Antropogénico será falsificado quando se verificar, repetidamente, em experiências independentes e controladas para factores externos:

    -> que todos os modelos matemáticos da malta digam que não há tal coisa — e que a malta é irrelevante, e que a malta já não precisa de mais dinheiro do contribuinte, e obrigado por todo o peixe.

  7. asCéptico

    Quando o alarmismo deixar de dar dinheiro, a religião verde substituirá o dogma do aquecimento global por outra qualquer verdade científica que lhes dê jeito. Já foram tantas as tretas que os eco religiosos conseguiram impingir, que até já estou curioso por ver qual será a próxima.

  8. Contra-pergunta:

    Agradecia que alguém que ache que a teoria do aquecimento global antropogénico não é suficientemente sólida me indicasse que factos empíricos, se observados, permitiriam achar que a hipotese é suficentemente provável para justificar o estabelecimento de limites às emissões de gases com efeito de estufa.

    [é verdade que esta pergunta não é exactamente simétrica à do MBM, mas pronto…]

  9. 10 – não exactamente (por isso é que a minha pergunta não é simétrica do MBM), já que a maioria dos criticos do “aquecimento global antropogénico” não dizem “o a.g.a. não existe”, mas apenas “não é certo que o a.g.a. existe”, logo a posição deles não é passivel de refutação popperiana (se bem percebo, a teoria de Popper é que é possivel provar que uma teoria está errada, mas não que está certa; logo, alguém que se limite a dizer que “a teoria X não é certa” nunca poderá ser popperniamente desmentido).

    Por outro lado, claro, isso significaria que, de acordo com a epistomologia de Popper, a criticismo do “a.g.a.” será não-cientifico.

  10. Miguel Madeira,

    você tem parcialmente razão. Mas há também muitos proponentes de teorias alternativas ao aquecimento global antropogénico, não se limitando a refutar este último. Algumas dessas teorias têm sido divulgadas aqui neste blogue: teorias que afirmam que a Terra irá arrefecer, que o Sol estará com cada vez menos manchas, que se aproxima mais um ciclo glaciar, etc. A todas essas teorias pode ser colocada a questão popperiana.

  11. Agradecia que algum fiel elemento do consenso sobre o aquecimento global antropogénico me indicasse que factos empíricos, se observados, permitiriam invalidar a sua teoria.

    Exactamente. Ataca-se Popper, outras explicações, usa-se de retórica em vez de razão, enfim. A pergunta só é injusta porque não estamos a falar de uma ciência, mas de algo mais parecido com uma “ciência social” ou religião. De novo, à malta do “consenso” – “the science is settled” – o que tem de acontecer para tudo o que acontece deixe de ser “man-made climate change”?

  12. AA, eu já tentei responder (embora apenas parcialmente, já que não tenho conhecimentos cientificos na área).

    Mas devolvo-lhes a pergunta – o que é que tem que acontecer para se poder considerar o “man-made climate change” como “settled” (claro que é impossível settlar definitivamente qualquer questão cientifica, mas há um grau de probabilidade acima do qual na vida prática tendemos a considerar uma questão como se estivesse “settled” – na altura de decidir quando atravessar a rua, ceio que ninguém toma em consideração a “hipótese da imortalidade quântica”)

  13. Não vejo a relevância da pergunta, especialmente porque parte da questão do Migas prende-se com o ridículo de haver “consenso” sobre uma coisa que ninguém sabe bem o que é – e o absurdo é querer-se que quem protesta contra a arbitrariedade absoluta desta coisada esteja calado se não conseguir provar uma negativa.

  14. “sobre uma coisa que ninguém sabe bem o que é”

    Como é que isso é uma coisa que ninguém sabe bem o que é?

    A teoria do a.g.a. pode estar certa ou errado, mas o seu conteúdo é bem claro:

    “a actividade humana está – tanto por efeito directo, como através de feedbacks positivos – a aumentar a concentração na atmosfera de gases de estufa, e como esses gases absorvem mais o calor solar, isso leva a que esse calor se dissipe menos para o espaço exterior, aumentando assim a temperatura da terra”.

    Como digo, isto pode ser verdade ou não (e, como também disse, não sei – mais por ignorância minha minha do que por defeito da teoria – como se pode provar ou desprovar isso), mas não me parece que seja uma proposição ambígua ou indefinida.

    Diga-se que eu acho que sei onde o Migas e o AA querem chegar – quando numa região especifica há um inverno mais frio que o habitual, surge alguém a dizer que isso desmente o aquecimento global, e outro alguém a dizer que isso é perfeitamente compatível com o aquecimento global.

    Mas isso não torna a teoria intestável – embora o aquecimento global seja compatível com arrefecimentos locais (um exemplo prático: se eu desligar o meu congelador, acho que isso irá originar um aquecimento global na minha cozinha, mas um arrefecimento local na zona do chão que vai ser inundada com água fria), acho NÃO É COMPATÍVEL com arrefecimento global (creio que o único sitio em que alguém disse que o aquecimento global poderia provocar arrefecimento global foi num filme). Logo, o aquecimento global pode ser facilmente refutado – se as temperaturas globais não tiverem uma tendência a subir, ou tiverem mesmo uma tendência a descer, a teoria está refutada.

    Claro que a teoria em causa não é apenas do “aquecimento global”, mas do “aquecimento global antropogénico”, mas atendendo que que estes posts tendem a aparecer com mais intensidade no insurgente quando há vagas de frio, deduzo que é mesmo a parte do “aquecimento” que estã a pôr em causa.

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