A ver se percebo

Desde quando e a que propósito é que qualquer instituição ou pessoa que seja tem que expor as suas deliberações internas, as primeiras impressões, para toda a gente, na internet?
O que se ganha em diluir e misturar o que é público e o que é privado? O princípio de abrir mails e cartas de outras pessoas é bom? Os meios para revelarem algum do mal, tudo justificam? No que é que isso se liga à liberdade de expressão e no que  torna a sociedade?

Uma coisa é certa, a coisa pegou. Viva a concorrência.

8 pensamentos sobre “A ver se percebo

  1. Rui,

    Estás a dar um bom exemplo dessa mistura que referes entre público e privado.

    Mais: estás a misturar pessoas, que são os titulares naturais de direitos e liberdades, com “instituições”.

    O estado não tem direito à privacidade. Não tem direito ao bom nome. Só abusivamente vemos criar figuras bizarras como a “injúria a pessoas colectivas” ou outros preceitos que tais.

    O estado, perante a sua obrigação de ser escrutinado publicamente, ou pelo menos de permitir que os seus mecanismos de escrutínio funcionem, não tem o direito de tomar “deliberações internas”, pelo menos quando estas se envolvam em mecanismos de segredo protegido por via criminal mais ou menos perpétuo.

    Mais do que isso: qualquer empresa privada não goza de qualquer mecanismo de protecção coercivo dos seus segredos.

    Se amanhã a Coca-Cola permitir que venha a público a sua fórmula, que optou por constituir como um “trade secret”, não tem direito a nenhum mecanismo criminal perante terceiros que os impeçam de divulgar e publicitar o seu segredo.

    E é aí que entra a liberdade de expressão. Não é na intercepção ou na fuga de informação, algo de que até agora ninguém acusou o Wikileaks. É na liberdade de divulgar essa informação, mesmo que tenha sido adquirida por terceiros de forma (suponhamos) ilícita.

  2. ruicarmo

    Foi propositada e sem equívocos. Distingo-as, joão. No entanto como nada na realidade é imune a esta febre de trasparência, vamos por as comunicações internas das empresas na net?

  3. “vamos por as comunicações internas das empresas na net”

    Isso é um problema que só diz respeito às empresas. Mas não é assim em relação ao estado. O estado não é uma empresa.

  4. ruicarmo

    Claro que é João e no entanto não conheço nenhuma que o faça.
    Quanto a um estado que o faça, desconheço. Conheces algum, há algum exemplo… mesmo ao longo da História?

  5. Precisamente, a Wikileaks não tem de fazer “declarações de princípios” ou ser “transparente”

    Quanto ao que escreveu o JLP, subscrevo na íntegra – mas supreende-me – no bom sentido -. o “não tem direito a nenhum mecanismo criminal perante terceiros que os impeçam de divulgar e publicitar o seu segredo.” – ou não tivessemos passado já muito tempo a falar de “propriedade intelectual” 🙂

  6. Faz falta é falarmos ainda mais em presença. Não há meio de acertarmos numa AGI… 🙂

    De qualquer modo, sempre tive a opinião que o foro das questões de “propriedade intelectual” deveria ser cível e não criminal.

    De qualquer modo, independentemente disso, mesmo actualmente isso já acontece: os “trade secrets” não são protegidos nem por direito de autor (não são obras) nem por patentes, já que são realidades mutuamente exclusivas. É exactamente o compromisso com a quebra desse segredo que em grande parte justifica o conceito de patente (e que quanto a mim acentua o absurdo das “patentes de software”).

  7. ruicarmo

    Não tem que fazer nem as faz e isso é outra discussão, António. Agenda lá isso.
    A questão que coloquei ao João ou a quem quiser “pegar” é: existe ou existiu algum estado ao longo da história que tenha sido transparente? Nem aquela instituição de grande sucesso que tem cerca de 2000 anos.

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