Salário mínimo e os princípios económicos mais básicos (2)

O Pedro Marques Lopes percorre, aqui, um épico caminho de doze parágrafos onde passeia o fácil discurso da necessidade de atribuir artificialmente um valor mínimo ao trabalho como forma de conferir um suposto nível de dignidade ao salário de cada um. O que salta à vista, no meio de toda aquela “argumentação” já muito conhecida – não andasse a generalidade da esquerda a apregoá-la desde sempre – é uma frase que parece coroar todo o artigo e que, em boa parte, explica o raciocínio a que o Pedro Marques Lopes obedece. Diz ele que “não pode haver desenvolvimento sustentado, nem crescimento económico sem o mínimo de justiça social”. Como, nestas coisas, a ordem dos factores interessa, eu propunha-lhe que não os invertesse. Na verdade, não pode haver um mínimo de justiça social se não existir um desenvolvimento e crescimento económico que a sustentem. O resto é conversa.

Leituras complementares: Salário mínimo e os princípios económicos mais básicos; O salário mínimo visto por alguma “direita”.

7 pensamentos sobre “Salário mínimo e os princípios económicos mais básicos (2)

  1. jo

    Trabalhadores: trabalhem por uma côdea de pão que isso criará um desenvolvimento que será destribuído no futuro. Entretanto eu fico com a maior parte do bolo, mas é para investir.
    Gosto sempre de ouvir o chamamento dos amanhãs que cantam.

  2. Parece-me que a questão é determinar quem é que decide o valor do trabalho. Se são os agentes envolvidos ou se é um burocrata. A fixação de um valor mínimo do trabalho exclui todos os trabalhadores cuja produtividade é inferior a esse valor. Para se ter uma ideia, basta pensar que actualmente é ilegal pagar 445 euros por mês a uma pessoa e deixá-la no desemprego mas é legal atribuir a essa mesma pessoa um rendimento mínimo de 200 euros (fruto do trabalho alheio, leia-se). Para além de outros aspectos, nomeadamente estes:

  3. Luís Pedro Mateus

    “Não pode haver um mínimo de justiça social se não existir um desenvolvimento e crescimento económico que a sustentem.”

    Concordo, mas onde é que o salário mínimo põe em causa o crescimento económico?

    Por outro lado, a nível histórico, o salário mínimo surge precisamente como resposta à grande tensão social existente no pico da revolução industrial. Aliás, é durante esta altura que começam a surgir, para além do salário mínimo, Leis que limitavam as horas de trabalho, etc, etc.

    O salário mínimo surgiu como resposta directa à exploração dos trabalhadores (principalmente mulheres e crianças) nas famosas sweatshops (as fábricas de trabalho árduo e perigoso) dos países industrializados.

    Mais de 90% dos países no mundo atribuem um valor mínimo para o salário, tendo em conta as condições de vida do país.
    Lembro que a China era um dos países que teimava em não ter salário mínimo (ou outras leis laborais), só tendo aderido à ideia em 2004!

  4. lucklucky

    “Concordo, mas onde é que o salário mínimo põe em causa o crescimento económico?”

    Que tal pensar um pouco.
    Quantas empresas se vão criar a menos? Quanto a massa salarial vai aumentar?
    Caso não saiba o salário mínimo chuta todos os ordenados para cima.

    Se essa pergunta tivesse cabimento porque não aumentar para 2000 Euros?

  5. JS

    Nenhum empresário -ou gestor privado- digno desse nome, dedica 1 segundo, das suas preocupações, com isso de “o salário mínimo”. Pelo contrário. A sua preocupação é “o salário máximo”, ou seja, como motivar -também pelo vencimento- esta equipe profissional…. Para os que percebem de futebol: Ouviram alguma vez o Mourinho falar de “salário mínimo”, para campeões de futebol? Se calhar só do máximo, não é?

    “Salário mínimo” é conceito “virtuoso” criado por sindicalistas e nomenklaturas socialistas, que usufruiem de benesses e “salário máximo”. Consciência pesada?

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