Salário mínimo e os princípios económicos mais básicos

Perante coisas destas, nada como recuperar o básico, nas palavras de Hazlitt:

The first thing that happens, for example, when a law is passed that no one shall be paid less than $30 for a forty-hour week is that no one who is not worth $30 a week to an employer will be employed at all. You cannot make a man worth a given amount by making it illegal for anyone to offer him anything less. You merely deprive him of the right to earn the amount that his abilities and situation would permit him to earn, while you deprive the community even of the moderate services that he is capable of rendering. In brief, for a low wage you substitute unemployment. You do harm all around, with no comparable compensation.

Nada mais simples: se os empregos existem é porque alguém, não por caridade ou imperativo de qualquer consciência social, mas para obter lucro, os criou. Logo, a produtividade de um trabalhador, seja ele qual for, tem de resultar em algo mais do que o valor do seu salário. Se o posto de trabalho Y representar um custo X no que diz respeito ao salário, terá que representar uma produtividade de X+1. Se tal não acontecer, aquele posto de trabalho torna-se irremediavelmente inviável e, consequentemente, será extinto.

Ao contrário do que alguns querem fazer supor, o aumento do valor do salário mínimo não conduz a um aumento automático nos salários. Esse aumento conduz, isso sim, à extinção dos postos de trabalho que, entre o valor de partida e o valor resultante desse aumento por decreto, percam viabilidade. Juntando-se, assim, a todos os postos de trabalho abortados à partida por já não cumprirem o limiar mínimo que a lei exige. Os salários podem ser aumentados por decreto mas a produtividade não. Por isso, o salário mínimo causa desemprego. E cada subida do seu valor aumenta-o.

14 pensamentos sobre “Salário mínimo e os princípios económicos mais básicos

  1. jo

    É evidente que se fosse permitido o trabalho escravo existia muito mais gente a trabalhar. Produziriam menos porque o seu trabalho tem um valor muito baixo e não existiriam incentivos para o patrões aumentarem a produtividade do posto de trabalho. Para quê comprar uma máquina que faz o trabalho de 5 homens se os homens trabalham de graça ou quase?
    Lembra-me um país atrasado e à beira mar plantado nos idos de 70.

  2. Comentei em http://albergueespanhol.blogs.sapo.pt/749488.html

    “Eu defendo um aumento forte do salário mínimo até para provocar mais rapidamente o fecho de empresas completamente inviáveis mas que, enquanto não morrem e ao praticarem preços demasiado baixos, impedem outras (com gestão mais saudável) de conquistar mercado. Ao manter o salário mínimo como hoje estamos a adiar o inevitável, sendo que quanto mais se adia mais grave vai ser a situação. “

  3. Adolfo Mesquita Nunes

    jo, o trabalho escravo que descreve não era uma relação laboral porquanto não resultava da conjugação de duas vontades livremente formadas (a do empregador em dar trabalho e a do escravo em escravizar-se). a convocação do trabalho escravo para este debate só serve para criar um homem de palha.

  4. Maria João Marques

    É sempre bom ver que há liberais que sabem, de ciência certa, que empresas devem fechar. Eu diria que o mercado deve decidir que empresas são boas e devem permanecer – porque vendem bens e serviços aos consumidores que estes querem, aos preços que os consumidores consideram valer a pena – e as que devem fechar – porque não agradam aos consumidores. Afinal estou enganada. As empresas devem fechar ou não consoante o nível dos ordenados que pagam. Fantástico.

  5. Maria João Marques

    Pensando bem, as empresas públicas, que a DECO ainda há dias apontava como pagando ordenados excessivos e sendo as mais ineficientes (nada que não soubéssemos antes da DECO dizer) são mesmo as melhores empresas para o país. Pelo contrário, uma micro-empresa que empregue três ou quatro ligeiros deficientes motores, a quem paga o ordenado mínimo (já com sacrifício) e assim lhes permite contribuirem para o seu sustento, uma vez que não encontram outro trabalho mais bem pago, ao mesmo tempo remunera adequadamente o capital que foi investido nessa micro-empresa – essa deve fechar, porque o nível de ordenado é uma vergonha.
    (Pode-se colocar jovens adolescentes sem experiência, jovens adultos sem qualquer qualificação que tiraram o sexto ano de escolaridade por favor dos professores, e mais uns tantos grupos no lugar de ligeiros deficientes motores, que é o mesmo).

  6. Não defendo o fecho de empresas por via administrativa. Digo apenas que deve ser imposto um salário mínimo mais alto. Que se modernizem e paguem melhor, ou que morram. A morte das más empresas (as que só vivem porque pagam maus salários) beneficia o mercado e também, por essa via, a situação do desemprego.

  7. jo

    Não existir salário mínimo em situações de desemprego alto vai levar à degradação dos salários até ao nível do trabalhar para comer. Dizer que alguém escolhe livremente um salário de 200,00 € é forçar um pouco a nota, Só escolhe aquele salário quem não tem alternativa.
    Nesta questão fala-se pouco no outro lado da empresa, o dono. Este tal como o trabalhador, pretende o maior benefício com o mínimo esforço. Se poder melhorar a produtividade baixando os salários nunca correrá o risco de otimizar ou mudar processos de produção. Continuará a baixar salários até ao mínimo possível. Nessa altura terá perdido competividade definitivamente junto de economias que se modernizaram mais cedo. Ao mesmo tempo para escapar à tensão social criada pela situação só terá um remédio: a repressão (modernizar deixará de ser opção pois já está irremediavelmente ultrapassado).

    Esta é a receita aplicada em Portugal durante muitos anos e não trouxe o desenvolvimento esperado.
    Tenho pena de nunca ver as pessoas que dizem que o trabalho é pouco produtivo em Portugal nunca se interrogarem das razões de levam a termos quase só patrões e não termos empresários (explicações daquelas que dizem que é assim porque os portugueses são assim são ridículas).

  8. vaz

    Alguém vir dizer que aumentar o salário mínimo em 25 euros causa desemprego é obsceno. Quem o defende é obsceno e hipócrita.

  9. Carlos Duarte

    Caro TAF,

    Não sou, em príncipio, contra o salário mínimo, pois não me parece justo que alguém possa ser pago por uma “jornada” de trabalho (por “jornada” entenda-se as horas máximas diárias para um emprego a tempo inteiro) um quantia que é manifestamente insuficiente para manter um nível de vida decente. Por outro lado, o aumento constante do salário mínimo resulta exactamente no oposto, pois leva ao fecho de empresas e despedimentos.

    Vc. diz que ainda bem, que as empresas não eram eficientes. Não tem nada a ver com “eficiência”, mas antes com o tipo de bem que está a ser produzido e o valor que o trabalhador individual é capaz de acrescentar a esse mesmo bem. Para bem (ou mal) ainda estamos muito dependentes de sectores de mão-de-obra intensiva. Se essas empresas fecharem, o que acontece aos trabalhadores? Vão todos, por artes mágicas, transformarem-se em trabalhadores de indústria de ponta? Uma costureira com 40 anos, que trabalha há 25 a coser fatos Lagerfeld ou Hugo Boss (são feitos cá, sabia?) que vá para o desemprego vai fazer o quê?

    O salários devem subir, principalmente, como resultado de um aumento geral do valor acrescentado dos produtos, que resulta na procura de mão-de-obra especializada / qualificada (que são coisas diferentes). O salário mínimo deve pura e simplesmente garantir um nível básico de qualidade de vida, abaixo do qual passa a ser responsabilidade do Estado garantir (apenas, e sublinho o apenas, caso não exista emprego disponível para o beneficiário, sendo que a obtenção de algo na linha do rendimento mínimo carece da obrigatoriedade de aceitar um emprego válido que lhe seja oferecido).

  10. Pingback: Salário mínimo e os princípios económicos mais básicos (2) « O Insurgente

  11. Anarca

    @Jo
    Mesmo que isso fosse verdade, não iria criar sustento para quem está desempregado? Desde quando a inexistência de salário mínimo levou à estagnação do desenvolvimento tecnológico e social? Tirar afirmações do bolso não provam nada. A revolução industrial e a fuga para os EUA prova-o errado.

    Engraçado dizer que foi uma receita de uma época nada liberal e tudo corporativista. Tal como a actual.

  12. ricardo saramago

    Este pessoal, que sabe endireitar o mundo administrativamente, infelizmente está a desperdiçar a sua capacidade.
    Deviam tornar-se empresários, armados com a sua visão e o livro das certezas, rapidamente chegariam ao topo e substituiriam os “retrógrados patrões” que não permitem que o país se desenvolva e vivem da exploração dos trabalhadores.
    Aqueles que conheci e tiveram essa coragem,em pouco tempo deixaram-se desta conversa e passaram a ver o mundo de uma forma mais realista.

  13. CN

    “Não existir salário mínimo em situações de desemprego alto vai levar à degradação dos salários até ao nível do trabalhar para comer”

    Se isto fosse minimamente verdade, era preciso explicar porque existe quem pague Salário mínimo + 10 Euros, ou mais 50 Euros, ou …?

    Porque estes empregadores o fazem se a isso não são obrigados?

  14. lucklucky

    É espantoso como a China e o resto do mundo está crescer e enriquecer…

    Isto é só um ataque de narcisismo. Nada mais. É gente que resolveu olhar para baixo e viu um País miserável. Isto apesar de milhões para a educação publica, milhões em subsídios, taxas de juro historicamente muito baixas.

    As consequências disto. Fazer com que mais gente fique sem experiência de trabalho e sem currículo e por exclusão sem poder ser promovido. Ou seja indefinidamente no limbo do RMG.

    Mais uma bolha.

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