Da dignidade da democracia

Há alguma ironia na pompa e circunstância dos encontros entre chefes de estado e governo de democracias. Aqueles que são, nominalmente, “servos do povo” agem como monarcas absolutos ou tiranetes de meia-tigela. Em nome da “dignidade do estado” subverte-se a ideia de igualdade perante a lei e evidencia-se simbolicamente que uns são mais iguais que os outros.

Não deixa de ser também de notar a facilidade bovina com que uma democracia em concreto, a nossa, permite acefalamente e sem nada questionar que se transforme parte importante do seu espaço público num caos. Deslumbramentos.

7 pensamentos sobre “Da dignidade da democracia

  1. “Aqueles que são, nominalmente, “servos do povo” agem como monarcas absolutos”

    Já muita gente fez notar que, em muitos aspetos, nos Estados Unidos o presidente é tratado, basicamente, como se de um rei se tratara. Há toda uma adoração da esposa do presidente, da família do presidente, etc, que são mais próprios de uma família real do que de uma república.

  2. Neste mundo globalizado de domínio quase absoluto do capitalismo selvagem, do capitalismo neoliberal, a Nato vai-se constituindo no seu braço armado, sempre pronta a impor pelas armas a sua vontade a qualquer país, em qualquer parte do mundo, desde que ouse ensaiar caminhos de desenvolvimento diferentes. É que, só a globalização responde aos anseios de uma elite mundial ávida de ganâncias sempre crescentes. O “novo conceito estratégico da NATO”, ao que se diz a cimeira de Lisboa irá definir, responderá seguramente a estes anseios.
    Montaram e manipulam uma comunicação social “globalizada” que controlam a seu favor, pela mentira ou ameaça, sempre que o consideram indispensável. Recorde-se as mentiras com que justificaram a intervenção no Iraque ou o empolamento da ameaça do vírus da gripe A.
    A poderosa indústria militar americana exige que os seus arsenais de armamento, acumulados ano a ano, sejam periodicamente esvaziados. As guerras, com alguma periodicidade nos últimos anos, justificadas em falsos pretextos e a qualquer preço, são uma necessidade intrínseca da poderosíssima industria militar. Depois do Afeganistão surgirão, um a um, a Coreia do Norte, o Irão ou a Venezuela, como potenciais novos conflitos. Mais tarde, e nesta mesma lógica, não será absurdo de todo imaginar uma terceira guerra mundial, tendo por inimigos os amigos de hoje.

  3. Euro2cent

    Lá que ocupem uma avenida de vez em quando, é como o outro.

    Agora, tratarem os cidadãos como gado nos aeroportos – já começa a chatear.

    Ah, mesma coisa para os xuxas que acham que só os do gang, com carro do estado/camara etc. (com motorista, nah), é que pode andar de carro na cidade. Os outros que usem bicicletas, ora toma.

  4. jP Ribeiro

    Até que enfim vejo alguém reclamar contra este insulto à cidadania que é fechar avenidas, vasculhar pessoas e carros, como se fossemos gado, como atrás se disse. Se queriam fazer espectáculo e com toda a segurança que o tivessem feito numa ilha dos Açores, ou noutro local remoto, na Serra da Estrela por exemplo, mas nunca incomodando 700.000 pessoas por causa de 1.000 participantes por muito “importantes” que sejam.

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