Birmânia

Há um par de anos visitei a Birmânia. Durante quase um mês passei por Yangon, Lago Inle, Mandalay, Bagan e Ngapali. Em Yangon e Mandalay vi com os meus olhos crianças menores – algumas com idades inferiores a dez anos – a colocar alcatrão nas estradas, sob um sol abrasador. Apercebi-me que muitas trabalham em fábricas. No Lago Inle tive a possibilidade de constatar que a maioria da população nem sequer sabe que vive sob a alçada de um regime militar, num Estado designado Myanmar: a ignorância é tal que vivem num isolamento quase tribal. A experiência do ponto de vista das liberdades mais básicas é impressionante – e falo só do que vi, nas regiões onde turistas estão autorizados a visitar. Há ainda toda uma Birmânia fechada ao exterior. O que me disseram, localmente, é que nessas regiões se vivem situações de verdadeira escravatura, na extracção de matérias-primas e na produção industrial que está nas mãos de tríades do sul da China.

Que haja quem consiga dizer coisas abjectas do calibre das que se podem ler no Avante, como tão bem refere o Rui Carmo, é esclarecedor. Há ideologias que são de facto anti-democráticas, que não valorizam nem a liberdade individual nem os direitos humanos. O comunismo, na sua essência, é totalitário, e o PCP, tal como o Bloco de Esquerda, por mais que disfarcem, vivem ainda na esperança de nos imporem o seu modelo político, de que devemos desconfiar, tal a simpatia que demonstram por regimes tão miseráveis como os que encontramos na Birmânia.

15 pensamentos sobre “Birmânia

  1. Ginja

    É um escarro de texto, concordo, mas equivalente a outros escarros, entre outras recordo por exemplo uma crónica do Alberto Gonçalves onde este brincava com o contributo para a música das mãos do militar que esmagou as mãos de Victor Jara. O mesmo nojo de escrita, a diferença neste caso é que Alberto Gonçalves é idolatrado aqui no Insurgente, sobretudo pelo André Azevedo Alves, e não me recordo de se indignarem com esses escarros vindos do vosso “lado”.

  2. GriP

    “Em Yangon e Mandalay vi com os meus olhos crianças menores – algumas com idades inferiores a dez anos – a colocar alcatrão nas estradas, sob um sol abrasador. Apercebi-me que muitas trabalham em fábricas. ”

    Não vejo isto possa ser um atentado a liberdade, muitas famílias não tem outra opção se não por os filhos a produzirem quando ainda pequenos de forma a terem algum grau de subsistência.
    Creio que é preferível trabalhar e sobreviver do que morrer a fome, a proibição do trabalho infantil é um atentado luxuoso contra a sobrevivência…

  3. O RAF não devia meter o PCP e o BE no mesmo saco, no que à condenação de regimes como o birmanês diz respeito.

    O BE pode ter muitos defeitos, mas na condenação de regimes ditatoriais tem sido bem mais coerente do que os restantes partidos portugueses, em particular o do RAF.

    Ainda recentemente o BE protestou contra a receção ao presidente chinês, tal como já protestara contra o angolano, etc.

    O PSD não se pode gabar de ter feito o mesmo.

  4. AA

    Realmente, o BE não partilha da ladaínha do anti-imperialismo do PCP, quando se trata da Coreia do Norte, China, etc.. isto para não dizer que na China existem também crianças de 10 anos e vocês se queixam muito disso, porque a China é um amanhã que canta para quem defende o mercado livre.

  5. AA

    Às vezes penso que o PCP, a Coreia do Norte e a Birmânia são tudo invenções da CIA para que aceitemos o falhanço do capitalismo como um mal menor.

  6. Caro Lavoura,
    Uma coisa é que os Estados devem ter relações económicas e comerciais uns com os outros, e eventualmente respeitar um dever de não ingerência em assuntos internos. Cabe depois à sociedade civil ser crítica de algumas situações menos claras, e o mundo patrocina-nos imensas situações que merecem a nossa firmeza.
    Outra coisa é insultar uma mulher que é um símbolo da liberdade e da resistência contra um regime abjecto, uma ditadura militar que nem sequer se pode dizer que seja socialista, é mesmo apenas e só cleptocrática e opressiva contra a população. O que se lê no Avante é repugnante, não apenas por branquear a Junta Militar de Myanmar, mas porque ironiza com uma resistente que nos últimos 21 anos viveu 15 em reclusão, e que nem sequer pôde assistir à morte do marido, em Londres, por saber que se saísse da Birmânia, dificilmente a deixariam voltar a entrar.
    Dificilmente encontrará no CDS, PSD ou PS alguém a fazer humor negro com mártires da liberdade.

  7. A. R

    A Birmânia é obviamente uma ditadura abjecta que vive da produção de droga e da escravatura do Povo. A esquerda de uma forma geral escraviza muitos para fazer poucos ricos: os da Nomenklatura e os generais chave. Cuba também faz escravatura: os médicos em Venezuela recebem um salário cerca de 50 vezes inferior aquele com que o Estado cubano espolia a Venezuela. Os jovens cubanos mercenários que deixaram o couro em Angola foram ganhar dinheiro para a cleptocracia cubana.

    De resto o movimento das pessoas pelo Mundo, que procuram pão, trabalho e segurança, nunca se fez para países comunistas- antes pelo contrário como vemos quando olhamos à nossa volta. Consultado o índice de transparência internacional o resultado é claro: todos os regimes de esquerda ou que o tiveram estão abaixo do 2.5 (numa escala de 10). O resto é paleio de papagaio a quem ensinaram umas coisas quando eram pequenitos e nunca tiveram a inteligência para rever vivendo numa espécie de gheto psicológico irreversível. Mal o deles!

  8. nem sequer se pode dizer que seja socialista, é mesmo apenas e só cleptocrática e opressiva contra a população

    Ou seja, é socialista apesar de não se poder dizer que seja 🙂

  9. Ana Dias

    Realmente há ditaduras e totalitarismo por esse mundo fora… Mas Franco e Pinochet não eram bem, bem ditadores… E se, sublinho o se, de facto oprimiram alguém foi bastante menos que os comedores de criancinhas…

  10. A.R. – Consultado o índice de transparência internacional o resultado é claro: todos os regimes de esquerda ou que o tiveram estão abaixo do 2.5 (numa escala de 10).

    Eu não sei bem o que quer dizer com “regimes de esquerda” (imagino que se refira a regimes autoritários de esquerda, nomeadamente comunistas). De qualquer forma, Cuba tem nesse índice 3.7, a China 3.5 e o Vietname 2.7.

    http://www.transparency.org/policy_research/surveys_indices/cpi/2010/results

  11. Paulo Cardoso

    Foi um autêntico exercício de ignorância colocar o BE a defender a ditadura da Birmânia. Quanto a impor um modelo político é falta de bom senso, o BE luta pela democracia e nunca quis impor nada. Gostava de saber a sua opinião em relação às políticas que a UE impõe aos estados ultrapassando até os referendos populares. A isso eu chamo – impor. PS, PSD e CDS alinham nesta imposição.
    Raramente comento algo que é desprovido de conhecimento, mas a minha paciência também tem limites.

    Paulo Cardoso

  12. Caro Paulo Cardoso,
    Ainda ontem o BE mostrou a sua adesão aos princípios democráticos, ao não querer tomar a liderança de uma manifestação anti-nato por esta ter excluído os grupos mais radicais do tipo trotskista, que são apologistas de acções de intervenção violenta para chamar a atenção dos media. Tão pouco se pode considerar de raíz democrática um partido que recebeu com entusiasmo o filósofo Toni Negri das duas vezes que visitou Portugal, conhecidos que são os seus métodos de afirmação de uma ditadura do proletariado, e a forma como a ela se chega.
    Mas claro, tal deve-se certamente à minha ignorância, e não certamente à sua falta de paciência para ir ás raízes ideológicas que servem de base à força política com que simpatiza.
    Ab.
    RAF

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