Na mouche

O Conselho Português para a Paz e Cooperação é um satélite do PCP que se dedica ao combate dos inimigos ideológicos do partido: os Estados Unidos, Israel e a NATO. Como a palavra combate soa deveras mal, nada melhor do que travestir o CPPC de pacifista. Ajuda a passar melhor a mensagem da bondade comunista, associando-a a uma causa simpática – a paz – ao mesmo tempo que combate o imperialismo e o capitalismo. É um clássico entre os comunistas: disfarçar as suas reais características e propósitos com palavras simpáticas, como paz, democracia e liberdade.

No caso do CPPC o disfarce salta à vista. Basta ir ao seu site para se perceber de imediato a sua real agenda. Todos os conflitos, onde estejam os Estados Unidos ou Israel, são alvo das atenções desta organização. Assim, guerras como a do Iraque, da Jugoslávia e da Palestina, são guerras más,  provocadas pela hedionda aliança nazi-fascista-sionista-capitalista. Já as ameaças vindas do Irão ou da Coreia do Norte, ou são disfarçadas de resposta a uma agressão imperialista, ou são simplesmente ignoradas. Curiosa é também a posição sobre a Guerra de 2008 na Georgia, onde todas as farpas vão para o pérfidoregime georgiano, e nem uma linha para o real agressor – a Rússia.
No meio de todo este cinismo, ainda vai havendo tempo para declarações de solidariedade para com Cuba e para a divulgação das deliberações da Assembleia Mundial da Paz, reunida na Venezuela. Dois países  por sinal governados por militares, mas que não parecem incomodar os que no Sábado vão desfilar pelas ruas de Lisboa a clamar por paz.
David Levy, no Lisboa- Tel Aviv.

20 pensamentos sobre “Na mouche

  1. Dervich

    É curioso vir aqui falar de cinismo e dizer que, na guerra da Georgia, o real agressor foi a Rússia…

    Pode ter sido sim o mais violento dos beligerantes, agora o real agressor foi a Geórgia: Foram eles que ocuparam ilegitimamente um território que não lhes pertencia, levados pela vaidade do palhaço do Saakashvili que pensava que tinha as costas quentes pelo apoio do amigo Bush contra a Rússia…e o resultado foi o que se viu, se não fosse pelos civis que morreram, é caso para dizer que só tiveram o que andaram à procura…

    Quanto ao mais, a guerra do Iraque é, de facto, uma guerra má (ainda há dúvidas?), a guerra da Jugoslávia foi questionável e a guerra da Palestina é uma tristeza para toda a gente.

  2. ruicarmo

    Questão importante é saber o que pode e faz o que resta do império czarista e comunista com quem brinca no seu quintal. Se a guerra foi na Geórgia, o agressor foi a Rússia.

    Não entendo é a classificação de guerra má. É por nelas estar envolvida a “aliança” “nazi-fascista-sionista-capitalista”?

  3. lucklucky

    “ainda há dúvidas?”

    Eu não tenho dúvidas foi numa guerra boa. As guerras contra a ditadura Portuguesa foram más ou boas?

  4. Dervich

    “Se a guerra foi na Geórgia, o agressor foi a Rússia.”

    São pontos de vista, a meu ver um agressor é aquele que primeiro invade ou inicia um guerra. Encontrando-se essa guerra declarada, não faz muito sentido estar a contabilizar quem era o agressor no momento em que acabou (Em que momento é qua os aliados na 2ª guerra passaram de agredidos a agressores?!)

    Podemos admitir que todas as guerras são “lamentáveis”, mas algumas serão mesmo “más”, no sentido em que:

    – Não se justificam;
    – Não defendem, em território próprio, principios de justiça, liberdade ou soberania ou não têm mandado da ONU para o fazer em seu nome;
    – Causam mais danos do que aqueles que era suposto evitar.

    Foi tudo isto que se passou no Iraque.

    “Questão importante é saber o que pode e faz o que resta do império czarista e comunista com quem brinca no seu quintal”

    Concordo, era exactamente isso aquilo que o Bush pretendia saber e o Saakashvili não se importou de brincar com a vida de milhares de inocentes para lhe fazer a vontade…
    e isso é que foi verdadeiramente triste.

  5. ruicarmo

    “(Em que momento é qua os aliados na 2ª guerra passaram de agredidos a agressores?!”

    Em tantos. Mas não será por isso que foi preferível a sua vitória.

    “Não defendem, em território próprio, principios de justiça, liberdade ou soberania ou não têm mandado da ONU para o fazer em seu nome”
    Isso deve dar para um ou mais tratados, em vários tomos. Relembro que no caso da sérvia, do iraque e afeganistão existiram diferentes “mandatos” da onu.

    O agressor na guerra da Geórgia foi o exército russo e não outro qualquer, por mais que lhe custe.

  6. A Geórgia invadiu um território que se havia proclamado independente da Geórgia ainda a Geórgia não se havia proclamado independente da URSS. A mim parece-me que a Geórgia é o agressor (tal como seria a Sérvia se esta agora entrasse Kosovo adentro).

  7. ruicarmo

    Ah. Então a Rússia entra numa guerra com que não tinha nada a ver, é isso? Ou seja a Geórgia é a agressora porque invade um país independente. Depois aparece do kremlin a Rússia que invade a Geórgia que não atacou a Rússia, é isso?
    Erradamente julguei que o Putin fosse a nova “besta negra” da esquerda que ensaia manif’s convocadas de forma espontânea por sms…

  8. Rui,

    “Ou seja a Geórgia é a agressora porque invade um país independente. Depois aparece do kremlin a Rússia que invade a Geórgia que não atacou a Rússia, é isso?”

    A Ossétia do Sul tem o direito a ter as suas alianças, nomeadamente no que toca à sua defesa. Existindo uma invasão (que é outra discussão, mas partindo desse pressuposto) a Ossétia tem todo o direito de invocar os seus aliados para se defender e até para retaliar.

    Afinal, é a própria NATO que tem uma provisão nos estatutos que obriga à defesa solidária de um seu membro que seja agredido pelos demais. Esteve até na altura em cima da mesa uma ameaça da NATO de aceitar rapidamente como membro a Geórgia para que esta pudesse eventualmente beneficiar dessa provisão.

    Afinal, se como diz o Miguel Madeira, o Kosovo fosse invadido pela Sérvia também dirias o mesmo se a NATO decidisse atacar a Sérvia (diga-se até que seria algo de particularmente inaudito… 🙂 )?

  9. ruicarmo

    Tal como a Geórgia, tem os direitos de ter as alianças que entender. Por curiosidade e desconhecimento, essa Ossétia do Sul não é “semelhante” ao “Chipre Turco”? De qualquer modo, por mais voltas que as alianças possam fazer dar, foi o exército russo que entrou Geórgia “adentro” e que ganhou a guerra.

    Quanto às asneiras que a NATO e o Clinton fizeram, não “respondo” de forma alguma por elas. Mesmo assim, tiveram o aval da onu, para grande satisfação dos anti-imperialistas do costume. 🙂

  10. Isso é a outra discussão, sobre se houve ou não invasão – associado a discutir se a Ossétia do Sul era ou não independente -, que eu salvaguardei no meu comentário. Não foi por aí que eu fui.

    Lembro-te que o Sérvia poderia colocar as mesmas aspas que colocas em torno de “Ossétia do Sul” à volta do “Kosovo”.

    Estás a saltar uma etapa dizendo que “foi o exército russo que entrou Geórgia ‘adentro'”. Esse acto pode ser perfeitamente legítimo. A tua reivindicação, em última instância, acaba por ser mais sobre o estatuto da Ossétia do Sul (os ossetas do sul dirão da mesma maneira que o exército georgiano entrou Ossétia do Sul “adentro”) do que sobre natureza da acção russa.

  11. Penso que há uma diferença entre a Ossétia do Sul e o Chipre turco – a independência do segundo foi proclamada depois da invasão turca de Chipre, enquanto a Ossétia do Sul proclamou a independência uns 20 anos antes da guerra.

    Mas, de resto, eu também consideraria, neste momento, uma agressão se o Chipre grego invadisse o Chipre turco (aliás, este exemplo ainda é mais parecido com o exemplo do Kosovo que o outro ).

  12. ruicarmo

    “Lembro-te que o Sérvia poderia colocar as mesmas aspas que colocas em torno de “Ossétia do Sul” à volta do “Kosovo”.”

    Podia e colocou-as, em todos os sentidos possíveis.
    Nenhum desses assuntos laterais diminui, a meu ver, o que o David Levy escreveu e eu subscrevo.

  13. A. R

    O Rui Carmo não tem “andado a Leste”. Não acompanhou as diligências plenas de PAZ SIM, GUERRA NÃo que a Rússia tem levado a cabo na Chéchénia? Não viu uma cidade florida, asseada com pombas e ramos de oliveira por todo o lado? Não acompanhou o PAZ SIM, GUERRA não da missão de paz do Kremlin pelo Afeganistão adentro?

  14. ruicarmo

    Quanto a semelhanças, encontro uma: tanto no caso do “Chipre turco” como no caso da ossétia do sul, só os impérios regionais e verdadeiros promotores é que os reconhecem como estados. Mas posso estar a ver mal.

  15. ruicarmo

    Não existo, sou parte de uma terrível conspiração para denegrir ou publicitar o Gualter transgénico, já não me recordo bem.
    De qualquer modo, que existência é que neguei?

  16. Dervich

    “O agressor na guerra da Geórgia foi o exército russo e não outro qualquer, por mais que lhe custe.”

    O mal deste tipo de discussão/conversa é cada um de nós assumir à partida que o interlocutor tem uma posição pré-definida.
    Assim, e ao contrário do que possa pensar, não me custa nada admitir o que sugere.
    Vamos então admitir (não obstante o referendo de Nov. de 2006) que a Ossétia é parte integrante da Geórgia e que a invasão desta última foi legítima.
    Torna-se então fácil admitir que a invasão do Kosovo pela Sérvia também foi legítima e que os bombardeamentos da NATO sobre Belgrado também foram uma “agressão”…

    E sabes A.R.,

    Enquanto os terroristas que estoiram edíficios e autocarros em Nova Yorque e Londres são maus, os terroristas que matam na escola de Beslan ou num teatro em Moscovo, em defesa da sua Tchetchenia, talvez não sejam também assim muito bonzinhos…

    E os talibans fanáticos que a NATO combate no Afeganistão talvez não sejam muito diferentes daqueles que os Russos enfrentaram nos 10 anos em que lá estiveram, de tal forma que, na semana passada, a NATO pediu-lhes para lá voltar!
    http://www.publico.pt/Mundo/nato-quer-que-a-russia-regresse-ao-teatro-de-guerra-no-afeganistao_1463033

    As voltas que isto dá!

    Portanto, eu não ideias pré-concebidas sobre nada, mas chateia-me alguém titular um texto “Na mouche” quando é dúvidoso que acerte sequer no alvo…

  17. ruicarmo

    A guerra, seja ela qual for, “inicia-se” com uma agressão. Do ponto de vista da Sérvia, o Kosovo era parte integrante de si própria. A onu, a nato e a administração Clinton decidiram, através de uma guerra colocar um “ponto final” na história, alterando o rumo dos acontecimentos.
    Sobre terrorismo, tenho publicado alguns post’s sobre o tema.
    Apesar da discordância, mantenho o conteúdo do post do David Levy e o título, da minha responsabilidade.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.