Falar é tão fácil…

Meus caros,

Vamos admitir, para vosso gozo, que as condições de trabalho desta gente são más. Escolham um daqueles trabalhadores e perguntem-lhe se ele as desconhecia quando foi trabalhar para ali. Perguntem-lhe se ele lá está contrariado ou obrigado. Perguntem-lhe se ele prefere estar a ganhar pouco ou a ganhar absolutamente nada. Depois digam-lhes que ele está a ser “explorado”. Que deve reclamar a elevação das suas condições de trabalho a um nível semelhante a um paraíso na terra junto de quem por lá manda.

Depois de o patrão o mandar embora e colocar no seu lugar quem esteja motivado a trabalhar por aquele valor, preparem-se. Pode ser que, nesse momento, esse recém desempregado vos exija a criação de um novo posto de trabalho – com “direitos”, pois claro – já que, ouvindo os vossos tão legítimos e fundamentados protestos, isso até é coisa fácil. Aguentam-se?

12 pensamentos sobre “Falar é tão fácil…

  1. psb

    Um argumento fraquinho.
    Pergunta a um escravo se prefere que seja libertado e que tenha que procurar comida e abrigo.
    E vais ficar surpreendido com a quantidade de escravos que preferem que se seja o Senhor a tomar conta deles.

  2. Miguel

    Não vi as grilhetas. Estes esclavagistas andam a ficar muito frouxos. Assim os escravos conseguem fugir na primeira oportunidade.

    “Pergunta a um escravo se prefere que seja libertado e que tenha que procurar comida e abrigo.E vais ficar surpreendido com a quantidade de escravos que preferem que se seja o Senhor a tomar conta deles”

    Pensava eu que o Homem aspirava naturalmente à liberdade. (Lá se vai mais uma bandeira da esquerda) Mas então, se estão ali voluntariamente não são escravos. É essa a conclusão não é?

  3. psb

    Não, a conclusão é que “liberdade” não serve para nada se não tiver uma sopinha ao fim do dia.
    Por isso o escravo,embora anseie, tem medo da liberdade.

  4. inTheLimbo

    Vai passear psb. Eu tb tenho de trabalhar para ter abrigo e sopinha ao fim do dia.
    Isso faz de mim escravo e’? Ou queres que eu va “lutar” contigo para que alguem trabalhe e nos “de” o abrigo e sopinha?
    Isto ha’ com cada um…

  5. psb

    Ó inTheLimbo podemos ir passear juntos.
    Pois és um escravo, exactamente.Se no fim do dia só tens dinheiro para uma sopinha e o resto vai para um banco para pagar o teu abrigozinho .És um escravo dos bancos.
    É claro que esta manifestação é ridicula, porque a situação deste trabalhadores não é diferente (em termos filosóficos) de 90 por cento dos portugueses.
    Será que 90 por cento da sociedade portuguesa não pode mudar esta situação? Pode, mas não é com espirito actual dos portugueses que cada um só pensa em salvar o seu cuzinho .

  6. Mas há quem lado-a-lado com precários, tenha direitos adquiridos que incluem “condições de trabalho a um nível semelhante a um paraíso na terra”.
    E é aqui que o sitema se torna completamente pervertido; no mesmo espaço laboral há aqueles que pode faltar, que podem estar de baixa, que têm carreia defenida por lei, que terão uma reforma próxima do ordenado actual lado-a-lado com quem não tem direito a nada disso e muitas vezes têm que cobrir a preguiça dos primeiros. Isso sem falar daqueles que apesar de todo o esforço não conseguem arranjar trabalho porque não têm os amigos correctos.
    Actualmente e com a cegueira dos “direitos adquiridos” está-se a dinamitar pouco a pouco todo o tecido social português… infelizmente para todos isto irá inevitávelmente correr mal

  7. inTheLimbo

    Psb, podes por o pessoal todo a refilar o que quiseres. A situacao so muda havendo mais riqueza, porque ela nao cai do ceu. O pessoal tem de TRABALHAR. ponto. Nao gostam? paciencia, a vida e’ assim.
    E se sou escravo de alguem, ‘e do estado, que me cobra taxas e impostos para tudo. O estado ‘e que ‘e o opressor.
    Nao sou escravo do meu “patrao”, nem do banco, porque os contratos que tenho com eles foram feitos da minha livre vontade, e assumo as responsabilidades… Ate’ ao dia em que o estado tudo me roube para patrocinar os direitos adquiridos dos PORCOS da quinta!
    E sim, vai passear – sem mim que eu tenho mais que fazer: trabalhar.

  8. psb

    Fazes mal, devias ir apanhar um pouco de ar para arejar as ideias.
    Os bancos podem tirar-te o dinheiro mas o estado não,sim senhor.
    Uns é roubo outros é responsabilidade (eu diria escravidão, mas cada um tem as suas ideias).
    E dizes que és livres,pois.

    PS:Se és tão livre porque não cancelas os contratos que tens(ou nao,nao me diz respeito)com os bancos.

  9. Scott Lipton

    Nao es escravo nenhum se estas a tomar a escolha de viver com as supostas “horriveis condicoes” de trabalho ou contratos em troca para ter a sopinha na mesa. Exactamente por teres a escolha de ir a tua vida eh liberdade no seu apogeu. Escravidao existe quando uma oportunidade melhor aparecer ao horizonte para uma sopa e um pao em vez de so uma sopa, e nao a poderes tomar porque o teu opressor tem a sua arma a tua cabeca.

    A liberdade serve para muito. E se estas na situacao onde a sopa ao fim do dia e o teu maior objectivo e bom que se de gracas a deus que haja alguem que te empregue apesar das condicoes onde te encontras.

    O contrato e exactamente a tua escolha voluntaria de cancelar futuras liberdades tuas. Tiveste a liberdade de assinar o contrato, agora ha que conter com as regulacoes que nele contem. Pelo menos na actual sociedade em que vivemos.

    Mas em termos de seres sarcastico na nocao que somos livres concordo contigo. A nossa liberdade e muito constrangida pelo o Estado e as suas politicas. Os bancos sao o bebe querido do Estado, dai a confusao que e os bancos onde a raiz de oppressao situa.

  10. Ana Dias

    Sempre desconfiei muito de quem manda os outros trabalhar… Quantos destes copinhos de leite tiveram algum dia um salário de fome? Adoram o desespero daqueles que ainda não querem roubar… Pagaremos todos por esta cegueira.

  11. Luís Pedro Mateus

    Não me parece que o argumento deva assentar numa base de “se ele prefere estar a ganhar pouco ou a ganhar absolutamente nada”, porque aí, parece-nos óbvio que qualquer pessoa preferirá ganhar alguma coisa em alternativa a nada.

    A questão é se a equação de salário versus condições de trabalho é uma equação equilibrada e justa. A precariedade neste tipo de emprego, pouco especializado e com 3 pessoas disponíveis para ocupar o lugar de qualquer 1 que saia, é uma constatação difícil de resolver. É um trabalho, não um emprego. Penso que pouca gente tenha horizontes de fazer carreira em apoio técnico via telefone.

    No entanto, apesar de este tipo de manifestações me causarem alguma repulsa, tenho de reconhecer que existe no mundo do trabalho um crescente descontentamento com situações, não digo que seja o caso desta em particular, de prepotência total por parte do empregador em relação ao empregado.

    O facto de haver 3 cães para o mesmo osso, caso um não esteja contente com o osso dado, não pode servir de justificação para uma quebra de ética no trabalho e exploração do trabalhador. Lá está, como em tudo, deve prevalecer o bom senso.

  12. Pingback: O Bloco de Esquerda é isto « O Insurgente

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