Carta Branca

Nunca me convenceu essa teoria de que um mau Orçamento é sempre preferível a Orçamento nenhum. Mas mesmo que lhe visse méritos, e não vejo, sempre disse que essa não era a verdadeira opção que tínhamos em cima da mesa: “o desafio que nos espera não é a escolha entre um péssimo Orçamento ou Orçamento nenhum. É a escolha entre permitir que estes irresponsáveis continuem a executar Orçamentos, sejam eles quais forem, ou travar este desvario despesista enquanto é tempo“. 

De facto, o problema do nosso Governo socialista, assim como dos governos socialistas em geral, nunca está no papel. No papel, aliás, é que o socialismo faz todo o sentido, enfeitado que está com a realidade a mudar ao ritmo dos decretos. O problema do nosso Governo socialista está, sempre esteve, na concreta execução orçamental das suas políticas. É por isso que não espanta que os mercados continuem a olhar para este país com o mesmo receio que olhavam na semana passada.

Sejamos sinceros, se nenhum de nós acredita que os incapazes socialistas que nos governam vão ser capazes de lidar com os desafios do futuro, por que razão haveriam os mercados de acreditar em tal capacidade apenas porque foi aprovado um papel?

A viabilização do Orçamento não foi, por isso, um favor feito ao interesse nacional, como os mercados o demonstram. Foi uma carta branca conferida a um Governo que gasta muito e gasta mal para que continue a fingir que executa ou que sabe conter-se nas despesas. Aliás, as recentes declarações de José Sócrates sobre o TGV estão aí para evidenciar até onde vai o autismo do Governo e até onde está José Sócrates disposto a levar a sua iliteracia económica.

4 pensamentos sobre “Carta Branca

  1. “como os mercados o demonstram”

    Os mercados não demonstram necessariamente isso.

    Os juros da dívida irlandesa explodiram ao mesmo tempo que os da portuguesa.

    Essa evolução não foi devida a nada que se tivesse passado na Irlanda, nem em Portugal, mas sim à alocução da sra Merkel, que afirmou que os investidores jamais escapariam a perder parte do seu dinheiro caso esses países se mostrem incapazes de pagar.

  2. Adolfo Mesquita Nunes

    Eu não sei o que é que os mercados demonstram, como aliás claramente se percebe da frase, que está em negativa. O que posso é tentar saber o que é que não demonstram. E não demonstram qualquer efeito positivo da aprovação no OE. Ou o Luís Lavoura vai dizer que sim e que isto de os juros baterem máximos históricos tem que ver com o aquecimento global e que o interesse nacional foi devidamente assegurado?

  3. ricardo saramago

    Não vão atràs das agendas comunicacionais dos partidos e dos jornalistas.
    Os mercados não querem saber dos jornais e das televisões.
    Os investidores já riscaram Portugal, Irlanda e Grécia do mapa.
    Só estão ainda no mercado da dívida destes países os tubarões atraídos pelo cheiro a sangue.
    O “bailout” de Portugal é um dado adquirido e só não vê esta realidade o governo e a classe político-mediática.
    A realidade é que temos uma dívida que não podemos pagar, um sistema político paralizado e uma classe política esquizofrénica.
    A factura a pagar pelo povo português (mais que merecida) vai começar a ser servida em 2011 e seguintes.

  4. lucklucky

    Vamos fazer um exercício de “Lógica” Social Democrata da “Política de Verdade”:

    -Para conseguirmos enganar os financiadores votamos um Mau orçamento que vai tornar as coisas piores. Assim teremos um futuro de sucesso.

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