Dietas e parvoíces

Os bolsos das pessoas andam em dieta há muito tempo. Uma dieta feita à custa de uma bulimia forçada em que uma boa parte do que entra é vomitada de imediato para o prato de um estado social guloso que tudo come. E engorda. Uma gordura que pessoas como o Daniel Oliveira, que vêm no estado social uma entidade divina e, como tal, dogmaticamente inquestionável, têm tendência a confundir com formosura, que aumenta de forma directamente proporcional a cada grama de gordura acrescentada ao corpo estatal.

Por isso não admira que o Daniel Oliveira acredite na tese iluminada de que as pessoas sem um estado gordo seriam reduzidas a pó. E ai de quem acredite no contrário. É parvo, de certeza! É por isso que só pode ser coisa de parvos pensar que os contribuintes não deveriam sustentar alarvemente um estado que lhes dá em troca serviços de educação de qualidade duvidosa, com mais preocupação com a democraticidade falaciosa da igualdade de oportunidades do que em garantir competências e qualificações de excelência; ou, mais parvo ainda, seria imaginar que cada um de nós não contribuiria à grande para um sistema de saúde atrofiado baseado em falsas ideias de universalidade e gratuitidade; parvo daquele que ouse questionar a contribuição para esta justiça que se nega constantemente e que nos atira para a poça lamacenta da falta de credibilidade internacional, sem questionar se o seu dinheiro está a ser bem gasto; parvoíce suprema a de recusar uma economia construída sob a incompetência de quem goza com quem trabalha e com quem toma a iniciativa de investir e tentar ser produtivo, preocupando-se mais com linhas de TGV, aeroportos, rotundas e outras infraestruturas de primeira necessidade; cúmulo da parvoíce, o de quem se indigna por sustentar com o suor do seu trabalho uma máquina onde abundam os lugares criados para satisfazer as diversas necessidades coorporativas que nascem dentro da órbita do estado e que dão saída aos compadrios e aos favores, esses compromissos que a classe política frequentemente cumpre tão bem, não tivesse toda a regra uma excepção.

Enfim, parvos de nós se ousarmos questionar o actual estado de coisas, deste monstro em constante banquete que engordaram para gáudio do Daniel. Porque fazê-lo, por vezes, é mesmo um sinal de parvoíce. Principalmente quando leva a que este tipo de pessoas nos tentem morder com a superioridade moral tão típica lá para o sítio de onde vêm.

5 pensamentos sobre “Dietas e parvoíces

  1. Isto do D.O. só se for para rir:

    “Agora, que vai haver cortes a sério, é que vamos tirar a prova dos nove. Veremos se o sector privado vai finalmente gastar qualquer coisa que se veja em investigação e desenvolvimento quando não tiver as universidades públicas para fazer esse trabalho. Quero ver se as empresas começam a usar a lei do mecenato à cultura porque isso lhes dá prestígio.

    (…)

    Agora sim, vamos poder ver as maravilhas do Estado mínimo que nos andam a vender há anos.

    Para chegar a um Estado mínimo, além de corte na Despesa, é absolutamente necessário reduzir a carga fiscal.

  2. Dervich

    Parvoíce é não distinguir entre o estado e os que engordam à conta do estado, ou seja, nas parcerias publico-privadas estabelecidas através de contratos ruinosos, na injecção de milhares de milhões em bancos falidos por gestão criminosa, na absoluta desregulação em sectores de mercado que funcionam em oligopólio e sem concorrência real, na total ineficácia (intencional) das entidades reguladoras, nas corrupções em sucatas, em licenciamentos, em submarinos, em tudo o que é contrato público, etc, etc…

    E acima de tudo, parvoíce é não perceber que, por imposição externa, e como diz o D.Oliveira, essa era está a acabar:

    Vai haver uma correcção violenta dos disparates que se fizeram, pelo menos, desde o 2º governo de Cavaco Silva e, no fim, muita gente (dentro e fora do estado) vai sofrer e vai pedir, não um estado gordo como agora, mas um estado mais “forte e musculado”, como já exitiram outros no passado…
    …e aí acreditem que, durante muitos anos, ninguém se vai queixar…

    Dervich

  3. ricardo saramago

    Acho graça que continuem a fazer questão de associar Cavaco e os seus governos à bancarrota do país.
    Como podem verificar se se derem ao trabalho de o fazer, o desequilíbrio externo permanente e a escalada do endividamento externo começaram em 1996.
    Cavaco será responsável por muita inacção e condescendência com Sócrates, mas ir buscar aos seus governos a responsabilidade pelo estado do país é desonestidade.

  4. Os problemas de que fala não poderão ser atribuídos directamente ao Estado mas à falta de qualidade de quem o gere. Esse será sempre o argumento afiado de esquerdistas esclarecidos. Aquilo que é realmente consequência da grandeza do Estado (que o Daniel Oliveira defende) é a obrigatoriedade de manter funcionários públicos (a constituição impede o despedimento) em funções desnecessárias. Lisboa tem 100 mil funcionários públicos e 70% da despesa do Estado é gasta em Salários. Isto representa muito mais valor do que todas as auto-estradas vazias, TGVs, aeroportos e PPPs juntas…E é agora e já defendido pela esquerda de forma exuberante e cega. É esta a crítica à esquerda, como as há à direita também.

  5. Vasco

    Só agora percebeu que esse tipo faz parte do grupo que sofre daquela doença infecto-contagiosa denominada por diarreia mental, vulgo comunismo (este ainda por cima moderno)?
    É um problema sério, em muitos casos gerado, na infância, por choques eléctricos do KGB. Em outros casos, igualmente graves, parece que os pacientes deixam de peidar, subindo-lhes o gás à cabeça fazendo com que só saiam ideias de merda.
    Cuidado, muito cuidado…

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.