A ler II

Obrigado, Fernanda, por Carlos do Carmo Carapinha.

(…)- Betadine. Em 1858, o Sr. Ludwig Claus, fundador da Clauspharma, mais tarde renomeada Mundipharma AG, deu a conhecer ao mundo aquele que viria a ser, várias décadas depois, o mais difundido dos antissépticos (e bactericida e antimicótico). Sabe-se agora que a sua cor – castanho escuro ligeiramente avermelhado – terá tido origem numa particular circunstância: o affair clandestino (passe a redundância) que o Sr. Ludwig teve com uma criada mulata (que explorou até à exaustão). Para disfarçar as sevícias infligidas no corpo da pobre rapariga, o Sr. Ludwig terá chegado a uma fórmula cuja cor, quando aplicada na pele da vítima, se tornava imperceptível. O que o Sr. Ludwig não previu, foi o imenso êxito deste produto que, por força da sua eficácia, veio a ser adoptado por todo o mundo. Ora, como é agora mais do que óbvio, a sua aplicação na pele do homem branco ou amarelo constitui um desrespeito intolerável. Alerta-se, pois, a UE e a Mundipharma AG, com sede em Basileia, para esta discriminação que, como todas as discriminações, atenta contra a dignidade humana.

Sutura. Diz-nos a Wikipedia que o material usado nos pontos cirúrgicos deve ser forte, não tóxico, hipoalergénico e flexível. O que falta dizer? Obviamente isto: a cor da sutura deve estar adequada à cor da pele. Sei do que falo. Há uns anos atrás, sujeite-me a intervenção cirúrgica por causa de uma unha encravada (coisa que fez as delícias do hipocondríaco que me habita, após anos e anos de queixumes). O hálux levou cerca de dez pontos cirúrgicos. A cor da linha: castanha escura. Hoje sei por que razão fui acometido, no pós-operatório, de depressão profunda: a diferença entre a cor da sutura e a cor da pele (entre o rosa pálido e o verde enfermo) deu origem à persistência de uma imagem impregnada de contraste, que ainda hoje me persegue. Estou, aliás, em crer, que boa parte dos problemas do foro psicológico que se abatem sobre doentes suturados, passa invariavelmente por esta forma de discriminação. Pede-se à Ordem dos Médicos e à OMS que se tomem medidas urgentes.

Pensos higiénicos. Por razões de decoro, refiro apenas a questão clamorosa do contraste. A rever a.s.a.p.. (…)

Do outro lado

Acabei de ver numa televisão tunisina um anúncio fortíssimo contra o terrorismo (ou resistência islâmica, como alguns lhe chamam). Felizmente, nem todos os muçulmanos são tão idiotas como os burguesitos europeus que apoiam a carnificina em nome das suas lutas anacrónicas e ideologias infames.  Ou como outros, que não querem pôr em causa o edifício teórico onde se refugiam da complexidade do mundo.

Recompensa por bons serviços à causa

Quase, quase anedótico.

Iran vying for board of UN Women

Iran, where a woman convicted of adultery has been sentenced to death by stoning, is likely to become a member of the board of the new U.N. agency to promote equality for women, prompting outrage from the U.S. and human rights groups.

Some rights groups are also upset that Saudi Arabia, where women are not allowed to drive and are barred from many facilities used by men, is also vying to join the governing body of UN Women.

The General Assembly resolution adopted in July that merged four U.N. bodies dealing with women’s issues into a single agency with greater clout to represent half the world’s population calls for a 41-member executive board, with 35 members chosen by regional groups and six representing donor nations.

The Asian group has put forward an uncontested 10-nation slate that includes Iran, U.N. diplomats said, and Saudi Arabia has been selected for one of two slots for emerging donor nations.

Contra-sensos

O Rui Albuquerque evidencia, com rigor, o contra-senso de alguém poder encarar um governo recheado de venerandas figuras do bloco central como sendo um governo de salvação nacional. Esse contra-senso, alimentado por quem de direito, é apenas o primeiro passo para o objectivo final: outorgar aos obreiros do Estado Social… o estatuto de reformistas do Estado Social.

Na verdade, ao contrário do que seria de supor e de esperar numa ordem política decente, a reforma (vamos, por agora, adoptar o termo “reforma”) do Estado Social não será feita, ou sequer inspirada, por aqueles que, há anos, prevendo e antecipando, defenderam por vários motivos (uns utilitaristas outros não) a falência do modelo. A “reforma” do Estado Social será encomendada, precisamente, aos cultores do dito, os mesmos que se recusaram sequer a perceber os mais dramáticos sinais da sua falência.

E os primeiros sinais já aí estão, com os cúmplices do socratismo a dar o dito por não dito e fazerem-se surpreendidos com as mentiras e omissões do Primeiro-Ministro e Ministro das Finanças. Esses cúmplices, socialistas até à medula, começam já a falar da reforma do Estado Social, prontos a aparecer como os salvadores da pátria. E não duvidemos por um segundo: serão eles, como sempre, se alguém não lhes puser travão, a “reformar” o Estado Social.

É também por isso que, como o Rui Albuquerque bem refere, quanto menos governo, melhor.

Hoje às 18 horas, Esther Mucznik e Helena Matos (repete, Domingo, às 19)

Esta semana eu e a Antonieta Lopes da Costa debatemos com Esther Mucznik e Helena Matos os principais temas da actualidade:

1) Orçamento – Depois do falhanço das negociações para o orçamento do próximo ano, o que mais pode acontecer a Portugal?

2) Eleições EUA – O Partido Democrata prepara-se para perder lugares no Congresso norte-americano, após as eleições já no início de Novembro. Uma eventual derrota do seu partido vai enfraquecer Obama?

3) Presidenciais – Cavaco Silva anunciou a sua recandidatura à presidência da República, prometendo ser mais activo. Mas poderia ele ter agido de forma diferente?

4) Merkel – Após as surpresas na Holanda e na Suécia, os alemães começam a olhar a imigração com outros olhos. Uma nova política implica uma Europa de portas fechadas?

O “Descubra as Diferenças”, pode ser ouvido hoje às 18 horas e no Domingo, dia 31 de Outubro, às 19. Tem podcast disponível e é também transmitido pela Rádio Universitária de São Paulo, no Brasil. Com emissão também disponível através da powerbox da ZON TV Cabo.

“Descubra as Diferenças”… Um programa de opinião livre e contraditório, onde o politicamente correcto é corrido a quatro vozes e nenhuma figura é poupada. No final de cada emissão, fique para ouvir a já clássica “cereja em cima do bolo”: uma música, em irónica dedicatória, ao político/figura/situação em destaque na semana.