Dia 5

Ontem, depois de um belíssimo jantar no Sokače, passei pelo La Nuit des Gitanes, onde, há uns anos, conheci o dono. Do seu nome não me recordo, mas lembro-me da sua história simples: um cigano sérvio, emigrado em Paris, que regressou a Novi Sad com dinheiro no bolso e orgulho em alta para montar o chiringuito onde conversámos ao som de um quarteto de músicos romani. Um caso de sucesso, como outros na Sérvia. Diz-se que os ciganos mais integrados e menos miseráveis da Europa Central estão nos países que antes formavam a Jugoslávia. Mas tal facto, se é verdadeiro, não é motivo para celebrar: os Roma jugoslavos estão muito segregados e são muito miseráveis. Só que um pouco menos do que os seus vizinhos romenos, húngaros e eslovacos.

P.S. Com o recente episódio francês que envolveu certos cidadãos da União Europeia, meio mundo reparou na utilização do nome Roma como designação politicamente correcta de “ciganos”. O que talvez não saibam, e aí temos a suprema piada, é que Rom — o singular de Roma — significa “homem” na língua romani. Se as feminazis descobrem deixam logo cair este termo que, para já, ainda é tão correcto e moderno.

Cokače, Novi Sad, 2010

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