Se fosse um orçamento familiar…

… e uma família tivesse, nos últimos 7 meses, crescido a sua dívida total em 10%, que opinião teriam das capacidades de gestão do chefe de família quando esta já deve cerca de 80% do rendimento total?

Em todas as sociedades há famílias irresponsáveis. Mas o que fazer quando determinada “família” (suponho que bem intencionada) pode impor às restantes famílias cada vez maior Dívida? É que já são 146.209.000.000 euros (pdf)!

12 pensamentos sobre “Se fosse um orçamento familiar…

  1. O problema é ao contrário.
    Com a adesão ao Euro (Tratado de Maastricht) o Estado perdeu quase todos os instrumentos financeiros que detinha para controlar a economia e as finanças.
    Assim o Estado não controla o seu endividamento, o endividamento é uma das consequências da adesão ao Euro como, na altura alguns previram (ver, cá em Portugal, o Prof. Ferreira do Amaral).

  2. “Quer dizer que o Estado não controla o seu orçamento?”

    Claro que em grande parte não.

    Estamos, para mal dos nossos pecados, na União Europeia e no Euro. A quase totalidade dos instrumentos financeiros de que um Estado normal dispõe para controle da economia e das finanças estão nas mãos de Bruxelas e Frankfurt.

    Mas, há pior, Bruxelas é uma máquina paridora de legislação, legislação esta obrigatória para todos os Estados Membros e de que Bruxelas se dá ao luxo de ignorar os custos. Mas os Estados Membros, obrigados á sua implementação não.

    Isto é, Bruxelas legisla e os Estados Membros pagam…

    Há estudos sobre os custos da regulamentação imposta por Bruxelas, custos esses que tornam o TGV ou o novo aeroporto trocos!

    Além de que Portugal é obrigado a enviar para Bruxelas uns 4 milhões de Euros por dia, 365 dias por ano. Isto sem contar que o país perde também grande parte das receitas, alfândegas, por exemplo.

    E também se perdem receitas fiscais pois, quando uma empresa se muda para Madrid, abandonando Lisboa ou o Porto, a consolidação é feita em Madrid e grande parte dos impostos que a empresa paga vão para Espanha.

    Em resumo, o termos aderido à UE e ao Euro tem três efeitos muito importantes:

    a) Desarmamento do Estado que perdeu grande parte dos seus poderes e fica muitas vezes reduzido a ver andar a economia e as finanças sem capacidade de intervenção;
    b) Perca de muitas receitas, ficais, alfandegárias e outras;
    c) Aumento muito grande da despesa, via contribuições para o Orçamento Comunitário ou pelos custos da implementação da loucura regulamentadora de Bruxelas.

    É que quem governa Portugal não é o Governo português, quem governa Portugal é a Comissão Europeia e o BCE. Ao Governo que nós elegemos cabe o ingrato papel de assacar as responsabilidades de Bruxelas e de servir de correia transmissora do Politburo do Bruxelas, nada mais.

    O Sócrates é criticável não por ser um mau governante, não é nem bom nem mau, nem sequer é governante, mas por se prestar a este papel.

  3. ricardo saramago

    Em casa do sr. O Raio também ninguém controla os gastos, porque como estamos no euro e as necessidades são grandes, não há nada a fazer.
    Quem governa não é o sr. O Raio, mas sim o Estado, a UE, O BCE,e as leis que o obrigam a gastar não são da responsabilidade dele.
    Quando os credores deixarem de fiar, está assim desculpado e pode com propriedade dizer que se não lhe tivessem emprestado agora não teria dívidas.

  4. ricardo saramago

    Esse sr. Prof. Amaral também foi um dos magníficos teóricos que descobriu que a partir da adesão ao euro não tínhamos mais que nos ralar com dívidas.
    Talvez não ganhe o prémio Nobel, mas de certeza que merece um brinde da “Farinha Amparo”.

  5. “Em casa do sr. O Raio também ninguém controla os gastos, porque como estamos no euro e as necessidades são grandes, não há nada a fazer.”

    Isto, como é óbvio, não tem nada a ver com o que escrevi. O que me leva a pensar que o ricardo não sabe como destruir a minha argumentação, argumentação e factos. Assim, desconversa… técnica antiga, como todos sabemos.

    “Quem governa não é o sr. O Raio, mas sim o Estado, a UE, O BCE,e as leis que o obrigam a gastar não são da responsabilidade dele.”

    A minha casa, como a de qualquer família, é muito diferente do Estado. Salazar é que confundia as duas coisas.

    Se o ricardo discorda do que escrevi, seria útil que apontasse se citei algum facto errado e se argumentei mal em vez de personalizar a questão.

    Se o Prof. Amaral é o Prof. Ferreira do Amaral ele nunca concordou com a adesão ao Euro e sempre disse que essa adesão iría provocar o endividamento.

  6. andrecruzzz

    as vezes abrir a caixa de comentários de um dado post faz-me perder toda a esperança..
    o discruso do raio apenas levanta uma pergunta interessante(debater o conteudo ? já me basta os maluquinhos patológicos q aturo): qual será o primeiro partido a tomar como bandeira , a pôr na agenda de campanha, este discurso cabalístico-eurófobo?

  7. lucklucky

    “Com a adesão ao Euro (Tratado de Maastricht) o Estado perdeu quase todos os instrumentos financeiros que detinha para controlar a economia e as finanças.”

    Falso. Os impostos não param de subir.

    “Assim o Estado não controla o seu endividamento, o endividamento é uma das consequências da adesão ao Euro”

    Falso. A despesa não pára de subir.

  8. “Com a adesão ao Euro (Tratado de Maastricht) o Estado perdeu quase todos os instrumentos financeiros que detinha para controlar a economia e as finanças.”

    Até à assinatura do Tratado de Maastricht o Estado português tinha ao seu dispor dois “instrumentos”: (i) orçamental e (ii) monetário. Destes, só o segundo foi “delegado” ao BCE (tradução: as trapalhadas governamentais deixaram de ser mascaradas via desvalorização do escudo).

    Os sucessivos Orçamentos de Estado continuaram a fazer crescer a despesa acima da receita, mesmo quando baixas taxas de juro reduziram as despesas de capital.

    Entre Março de 1999 e Julho de 2010 a Dívida Directa do Estado português cresceu 145% (59,7 para 146,2 biliões de euros). Culpa da União Europeia???

  9. Declaração inicial: Não sou de nenhuma forma contra a unidade da Europa. Mais, uma das minhas criticas ao que actualmente existe é que nos afasta totalmente (e por muito tempo) de qualquer espécie de unidade europeia. Por mim seria até favorável a um sistema federal como, por exemplo, o Norte-Americano em que existe uma Câmara Alta (Senado) em que cada estado tem dois representantes.

    Posto isto, as criticas que fiz não foram à Europa de um modo geral, foram à actual estrutura que dá, abusivamente, pelo nome de União Europeia.
    Estas criticas suscitaram alguns comentários, comentários esses que, de um modo geral, fugiram completamente ao problema, falando da forma como a minha família se governa ou chamando-me de cabalístico-eurófobo.
    Não são comentários lá muito sérios e, em última análise, a sua fuga ao tema em discussão só confirma a justeza do que escrevi.

    “Até à assinatura do Tratado de Maastricht o Estado português tinha ao seu dispor dois “instrumentos”: (i) orçamental e (ii) monetário. Destes, só o segundo foi “delegado” ao BCE”

    E o instrumento monetário é fundamental! E nem foi delegado, passou a ser uma competência exclusiva do BCE.
    Quanto ao Orçamento tem de ser discutido e aprovado pela Comissão.
    Ao Governo de Portugal resta muito pouco.

    “(tradução: as trapalhadas governamentais deixaram de ser mascaradas via desvalorização do escudo)”
    A desvalorização é o método natural de compensar as diferenças de produtividade. Enquanto Portugal tinha este instrumento a produtividade ia aumentando e a desvalorização ia-se tornando menos importante. Quando Portugal a perdeu a produtividade afundou-se…

    “Os sucessivos Orçamentos de Estado continuaram a fazer crescer a despesa acima da receita, mesmo quando baixas taxas de juro reduziram as despesas de capital.”

    A despesa foi sendo empurrada para cima por razões de que falei no meu primeiro comentário.

    “Entre Março de 1999 e Julho de 2010 a Dívida Directa do Estado português cresceu 145% (59,7 para 146,2 biliões de euros). Culpa da União Europeia???”

    Em grande parte foi!
    Mas, note-se que se a economia portuguesa tivesse continuado a crescer normalmente, este aumento até teria sido natural. O problema foi a travagem brutal que a economia teve com a adesão ao Euro.

  10. “A desvalorização é o método natural de compensar as diferenças de produtividade.”

    O método natural é a redução real de salários. Por motivos políticos os Estados habitualmente fazem-no por via indirecta: desvalorização da moeda.

    “Orçamento tem de ser discutido e aprovado pela Comissão.”

    Penso que apenas em situações que quebrem o Pacto de Estabilidade e Crescimento. De qualquer forma, a Comissão não exige orçamentos deficitários!!!

    “A despesa foi sendo empurrada para cima por razões de que falei no meu primeiro comentário.”

    Massiva contratação de funcionários públicos (com aumentos irrealistas dos salários), Rendimento de Inserção Social para centenas de milhares, Expo98, Euro2004, etc, foram exigência da Comissão Europeia?

    “Mas, note-se que se a economia portuguesa tivesse continuado a crescer normalmente, este aumento [da Dívida Pública] até teria sido natural. O problema foi a travagem brutal que a economia teve com a adesão ao Euro.”

    A Dívida Pública cresceu, em termos nominais, uma média de 7,8%/ano. Acha mesmo que esse teria sido o “crescimento normal” da economia portuguesa?

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.