Aona ni shio

A tradução literal do ditado japonês aona ni shio é qualquer coisa como “salgar a verdura”, mas o seu verdadeiro significado é “tirar a bazófia ao fanfarrão”. Quando salgamos legumes, estes perdem a água, que se movimenta para o meio mais concentrado em sal, e murcham. Ao processo chamamos osmose, e o ditado japonês transporta o fenómeno químico da natureza para a natureza humana e avisa: a um emproado cobardolas pode sempre extirpar-se a arrogância e deixá-lo apenas com a cobardia, tal como a uma alface se atenua a exuberância da sua cor com uma pitada de sal. Quando escutamos o coro de aplausos à nova lei que regula a produção de pão, e quando percebemos de onde vêm — urbano-socialistas de esquerda e de direita que partilham o medo do sal e a ignorância sobre os limites das esferas pública e privada — não resistimos a perguntar: receiam perder a prosápia, os fanfarrões?

23 pensamentos sobre “Aona ni shio

  1. lucklucky

    É só mostrar quem manda e justificar jobs for the boys na burocracia que vai controlar o sal no pão – ou seja encenação e lugares para os amigos. Qualquer um sabe que só um Lei Seca do Sal permitiria tentar atingir os resultados que falsamente dizem pretender.

  2. burns

    post enorme
    a asae e outras inúteis autoridades e direcções gerais estavam com dificuldades em justificar o ordenado e vai daí saiu mais esta patetice

  3. Manolo Heredia

    a resistência que esta gente faz quando o governo tenta baixar os custos com o SNS. depois dizem que o dinheiro dos impostos anda a ser mal aplicado…

  4. ricardo saramago

    Toda agente sabe que uma carcaça com pouco sal poupa dinheiro ao Estado e melhora a saúde do rebanho.
    Mas têm que proibir também que a malta coma duas carcaças, ou ponha manteiga com sal na primeira.
    O melhor é pôr uma coleira electrónica(com detector de sal) obrigatória em todos os portugueses, para apanhar os prevaricadores e evitar que a malta cause prejuízos ao Estado.

  5. 3 – Por regra, tudo o que reduza a necessidade de o individuo ir ao médico também aumenta a sua esperança de vida (logo o numero de anos em que ele vai a médicos). Assim não é liquido que as medidas “saudavelistas” reduzam a despesa do SNS (até o podem aumentar)

  6. burns

    olhe manolo
    eu tentava reduzir a precariedade no trabalho ou a falte de emprego para poupar no sns
    sempre eram umas dezenas de milhar de vitimas anuais de problemas cardíacos
    deixem de ser líricos,o spin já deu o que tinha a dar,agora é a dura realidade

  7. Rxc

    3, sinceramente espero que seja mais inteligente do que isso. Acredita piamente na idiotice que escreveu? Se quisessem fazer algo de bom para a saúde geral da população, proibissem (efectivamente) a venda de álcool e tabaco a menores de 18 anos (aqui em Caldas, como em todo o lado, são estes os principais consumidores dos barezinhos da noite, sem que haja qualquer esforço para fazer cumprir a lei).

    Acho piada é a esquerdalhada defensora do consumo de drogas (com o qual concordo, apesar de não constar que sejam muito benéficas para a saúde) e da mulher fazer o que bem entende com o seu corpo (ou seja, acham normal e quiçá louvável esta poder terminar a vida de um ser humano por nascer), se inflamar contra o pão e achar absolutamente aceitável que o Estado controle a quantidade de sal que ingerimos! Como se isso fosse mudar alguma coisa!
    Lá está, muita gente não defende a Liberdade, mas sim um punhado mesquinho de liberdadezinhas, conforme a sua mundovisão os inspira.

  8. ricardo saramago

    Não é demagogia.
    É mais um passo na direcção que nos destinaram.
    Sermos um rebanho de bestas, apascentadas pelo Estado.

  9. A questão de regular o sal no pão é mais da dicotomia conservador/libertário que direita/esquerda. Agora, claro que entendo que querem colar este episódio à esquerda em geral (e à direita socialista… this is brilliant) e assim prolongar o argumentário eufórico.

    Um urbano-socialista de esquerda (portanto da esquerdalhada) que é contra a lei de regulação da quantidade de sal no pão, mas a favor de uma lei para identificar a quantidade de sal utilizada no fabrico de pão.

  10. Carlos M. Fernandes

    “A questão de regular o sal no pão é mais da dicotomia conservador/libertário…”
    Estás a brincar, verdade?

    “Um urbano-socialista de esquerda…”
    Podia jurar que uma vez te identificaste como sendo/vindo da província. Em que é que ficamos?

    “…contra a lei de regulação da quantidade de sal no pão, mas a favor de uma lei para identificar a quantidade de sal utilizada no fabrico de pão.”
    Entre as duas coisas coisas vai uma distância imensa.

  11. Se acreditas que quem é a favor de leis para a regulação do teor de sal no pão é socialista então devo considerar que quem brinca és tu.

    Um teaser para utilizar a nomenclatura prodigiosa que fui lendo por aqui.

    Essa distância é razoável ou achas ainda assim demasiado paternalista e que deveria ser um acto voluntário dos fabricantes?

  12. Carlos M. Fernandes

    Então e o “socialismo de esquerda e de direita” que usei ali em cima não te serve como sinónimo?

  13. Não (round and round). Eu usaria “autoritarismo de esquerda e de direita”. Repulsam-me as acções coercivas e tenho urticária com decretos kafkianos.

    Nota: relativamente às corridas de touros, que já tivemos oportunidade de discutir, não vejo a sua proibição como um acto coercivo mas antes como uma expressão de uma carta de direitos com um consenso social no espaço da união europeia.

  14. Miguel

    “Repulsam-me as acções coercivas ”
    Óptimo. Então está contra a participação obrigatória nos programas dos estado social(ista) e defende o “opt out” em todos eles (saúde, segurança sociai, etc). Ou não?

  15. Quanto a essa questão não tenho certezas. À partida diria-te que sim, que estaria contra. Contudo, posso colocar-me a seguinte questão. Alguém optou por não ter, por exemplo, um seguro de saúde, seja ele público ou privado (não vou divagar sobre os motivos que poderiam ser de voluntarismo, falta de recursos, self-neglect, etc). A certa altura, essa pessoa descobre que sofre de uma doença congénita que começa a manifestar-se e se queda fatal. Os tratamentos são muito caros e, sem seguro de saúde, incomportáveis. Eu detestaria viver numa sociedade que, caso essa pessoa querendo ser tratada, não a incluísse num plano de tratamento adequado. Como tal, deveria pelo menos haver um sistema público (não necessariamente estatal) que actuasse como safety net. Esse sistema teria de se financiar de alguma forma.

    Em adição, e relativamente à prestação de cuidados de saúde, acho que deve ser de domínio público. Como contribuinte estou-me nas tintas que os hospitais tenham lucros ou não, desde que façam um gasto responsável dos dinheiros, que tenham no utente o centro dos seus objectivos e que tenham resposta para todos os casos.

    Em relação à segurança social também acho que deve ser do domínio público como corolário do facto de não achar a meritocracia um sistema justo (tentei expressar aqui – http://lutaslivres.blogspot.com/2009/10/da-meritocracia.html – os fundamentos desta afirmação).

    Na educação defendo o direito de opção. Defendo ainda que o sistema público deva ser descentralizado para que ao nível local possa contar com a participação activa dos alunos, pais e professores. Neste caso, o financiamento deveria ser selectivo.

    Estas são as três áreas as quais dou mais atenção quando penso nestes assuntos. Mas como disse não tenho certezas.

  16. Miguel

    ” Eu detestaria viver numa sociedade que, caso essa pessoa querendo ser tratada, não a incluísse num plano de tratamento adequado. Como tal, deveria pelo menos haver um sistema público (não necessariamente estatal) que actuasse como safety net. Esse sistema teria de se financiar de alguma forma.”
    Uma safety net não é o sisteme universalista que temos agora. É o não contra o actual SNS?

    “Em adição, e relativamente à prestação de cuidados de saúde, acho que deve ser de domínio público.” e “Em relação à segurança social também acho que deve ser do domínio público”
    Mas aí esta a optar por um sistema de adesão e financiamento coercivo que supostamente lhe causaria repulsa. Contradiz o que disse mais acima.

  17. Miguel,

    Eu disse “pelo menos” numa situação limite. Lê de novo por favor.

    Penso que fui claro no meu anterior comentário e não percebo porque reescreveste a tua pergunta. Eu não vou reescrever a minha resposta.

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