Comentário de Luís Serpa a este post:
Há uns anos era obrigatório “dar entrada” (e “dar saída”) de uma embarcação de recreio num porto nacional, mesmo se em proveniência de outro porto nacional; essa prática sempre me irritou, por duas razões: a) se eu viesse de comboio ou de automóvel ninguém me pedia para “dar entrada” ou “saída”; b) os organismos onde era preciso “dar entrada” (Capitania, Alfândega e Polícia Marítima – enfim, o antecessor desta) eram muitas vezes longe dos portos.
Regra geral não cumpria essas formalidades, mas quando era obrigado, por qualquer razão a cumpri-las (entrada. Saída nunca fiz) dizia que o barco vinha de Madrid, Paris, Berlim, Timbuctu, Samarkanda, e assim por diante.
Acreditem se quiserem, mas em anos desta coisa nunca – nunca – ninguém estranhou que uma embarcação de vela entrasse no porto de, por exemplo, Figueira da Foz em proveniência de “Madrid”.
O costume. Velejar entre Berlim e Figueira da Foz com passagem por Madrid é um belo retrato da burocracia que nos sufoca. E dos burocratas.
Se não fosse algumas barragens no Tejo e afluentes (e provavelmente algumas nuns rios alemães), e se se apanhasse um vento suficientemente forte para chegar até Madrid contra a corrente, talvez fosse possível (e, claro, sendo um barco de recreio, ninguém estranharia passar por Madrid em vez de aportar direito à Figueira da Foz).
Porque é que acha que é impossível ir de Madrid à Figueira? Ele bem podia ter saído da “Playa de Madrid”…
Nesta santa terrinha dá de tudo.
vejam só. Fulano de tal… filho de tal e tal…. Profissão. POLITICO.
A gente já se não surpreende com nada. Tem mais.Fulano de tal… profissão.Ex refugiado politico. Mais e seguindo.Profisão ex lutador antifascista. mais…profissão.ex fugitivo das forças armadas(desertor) Isto dava uma folha cheia. Mais profissão…Poeta de intervenção?Cantador antifascista. Há uma profissão que não mudou,mas ninguem assume.Traidor á PÁTRIA!
Se o “dar entrada” e “dar saída” terminaram, a invenção do governo Guterres chamada de “Taxa de Farolagem” continua em plena força.
É uma “licença de Isqueiro” abrilina, que se mantém para que as pessoas possam recordar um dia mais uma das conquistas de Abril
Agora mais a sério – será que ninguém estranhava ou era mesmo acharem que não valia a pena estar a levantar problemas por isso?
Ou seja, seria um caso de incompetência da administração pública ou, pelo contrário, um caso dos funcionários públicos “na linha da frente” a tentar reduzir o impacte negativo das leis que eram obrigados a aplicar?
Eu estranho é que haja quem ache normais e não pretenda revogar estes absurdos legislativos
Caro Miguel Madeira,
Aprecio o seu optimismo, mas infelizmente não é o caso. Uma vez fui eu próprio a chamar a atenção do senhor (não me lembro bem, creio que Guarda Fiscal) para o facto de eu estar a chegar de Madrid. A resposta dele foi – disto lembro-me como se fosse hoje – “ah, enfim, não sabia, podia haver algum canal”. Outra, o homem perguntou-me “Timbuctu? Onde é? Nunca ouvi falar” e eu respondi-lhe que era no meio do deserto do Sara. E Timbuctu ficou como porto de origem.
Havia um militantismo nisto: é que eu passava a vida a dizer que aqueles papéis não serviam para nada, e queria prová-lo.
No outro dia comentava esta história com um funcionário do SEF e ele disse-me “mas isso ainda não acabou. Essa regra ainda existe. Não estamos é a aplicá-la a 100%”.
Quanto à Taxa de Farolagem: experimentem registar um bote de, sei lá, 2,40m e vão ver que a taxa de farolagem é a que menos chateia. Vistorias a seco e a nado (o barco, não o inspector), fotografias, nº do casco, a lotação, o material de segurança que é obrigatório para uma embarcação classe 5, o bote estar ser “auxiliar” ou não ser “auxiliar” – grotesco. Simplesmente grotesco.
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São ladrões, que deviam ser tratados da forma mais adequada (se não tivessem capangas a retaliarem depois).