O mau estar da esquerda com a solidariedade privada

Interessante esta divagação do Daniel Oliveira sobre os mecanismos de solidariedade privada.
A esquerda em geral prefere solidariedade centralizada, burocrática e feita à custa de fundos obtidos de forma coerciva. Quando a solidariedade é realizada numa perspectiva de objectivos claros, descentralizada (como no caso da igreja) e com fundos cedidos voluntariamente passa a ser apenas um complemento tratado com desprezo.
A razão pela qual a esquerda tende a menosprezar a importância da solidariedade privada é o facto de que os mecanismos de solidariedade estatais não visam só a solidariedade. Os mecanismos de solidariedade estatal são também um mecanismo de poder de quem redistribui, superiormente representado pelas palavras de Elisa Ferreira quando em campanha eleitoral num bairro social lembrou alguns dos beneficiários dessa solidariedade que o dinheiro era “do PS”. Se a solidariedade privada tornasse irrelevante a necessidade de mecanismos estatais, a esquerda perderia uma grande parte do seu poder. Poder obtido, claro, à custa dos frutos do trabalho alheio.
Mas o Daniel Oliveira termina a sua divagação com um comentário interessante: nos EUA aparentemente os mecanismos de solidariedade privada são mais fortes que em Portugal. Alguém imagina porque será que isso acontece?

13 pensamentos sobre “O mau estar da esquerda com a solidariedade privada

  1. lucklucky

    Os mecanismos da solidariedade privada também podem ser um mecanismo de poder, tal como a solidariedade publica. Aliás eu defendo que quando se começa a falar em solidariedade se está tentar instituir um mecanismo de poder.

    A grande vitória da Esquerda não foi em ter instituído a Solidariedade Publica foi em ter a substituído a palavra Caridade por Solidariedade.
    Solidariedade não tem relação de valor, importância e não tem ónus pressão nenhuma para acabar, é infinita, intemporal, deve ser mantida como o ar que se respira. É um fingimento, uma simulação de igualdade.

    Caridade coloca um peso em quem a recebe e quem a dá. Mostra a não igualdade.

  2. Muito bom. A Esquerda continua igual a si própria: nada fora do Estado, nada contra o Estado… Fecha os olhos à corrupção, degradação e falência pela qual têm passado as instituições públicas de solidariedade social; às tremendas injustiças e assimetrias que estas instituições cometem na hora de alocar os fundos que dispõem para subsídios, abonos, auxílios, etc.
    Para além de que a centralização e a distância entre a entidade e os beneficiários não ajudam na justiça das decisões, coisa que não acontece com as entidade de solidariedade (ou de caridade, ou de beneficência se preferirem) privadas, as quais actuam num âmbito mais local e mais personalizado.

  3. João

    A diferença é que nos USA o dinheiro e o poder não compram um bom nome. Ao contrário daqui.
    E novamente a treta da coercividade… Só paga impostos quem quer, percebe? Há muitos países do mundo onde passaria a pagar menos ou mesmo nada. Eu por mim escolhi um país onde ainda pago mais, veja lá…

  4. A. R

    A esquerda quer a caridade institucionalizada para servir de “Caminho da Escravidão”. Os esquerdistas que conheço são uns sovinas de primeira apanha e rondam as tias velhas e solteiras como os gatos o prato da sardinha.

  5. JS

    A tonalidade “esquerda folclórica” foi o diapasão, naquela geração.
    A que saiu para a vida activa nesta últma década.
    Este escol apanhou, e misturou-se, com a geração de professores -com honrosas excepções- que enrouqueceram a cantar Abril.
    Agora o tempo, o pai de todos os saberes, o “de experiència feito”, tirou a uns e a outros, o que lhes sobejava da voz. Rufenhos, precocemente gastos, insistem em trautear o, então já arcaíco, hino da escola.
    A única canção que lhes ensinaram.

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  8. Euroliberal

    A solidariedade privada é muito mais barata (não provoca défices) e muito mais eficiente (dada a descentralização ao nível de rua ou bairro, não tem desperdícios, chega de imediato a quem precisa mesmo e só a estes). Além do mais, ligada à religião, reforça ainda mais a coesão social e os laços de interdependência. Não é por acaso que as sociedades emergentes, do Golfo ao Extremo Oriente, não têm sistema social estatal, mas privado. Uma vantagem competitiva não negligenciável, to say the least…

  9. Carlos Guimarães Pinto

    Já que é tudo dele, o meu “rei local” bem podia pagar o seguro do meu/seu carro e da minha/sua casa.Também poderia pagar as fees do banco sobre o meu/seu portfolio de investimentos. Este “rei local” é pouco dado às suas obrigações como proprietário.

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