Fim

Tudo tem um fim. A minha participação no Insurgente inciada há mais de cinco anos termina aqui. Aos meus ex-co-bloggers deixo votos de boas insurgências: Keep up the good fight! Para já, regresso ao meu papel de simples anónimo da blogosfera. Pode ser que nos vejamos por aí!

Socialismo televisivo

El Estado es el peor empresario del mundo. Especialmente cuando se pone a empresario de la comunicación. Y lo pagamos Tú & Yo.

Por cá, espero sentado (e a pagar de forma principesca) o fim da existência de um conjunto inexplicável de canais de televisão e rádio do estado.

Sinais (2)

Tavares Moreira no Quarta República

O formidável argumento segundo o qual o pessimismo não cria empregos – utilizado para justificar uma permanente exibição de optimismo “pacóvio”, como se este fosse criador de emprego – cai dolorosamente por terra quando as notícias do desemprego chegam com este estrondo… Mas julgam que os optimistas vão desarmar? Eu julgo que não…”jamais”!

A inevitabildade

A notícia queima. O mufti da Arábia Saudita, máxima autoridade religiosa do país, acaba de emitir uma fatua que permite (permitir é um eufemismo, a palavra exacta deveria ser impor) o casamento de meninas na idade de 10 anos. O dito mufti (hei-de lembrar-me dele nas minhas orações) explica porquê: porque a decisão é “justa” para as mulheres, ao contrário da fatua anteriormente vigente, que havia fixado em 15 anos a idade mínima para o casamento, o que Abdelaziz Al Sheji (esse é o nome) considerava “injusto”. Sobre as razões deste “justo” e deste “injusto”, nem uma palavra, não se nos diz sequer se as meninas de 10 anos foram consultadas. É certo que a democracia brilha pela inexistência na Arábia Saudita, mas, num caso de tanto melindre, poderia ter-se aberto uma excepção. Enfim, os pedófilos devem estar contentes: a pederastia é legal na Arábia Saudita. Outras notícias que queimam. No Irão foram lapidados dois homens por adultério, no Paquistão cinco mulheres foram enterradas vivas por quererem casar-se pelo civil com homens da sua escolha… Fico por aqui. Não aguento mais.

O texto é de José Saramago. Hei-de descobrir um prémio honroso para entregar a quem descobrir no autor e naquelas palavras um benfício a Israel.

Adenda: Mais duas sentenças judiciais que punem, como poucas, o adultério. Uma sociedade casta tem um preço elevado  no Irão.

A contar (0)

A temporada lírica do Teatro Real de Madrid parece-me, este ano, menos interessante (e a direcção musical de López Cobos desaparece de cena). No entanto, começa com um Eugene Oneguin, já na próxima semana, que lamento ter que deixar para trás quando, hoje à tarde, levantar voo em Barajas após uma noite a algumas horas em Madrid. (A viagem é feita, também, de perda(s).) Mas venham a Madrid. Se López Cobos deixar saudades ou se tropeçarem numa dessas encenações muito modernas e provocadoras, há sempre uma barra ou um comedor manchego, asturiano ou extremeño disposto a redimir a vibrante capital espanhola. Tudo condimentado com muito sal, fumo, touros e colesterol. Não aconselhável a “civilizados”, portanto.

A direita cínica e imoral

Manifestações em Lisboa contra uma anunciada lapidação no Irão podem ter um efeito de pressão residual mas são respeitáveis e se forem genuínas (se por exemplo não se esconderem por trás de outras causas, como a luta genérica contra a pena de morte – como aqui se adverte – ou a mudança do regime iraniano por dentro ou por ataque externo) fazem todo o sentido. Apesar de, segundo consta, a lapidação não se efectuar no Irão há já vários anos, a hipótese de o voltar a ser é preocupante. O que faz menos sentido é a visão maniqueísta e cínica de alguns críticos da manifestação do último sábado (como é o caso de João Pereira Coutinho, neste artigo). A causa é justa e pessoas que se juntem e se manifestem pacificamente na luta por uma causa justa dificilmente são criticáveis. Não merecem ser achincalhados e tratados de ‘pornográficos’. Só uma pessoa cínica (daquelas cuja História não costuma recordar, diga-se) e sem os valores certos pode censurar outras pessoas por se manifestarem contra uma prática injusta e selvagem. Se observarmos bem as reacções negativa de alguma direita à manifestação de Sábado, elas visam a menorização da mesma e o apelo à guerra. Pura e simplesmente. É evidente que a maioria (ou totalidade) destes críticos nunca participará numa provável guerra contra o Irão (quer física, quer financeiramente – afinal os contribuintes americanos servem para isso mesmo). O que os motiva é a paranóia do ataque ao “regime iraniano”. Pouco importa que as aventuras no Iraque e no Afeganistão se estejam a revelar um longo e penoso fracasso, o que parece motivar estes críticos é a fuga para a frente e a extensão dos “direitos” ocidentais e da democracia (esse novo dogma da direita!) pelo mundo fora. Esta duplicidade de comportamentos revela grande irresponsabilidade e imoralidade: apelar a uma guerra que pode facilmente tornar-se devastadora (sobretudo para o povo iraniano, mas também potencialmente para as nações envolvidas no ataque) e global (dados os governos que andam a pressionar o Irão e a impor-lhe sanções) pelo progresso nos costumes iranianos é enquanto método não só completamente desproporcionado e patético como também imoral por se aceitar a morte de milhares de inocentes por ganhos que não a justifica (porque os fins não justificam os meios).

Claro que alguns dos críticos são simplesmente desonestos e fingem a simpatia pelos direitos dos iranianos quando na verdade o que querem é que o “regime” de Ahmadinejad seja riscado do mapa, em benefício de Israel.

Despesismo estatal incentiva o crime

Reuters

Cash-strapped Bulgaria and Romania hoped taxing cigarettes would be an easy way to raise money but the hikes are driving smokers to a growing black market instead.

Criminal gangs and impoverished Roma communities near borders with countries where prices are lower — Serbia, Macedonia, Moldova and Ukraine — have taken to smuggling which has wiped out gains from higher excise duties.

Bulgaria increased taxes by nearly half this year and stepped up customs controls and police checks at shops and markets. Customs office data, however, shows tax revenues from cigarette sales so far in 2010 have fallen by nearly a third.