Estou mais descansado

O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Manucher Mottaki, garantiu hoje em Madrid que a sentença de morte por lapidação se mantém para Sakineh Mohammadi Ashtiani, de 43 anos e acusada de adultério.

Numa visita oficial a Madrid, o ministro assegura que “a justiça iraniana não suspendeu a lapidação” de Ashtiani mas defendeu a realização de um “amplo debate” sobre a questão do “castigo imposto pela lei islâmica”, noticiou hoje o jornal “El País”.

Sugiro a participação do ex- PR Jorge Sampaio que costuma gostar bastante de “amplos debates” com culturas diferentes (atenção, nada de valorações qualitativas). E podem até convidá-lo a lançar a primeira pedra.

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20 pensamentos sobre “Estou mais descansado

  1. CN

    Ora deixa-me cá ver outras noções de direito, estado, separação da justiça e religião and all that stuff (e a sério, que acho muito interessante e válido este conceito abaixo, não serei eu o crítico, nem deste nem de outros – pelo menos em alguns aspectos):

    Wikipedia:

    Halakha (Hebrew: הלכה‎) — also transliterated Halocho (Ashkenazic Hebrew pronunciation) and Halacha — is the collective body of Jewish religious law, including biblical law (the 613 mitzvot) and later talmudic and rabbinic law, as well as customs and traditions.

    Judaism classically draws no distinction in its laws between religious and ostensibly non-religious life; Jewish religious tradition does not distinguish clearly between religious, national, racial, or ethnic identities.[1] Halakha guides not only religious practices and beliefs, but numerous aspects of day-to-day life. Halakha is often translated as “Jewish Law”, although a more literal translation might be “the path” or “the way of walking”. The word is derived from the Hebrew root that means to go or to walk.

    Historically in the diaspora, Halakha served many Jewish communities as an enforceable avenue of civil and religious law. Since the Age of Enlightenment, emancipation, and haskalah in the modern era, Jewish citizens are bound to Halakha only by their voluntary consent. Under contemporary Israeli law, however, certain areas of Israeli family and personal status law are under the authority of the rabbinic courts and are therefore treated according to Halakha. Some differences in Halakha itself are found among Ashkenazi, Mizrahi, Sephardi, and Yemenite Jews, which are reflective of the historic and geographic diversity of various Jewish communities within the Diaspora.

  2. tina

    O que não se percebe é como é que um ministro de uma ditadura daquelas ainda se anda a pavonear em território da UE.

  3. CN

    “O que não se percebe é como é que um ministro de uma ditadura daquelas ainda se anda a pavonear em território da UE.”

    Portanto, os ministro de Salazar deviam ter sido impedidos de viajar, é isso?

  4. joao

    o aparthaid na Africa Sul valeu a sua ostracização do mundial futebol, ragueby, jogos olimpicos etc e muito bem. PELOS VISTOS O APARTHAID de género, a lapidação, o estatuto de subjugação e inferiorização da mulher no mundo muçulmano é bem aceite em nome da diversidade cultural, numa europa tão moderna, chique e não sei quê mais….

  5. tina

    Boa observação do João. A razão por que se fecha os olhos à ditadura iraniana é a mesma em relação a Cuba, é que os ditadores são anti-USA e isso vale mais do que 1 milhão de torturados e mortos.

  6. Joaquim Cardoso Nunes

    O que tem o Jorge Sampaio a ver com este assunto?
    Qual o problema de “amplos debates” seja lá com quem for?

    Além de forçado, o “convidá-lo a lançar a primeira pedra” cai no ridículo, não acha? Além de ser de muito mau gosto.

  7. Ana Dias

    Bom, quando as bombas começarem a cair no Irão esperemos que o contribuinte português esteja pronto para pagar a sua parte. Deverá ser fácil com os cortes na saúde e educação que se avizinham.

  8. CN

    http://www.britannica.com/EBchecked/topic/581644/Talmud/34897/Criminal-law

    Criminal law

    In Jewish law, ritual and nonritual transgressions were crimes punishable by court. Each of the 36 most severe transgressions (e.g., adultery, sodomy, idolatry, sorcery, or murder) carried one of four types of death penalty (stoning, burning, beheading, and strangling). Rabbinic law, however, tended to minimize the practice of capital punishment. The rigorous cross-examination of witnesses and the warning of impending punishment that the transgressor had to receive immediately before committing his crime made it almost impossible to reach a death verdict.

    Ok, não é agora, mas penso que até os monarcas terem a modos que libertado as judiarias a meio do séc.19, tinham o seu próprio direito penal aplicado por rabinos. Já vi a referência à pena por estrangulamento numa conferência sobre comparações culturais-religiosas.

    Quanto ao Irão hoje, não tenho acompanhado mas de certeza que alguém o anda a inquirir à lupa atentamente, gostava de saber quantas penas têm sido efectivamente aplicadas.

  9. Ao nº 11: Jorge Sampaio tem tudo a ver. É representante na ONU da “Aliança de Civilizações”. Aposto que ele estará “preocupado” com a perspectiva de desfazer a cabeça de mulheres à pedrada. Mas duvida-se de que a Aliança sirva de alguma coisa para mudar os hábitos de lá.

  10. CN

    Rui Carmo: já sabemos que o regime está pressionado, e que isso é indicação que o Irão mais cosmopolita está muito mais modernizado que o resto do médio oriente, ainda assim, o regime beneficia com a ameaça constante externa (para não falar de estar rodeado em duas frentes com ocupações), e ainda assim, apesar de com filtros, tem eleições e a população convive com o conceito o que é mais que outros aliados ocidentais.

    PS: Os sunitas são mesmo lixados: “Death toll for Iran mosque bombing rises to 22”

  11. CN,
    não vejo de que forma é que a “pressão” externa possa levar à justificação/defesa, aumento da pena de morte e outras formas de opressão do regime do Irão.

  12. CN

    Rui

    Não falei disso, o regime pode mudar, já se viu que tem pressão interna para isso, mas a pressão externa (ameaça permanente de bombardeamento, e tropas Ocidentais em duas frentes) não ajuda.

  13. ricardo saramago

    A melhor pressão e única coisa que essa gente respeita é saber que sempre que nos pisarem os calos nós nos vamos defender.
    Infelizmente não adianta dialogar com fanáticos e trogloditas.
    Ao contrário do que pensam muitos ocidentais, do alto da sua arrogância e do seu eurocentrismo, nestas sociedades teocráticas não se respeitam nem as pessoas nem as ideias, apenas se respeita a força.
    Não é uma questão de diferença civilizacional é uma questão de atrazo e ignorância.
    Hoje, como há mil anos atrás, se não nos defendermos seremos escravizados ou aniquilados.

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