A contar (30)

Nadar, retrato de Franz Liszt, 1886

Franz Liszt morreu há 124 anos, no dia 31 de Julho de 1886, em Bayreuth. Liszt, compositor e pianista húngaro, como é habitual dizer-se, e em Budapeste não hesitam em utilizar o seu nome como património da cidade. A convenção respeita a vontade do músico, pois este por várias vezes afirmou ser húngaro, mas, atendendo à sua biografia, quem o tome por alemão tem o “equivoco” justificado. Na faixa de terra que separa dois mundos e que vai da Polónia à Grécia — mais correctamente, de Gdansk (Danzig?) a Salónica —, Liszt está mais perto da regra do que da excepção. A Europa das nações está há muito tempo encalhada neste estorvo.

Não toques no meu privilégio

Muito me separa ideologicamente do Henrique Raposo, mas diverte-me ver as reacções histéricas e indignadas face a alguns dos seus posts contra a função pública e os seus privilégios. Há tempos foram os enfermeiros (ficaram chateados porque o Henrique Raposo lhes disse que não mereciam ganhar mais), agora parece que saiu da toca uma espécie de ‘grupo de amigos dos funcionários públicos’ a respeito de um – aparentemente – infame ataque à ADSE e a quem dela usufrui. Aqui, aqui, aqui, aqui, e ainda aqui, podem ler-se algumas das mais divertidas reacções à nova diatribe anti-funcionários públicos do HR. Aqueles que passam o tempo a condenar posts/textos ad hominem são os mesmos que não hesitam em atacar pessoalmente quem ouse apontar o dedo ao corpo parasita dos funcionários públicos. Independentemente da razão da crítica A ou B, é sintomático que tanta gente se sinta tocada pessoalmente com este tipo de reparos (em geral ajustados). Será isto um fenómeno associado às castas de intocáveis, típicos das sociedades mais atrasadas?

Se quer levar com um ataque pessoal  ou ser insultado, já sabe, critique a função pública (os seus privilégios, o seu peso no orçamento e a sua  imoral parasitagem da sociedade), é só esperar.

Outra lição a reter: numa sociedade socialista e decadente como a portuguesa, é de certeza bom sinal ser insultado à esquerda e à direita, é sinal de que talvez se esteja a dizer algo acertado.

Leitura complementar: A falácia do pagamento de impostos na função pública, por BZ

Só faltou acrescentar “social”

O líder do CDS-PP, Paulo Portas acusou hoje o Governo de dar mais poder às grandes superfícies, mas esquecer-se de tomar medidas para mais «justiça» junto dos produtores que esperam mais de 120 dias pelo pagamento dos seus produtos.
«(…)a grande superfície vende rapidamente e é dinheiro em caixa, mas o agricultor só é pago 120 ou 140 dias depois»

Seguindo o raciocínio, presumo que Paulo Portas gostaria que o governo (este ou outro em que ele participasse) legislasse sobre prazos de pagamentos ou outras “injustiças” no funcionamento dos mercados.
Pequenas coisas como estas declarações dizem muito sobre quem as faz.

A contar (31)

Nicknamed ‘Black George’ by the Turks because of his dark hair, looks and reputation, Karageorge Petrovic [(1768-1817)] was a better-off pig breeder, an outlaw and a former commander of the native auxiliaries under the Austrians. The captains in the field were nearly all outlaws, who forced hesitant peasants into armed bands and turned ferociously against the janissaries.

Stevan K. Pavlowitch, Serbia – The History of an Idea

Belgrado, 2005

The pretense of Knowledge

No Monty Pelerin’s World

Hayek described the role of economics as follows:

“The curious task of economics is to demonstrate to men how little they really know about what they imagine they can design.”

Two decades earlier Hayek had dedicated his The Road to Serfdom to the socialists of all parties in hopes that they would see the error of their ways. This warning was ignored by the political class as his Nobel speech was subsequently ignored by most economists.