A herança de Guterres

"As SCUT de António Guterres" de Henrique Raposo (Expresso online)

I. A ideia de que podia haver auto-estradas gratuitas é uma ideia típica do guterrismo. Nesse período, o PS elevou ao máximo o dogma de que o Estado pode dar tudo às pessoas. Desde o rendimento mínimo (a SCUT de Ferro Rodrigues) até às SCUT (de João Cravinho), António Guterres fez do Estado o pai natal dos portugueses. Criou-se a ideia de que tudo era de borla. Foi esta sorridente maneira de governar que criou o tal "pântano". E, quando viu a sua obra pantanosa, Guterres abandonou o país de forma inacreditável. Guterres abandonou o país.

II. O actual problema das portagens nas SCUTs representa, de forma quase perfeita, a relação entre o "guterrismo" e o "socratismo": a governação de José Sócrates tem consistido na retirada das benesses dadas por António Guterres; Sócrates está a tirar ao país aquilo que Guterres deu de maneira totalmente irresponsável. Verdade seja dita, quando penso em Guterres, a minha aversão a Sócrates até diminui um pouco. Antes de José Sócrates, o grande culpado pelo estado do pais chama-se António Guterres.

4 pensamentos sobre “A herança de Guterres

  1. “Desde o rendimento mínimo (a SCUT de Ferro Rodrigues) até às SCUT (de João Cravinho), António Guterres fez do Estado o pai natal dos portugueses.”

    Guterres armou-se em agente dinamizador do estado pai natal. Muito bem. É verdade.

    “E, quando viu a sua obra pantanosa, Guterres abandonou o país de forma inacreditável. Guterres abandonou o país.”

    Mas então, era suposto continuar? Claro que abandonou, e fez bem. Estava a fazer bedum, apercebeu-se do bedum, cavou. E então, era suposto continuar a fazer bedum?

    Guterres iniciou deu gás ao Portugal encalacrado. É verdade. E era pouco? Devia ter continuado?

    Demitiu-se. Fez ele bem. Sócrates já o deveria ter feito há muito.

  2. ricardo saramago

    Foi a “descoberta” dos “tecnicos muito competentes” economistas do PS, de que um país na zona euro não precisava de se preocupar com o endividamento, que serviu de inspiração a essa caricata forma de governar.
    As mesmas criaturas hoje, ainda não foram mandadas calar e apregoam para agradar ao chefe o “fim da crise”, a “diminuição do desemprego” e “reforço da governação económica na Europa”.

  3. a ideia de auto-estradas gratuitas não devia ser mais do que bom senso… ou então era devida uma cabal explicação aos portugueses para onde foram e vão os muitos milhares de milhões de euros pagos em ISP, IA e IVA em dupla tributação… como sempre, embora com graça, o Henrique Raposo falha o alvo… é que o conceito de utilizador pagador é uma falácia para ir buscar mais uns cobres em portagens… ou seja, legitimar o roubo continuado.

  4. Ricardo Sebastião

    Ainda me lembro quando entrei para a faculdade em 1995, nesse ano o Guterres chegou ao poder e aboliu as propinas durante 2 anos…

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