Deformação profissional para os lados da psiquiatria ou dificuldades de compreensão de português

Ó Ana, lamento muito dar-lhe tamanha desilusão, mas não enfiei carapuça nenhuma. Estava a questionar (diferente de afirmar) se o seu post seria reacção ao José Manuel Fernades (nem eu a suponho tão psicologicamente desorganizada a ponto de, sei lá quanto tempo depois de eu escrever umas coisas sobre a Inês de Medeiros, me dedicar um post com o propósito de me responder). Veja lá que, depois de chamarem mentiroso e caluniador compulsivo ao JMF e de se verificar que a mentira tem estado do V. lado, me parecia que a reacção deveria ser um bocadinho menos envergonhada do que esta sequência de comentários a um post de outro assunto, de resto de ir às gargalhadas com a sua tentativa de convencer que, afinal, a V. informação havia sido lisa e clara. Penitencio-me por não dar atenção a pormenores tão importantes para a minha vida, como é a data dos seus posts; prefiro, por exemplo – veja lá o despautério – dar a minha morada correcta, quando é necessário informar da morada; cada um atribui importância a coisas diferentes. E, voltando à carapuça, eu sei (pela minha irmã e cunhados psicólogos, que presumo venham à baila apenas por isso e não por outras razões mais questionáveis, o que também, obviamente, não descarto) que os profissionais da saúde mental tendem a ver patologias em todo o lado e em toda a gente, mas não, eu não me passeio pelo mundo indentificando-me como ‘José Manuel Fernandes’.

Em todo o caso, como não sei se ‘auto-referência’ é alguma maleita da sua área, e não me apetece ir googlar nem incomodar irmã e cunhado com os seus devaneios, fico a desconfiar que a minha frase ‘Se a reacção é esta, ficai todos já avisados: quem demonstrar a mentira que jugulares andavam – conscientemente ou não, mas pelos vistos sem remorços – a propagandear, aproveitando ainda para dar umas liçõezitas de moral a quem contava versão diferente, a Ana Matos Pires cvai fazer o favor de contar ao mundo que essa vil pessoa tem problemas psicológicos graves’, no que toca à sua reacção, está muito acertada. Deve ser comportamento aconselhado, com certeza, nos manuais de psiquiatria.

Acrescento: Esta gente tem mesmo as ideias ao contrário. Diz a AMP ‘se a honestidade lhe permitir, poderá confirmar que nunca ela, a irmã ou o cunhado comigo tiveram qualquer relação clínica’. Ora eu não tenho nada, só porque a AMP resolve falar de familiares meus, de fazer qualquer declaração das relações que temos com a AMP. Eu, por mim, estaria além de qualquer cura se a escolhesse, precisando, para minha psiquiatra, mas não faço ideia de relações clínicas ou pessoais ou profissionais que a AMP poderá ter com dois psicólogos que, por acaso, são meus familiares. É que, imagine-se, nunca perdi um minuto falando-lhes da existência da AMP. Logo, os esclarecimentos sobre familiares meus e a que título aparecem nos posts da AMP, estão todos, se a honestidade e a autocrítica lhe permitirem, a cargo da AMP. Mas vou esperar sentada.

16 pensamentos sobre “Deformação profissional para os lados da psiquiatria ou dificuldades de compreensão de português

  1. agfernandes

    Maria João
    Há debates que não valem a pena e este é um deles. Arno Gruen (o que eu gosto de o citar) é muito claro, em “Falsos Deuses”, em relação à linguagem do poder.

    Para ser organizadinha como o RAF ali em cima, aqui vai:
    1 – Qualquer argumento em que a Maria João se baseie, ser-lhe-á remetido com a artilharia pesada e com o nível de argumentação próprio da manipulação: o golpe é cirúrgico, pretende acertar não na questão que estão a debater mas na parte vulnerável do outro, geralmente nos valores por si mais prezados, e sabe que os princípios éticos, a moral, a impedem de responder no mesmo nível. Não há debate quando o nosso oponente se situa na lógica da linguagem do poder, só há manipulação.
    2 – Também qualquer argumento será visto pelo manipulador como uma necessidade sua de o convencer da sua razão, o que deturpa desde logo o sentido de debater = comunicar. A única forma é deixar o manipulador a falar sozinho, que fique lá com as suas razões todas, as suas certezas, e se envenene no seu próprio veneno (ódio, raiva, agressividade).
    3 – Finalmente, se é importante e fundamental desmontar a linguagem do poder, hoje a que vigora na nossa vida colectiva, é inútil debater com os que se situam nessa lógica. Cada um fica com a sua razão, uma, baseada na ética, nos valores, na moral, a outra, na manipulação amoral.
    4 – Por último, lembrar que o manipulador nunca respeita o seu oponente, nunca. Ora, quando isto acontece, não lhe devemos dar sequer oportunidade de nos agredir. O pior para um manipulador é a nossa indiferença, se tivermos essa margem de manobra claro, porque infelizmente cada vez mais manipuladores podem de facto prejudicar os outros, pois encontram-se em lugares de poder.

  2. Maria João Marques

    Ana, tem (como de costume :)) toda a razão. Nem teria respondido se não tivessem sido chamados, não se sabe a que propósito, a minha irmã e o meu cunhado, que não têm culpa nenhuma que eu partilhe a blogosfera com pessoas que a Ana retrata muito bem.

  3. Pedro

    A Maria João Marques é que lança suspeitas sobre as intenções da AMP, as “tais razões mais questionáveis” que não descarta… naughty, naughty 😉 (a Helena Matos também recorreu ao truque). Logo, seria a MJM que teria de, digamos assim, desenvolver a coisa. Não se lançam suspeitas assim de qualquer maneira. Aqui, quem tem de esperar sentada é a AMP… certo? 😉

  4. Maria João Marques

    Não entendo, Pedro. Não conheço a AMP, pelo que não faço ideia das suas motivações, questiono-me se apenas os refere devido à profissão ou se os conhece de algum meio e quer insinuar algo; não deixo suspeições nenhumas. Foi esta senhora que trouxe à baila a minha irmã e cunhado, de forma bastante ambígua para permitir todas as interpretações; cabe-lhe a ela dar explicações. Mas cada um vê as coisas da forma que entende, pelo que se acha que, depois de expressões ambíguas sobre meus familiares, a AMP ainda tem um crédito de explicações da minha parte, enfim, não vale a pena continuar a conversa. Não falamos a mesma linguagem.

  5. Pedro

    Maria João Marques, não subestime a minha inteligência e sobretudo não subestime a sua. Somos ambos adultos. As razões questionáveis que a MJP não descarta são a falta deontológica grave que a Helena Matos coloca como hipótese, naquele género sonso do “espero que esteja enganada”. Ora, um exercício de interpretação básico, ao nível do primeiro ciclo, leva a concluir que a AMP se referia aos seus familiares enquanto psicólogos. Eu chumbaria um aluno meu com oito anos que não percebesse isso.

  6. Pedro

    Só mais uma coisa: se eu desconfiasse verdadeiramente, se me colocasse sequer a hipótese remota, de que algum psicólogo tinha usado publicamente dados clínicos de familiares meus, não diria assim de forma tão blasé que não perderia um minuto sequer a falar-lhes do assunto. Mais uma vez, ninguém aqui é parvo.

  7. Maria João Marques

    ‘Ora, um exercício de interpretação básico, ao nível do primeiro ciclo, leva a concluir que a AMP se referia aos seus familiares enquanto psicólogos.’ Até pode ser o caso, mas foi escrito de forma a deliberadamente poder ser interpretado de outra forma (há maluquice na família), corroborado pelo diagnóstico de ‘auto-referência’ (algo que um psicólogo me poderia explicar) que me fez. Bastava à AMP assumir que havia sido infeliz e imprudente para um médico psiquiatra. Não fez nada disso e ainda pede explicações. Não há paciência para esta gente, é o que lhe digo.

  8. Maria João Marques

    ‘não diria assim de forma tão blasé que não perderia um minuto sequer a falar-lhes do assunto’
    Ai há aqui alguma dificuldade de compreensão, há, há. Eu, até hoje, não perdi um minuto a falar da AMP com ninguém da minha família, porque a AMP não é assunto com que perca tempo. Claro que, agora, lhes vou contar do sucedido para, se tiver havido alguma inconfidência, poderem actuar. Bom feriado.

  9. Pedro

    Maria João, ai, ai. Diz lá em cima que os esclarecimentos estão todos a cargo da AMP e que vai esperar sentada. Decidiu agora que se vai levantar e contar o sucedido aos seus familiares? Vamos por partes, para perceber melhor : analise o “Logo” no contexto do último parágrafo do seu post.

  10. burns

    maria joão,aguarde
    os corporativos do costume estão a organizar-se e não tarda vêem inundar a blogosfera com informações confidenciais que nem se sabe bem como as arranjaram(se são verdadeiras ou falsas isso não interessa para aquela gente)
    é incrivel o despudor com que mentem e viciam documentos,deve ser genético

  11. Maria João Marques

    Pedro, esteve a beber ao jantar? O que tem a ver achar que quem deve explicações é a AMP, não eu, com contar à minha irmã que uma senhora que eu não conheço a refere publicamente de forma a permitir interpretações exóticas?

    Burns, uma coisa é certa, são perigosos.

  12. Não se meta com esta gente que são fundamentalistas com manias de serem mais cultos que os coitados dos heterossexuais!
    Cuidado com a psicotonta ANA!

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