Sobre os especuladores e o short-selling (2)

“Especulação e Interesse” de Fernando Gabriel (Diário Económico)

O ódio ao “especulador” tem raízes históricas profundas, no preconceito medieval contra a usura e na crítica marxista ao capital e ao lucro. O fundamento da suspeição é a suposta imoralidade do “dinheiro que gera dinheiro” e as transacções nos mercados futuros, onde a informação é vital, tornam a sugestão de parasitismo mais persuasiva. A relação entre mercados e moralidade é bastante mais complexa do que as analogias marxistas sugerem e os efeitos da especulação podem ser difíceis de avaliar, mas um oportunista é relativamente fácil de identificar

“Especulação (uma clarificação)” de Luís Aguiar-Conraria (comentário no Blasfémias)

Em primeiro lugar, em que consiste a actividade do especulador? Sem entrar em grandes detalhes, penso que todos concordam que o que move o especulador é o lucro. Para tal, ele compra (e armazena) um produto com o objectivo de vender a um apreço mais alto, quando estiver mais caro. É essa a sua forma de ganhar dinheiro.

Se compra quando está mais barato, quer dizer que nesse momento engrossa o lado da procura, fazendo aumentar o preço do bem. Se o vende quando está mais caro, então nesse momento engrossa o lado da oferta fazendo baixar o preço. Com isto a actividade do especulador contribui para diminuir a variabilidade dos preços.(…)

Ou seja, quem acredita que hoje os preços estão mais caros do que seriam sem especulação tem, por coerência de raciocínio, de acreditar que no futuro os preços estarão mais baratos do que seriam sem especulação.

A conclusão então é a de que sem especulação os preços seriam mais baixos hoje, mas que num futuro próximo os aumentos seriam ainda maiores. A implicação deste raciocínio é simples: sem especulação, o choque macroeconómico seria ainda maior e o processo de ajustamento seria mais doloroso.

“Os especuladores da cebola” de Nuno Branco (Inflaccionista)

Este excerto da CNN fala-nos sobre as cebolas. Acontece que nos anos 50 os agricultores achavam que o que andava a suprimir o preço da cebola eram os especuladores no mercado de futuros (esta maldita corja da sociedade não só têm culpa dos preços altos como dos preços baixos) e pediram para que fosse banida a comercialização dos mercados de futuros.

Que resultado podemos esperar?

“In Search of Villains for Rising Food and Oil Prices” de Walter Williams (Capitalist Magazine)

The futures market, which takes into account both the present and the future availability of goods, is a vital part of a smoothly functioning economy. Unfortunately, that fact provides little comfort to people frustrated over the high prices of food and fuel. As such, it provides fodder for political demagogues, charlatans and quacks who rush in with blame and prepare “solutions” for the problems they themselves have created.

Um pensamento sobre “Sobre os especuladores e o short-selling (2)

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