Fritar o PS

O Governo e o PSD acordaram a subida de impostos. Vou passar por cima das criticas que serão feitas a Passos Coelho, por alegadamente pactuar com Sócrates e lhe dar o aval e mais o espaço de manobra para conduzir medidas impopulares. O que pretende Passos Coelho? Simples: ‘fritar’, em lume brando, o PS. Foram os socialistas que colocaram o país nesta triste situação. Sejam, pois, os socialistas a arrumar a casa. A limpar a porcaria. Daqui a dois, três anos, o tempo que for necessário, quando as contas estiverem limpas e o PS estoirado pelo esforço, o primeiro-ministro desgastado com as suas, vou ser simpático, contradições, o PSD terá mais condições para governar. E fá-lo-á liberalizando a economia, abrindo o poder político à sociedade, reformando o sistema de ensino. Levando por diante as ditas ‘reformas estruturais’. É este o ‘truque’ de Passos Coelho. Esperemos que o consiga, mas esperemos essencialmente que, chegando a sua vez, mude de forma definitiva a estrutura económica para que o investimento público deixe de ser o motor da economia. No fundo, e é isto que tem a sua graça, esta não é apenas uma crise à semelhança da de 1983-85. Pode ser toda uma década que o PSD quer fazer repetir.

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17 thoughts on “Fritar o PS

  1. Era bom que assim fosse. Mas receio bem que esteja a ser “comido de cebolada”. Já reparou como, de mansinho, os socialistas e o media estão a conseguir “colar” estas medidas impopulares ao Passos Coelho? O inefável Sócrates, tão exuberantes noutros contextos, parece meter-se na sombra dos holofotes…
    Estamos lixados!

  2. Maria João Marques

    Ó André, ler coisas destas escritas por alguém tão inteligente deixa-me mais que perplexa. Fritar o PS? O PSD está a dar cobertura política ao PS com estes acordos e a minimizar os efeitos da contestação ao PS – afinal até o PSD concorda com as medidas draconianas de subidas de impostos, sem qualquer sinal importante de descida da despesa, sem cortes nos salários dos funcionários públicos. Isto uns meros dois meses depois de afirmar que o défice nunca poderia ser reduzido à custa de subida de impostos. Sem coluna vertebral, PPC, mas também nada de novo. O CDS agradece. Achares que uma vez ‘lá’ o PSD se vai transformar é de uma fé – em homens que já deram o dito por não dito tantas vezes – que nem sei o que diga.

  3. Mask

    Também não entendo essa análise, não podia estar mais errada. Aumentar impostos é adiar tudo. Não se cortando na despesa e tomar medidas difíceis agora é uma bola de neve para fritar o PSD um dia mais tarde. Que interessam estes mil milhões do aumento de impostos perante as dezenas de mil milhões desses projectos que andam a contratar ?
    O Passos Coelho é que está a ser mantido em banho maria para ser frito mais tarde. O Sócrates lá vai despachando os contratos que nos levarão à falência, quando sair sai bem da vida con futuro garantido numa qualquer corporação e o PSD que obrigue os portugueses a fazer sacrifícios e que aguente a revolta nas ruas.

    Isto é tão estúpido que só interesses estranhos conseguem explicar este disparate.

  4. bla bla bla

    A análise pressupõe:
    1º – O País e as pessoas que se lixem. Vamos é fritar o PS.
    2º – A existência de uma estratégia.
    3º – O PPC não se desgasta com isto.

    LOL.
    Não é simples encontrar um neurónio em PPC. Para já, tudo o que prometeu (foi 30 dias atrás?) é mentira.

  5. PPA

    Esperem até o PPC — e todos os portugueses — ouvirem algo como:

    – Eu não queria aumentar impostos! Tinha prometido não o fazer! Mas o PPC insistiu…

    – A CE obrigou-nos a fazer um acordo político alargado… E o PPC pôs como condição que se tinham que aumentar impostos e acabar com o investimento…

    – Eu bem disse que o caminho era o investimento público. Olhem como está agora a economia… Definha! De quem é a culpa? Do PPC, que nos obrigou a isto!

    – Se nos tivessem deixado manter o rumo! O caminho do progresso! Aí sim, o país tinha seguido em frente! Mas o PPC, com o discurso e orientações miserabilistas conduziram-nos a este buraco!

  6. José Barros

    Este post parece-me derivar de doses industriais de “wishful thinking”. Francamente, se um líder da oposição começa por defraudar de forma ostensiva a sua única promessa eleitoral (não aceitar um PEC que aumentasse os impostos), tal significa que não merece qualquer crédito e não se distingue do primeiro-ministro que se especializou precisamente nesse tipo de fraudes eleitorais. E é só isto que interessa, porque o AAA não pode, de boa fé e depois desta autêntica fraude perpetrada por Passos Coelho, acenar com um futuro longínquo daqui a três anos em que supostamente Passos Coelho viria afinal a fazer o contrário do que está a fazer agora. Que razões é que algum eleitor tem para acreditar nisso? Nenhuma, evidentemente. Bem pelo contrário, a única coisa em que se pode acreditar depois de dois meses de Passos Coelho é que os eleitores do PSD votaram num bloco central de interesses que pretende manter o “status quo” despesista. O liberalismo que foi acenado por Passos Coelho – vê-se agora – serviu para enganar meia dúzia de idiotas úteis em blogues e meios de comunicação social.

  7. ricardo saramago

    Agora que PPC mostrou a sua verdadeira face, sabemos que se trata apenas de mais um candidato à gestão da nossa bancarrota económica e social.
    Agora o povo sabe que não pode contar com a oposição, com o presidente da República, nem com qualquer outro orgão do sistema político.
    Estamos entregues a nós próprios, às dívidas, aos credores e às potências europeias.
    Sem líderes à altura, sem esperança no horizonte, os portugueses vão finalmente compreender a dimensão da factura que enfrentam.
    O regime que se cuide.

  8. lof

    PPC é um mero cavalo de troia que o sistema meteu no PSD. Muitos avisaram para isso, agora aguentem-se.

  9. Continuando na metáfora culinária, se o PS se apresta à fritura, o PSD já repousa nas brasas do grelhador. O país, esse, definha no assador.
    Persistir na ilusão, para que muitos em devido tempo alertaram, não ajuda a afastar o calor excessivo e progressivamente fatal.

  10. José Barros

    Meus caros, este ‘post’ procura explicar quais possam ser as intenções de Passos Coelho – AAA

    Mas mesmo dessa perspectiva, parece-me que o AAA está a acreditar que Passos Coelho tem “boas intenções”. Ora nada na sua acção política o sugere: penso que concordará que, quem rompe a sua promessa eleitoral de não aceitar aumentos de impostos e o faz a troco de nada (porque não existe uma efectiva redução da despesa pública neste novo PEC), não pode ser considerado como tendo a intenção de, mais tarde, vir a tomar as medidas que agora, enquanto oposição, se escusou (ou se esqueceu de) a exigir ao governo. Isto parece ser “o óbvio ululante” nesta matéria.

  11. lucklucky

    Surreal!
    Este texto demonstra bem como a mentalidade e cultura social democrata está bem próxima da extrema esquerda na negação da realidade. Aliás negação da realidade pelo PSD começou quando se transformou no partido da União Europeia. A partir daí pôs o cérebro de molho.

    É um texto que bem pode aparecer lado a lado com estas respostas da Deputada Comunista Rita Ratto:

    Rita Rato é o nome da deputada comunista responsável por relatar as conclusões da referida comissão.
    Ao ouvi-la falar sobre a diminuição da liberdade de expressão em Portugal recordei-me das palavras da Sra. Deputada do PCP em entrevista ao CM, após ser eleita:
    – Mas se falarmos de atropelos aos direitos humanos, e a China tem sido condenada, coloca-se essa não ingerência na vida dos outros partidos?
    – Não sei que questão concreta dos direitos humanos…

    – O facto de haver presos políticos.
    – Não conheço essa realidade de uma forma que me permita afirmar alguma coisa.

    – Mas isto é algo que costuma ser notícia nos jornais.
    – De facto, não conheço a fundo essa situação de modo a dar uma opinião séria e fundamentada.

    – No curso de Ciência Política e Relações Internacionais, não discutiu estas questões?
    – Não, não abordámos isto.
    (…)
    – Como encara os campos de trabalhos forçados, denominados gulags, nos quais morreram milhares de pessoas?
    – Não sou capaz de lhe responder porque, em concreto, nunca estudei nem li nada sobre isso.

    – Mas foi bem documentado…
    – Por isso mesmo, admito que possa ter acontecido essa experiência.

    – Mas não sentiu curiosidade em descobrir mais?
    – Sim, mas sinto necessidade de saber mais sobre tanta outra coisa…

    https://oinsurgente.org/2010/05/11/recordando-desconhecimentos/

  12. Euro2cent

    Bom, agora que este Coelho se suicidou, a única coisa que sobra antes do fim da democracia em Portugal é o Portas. (Que deve estar mais contente ainda do que no dia em que o Coelho se alpendurou.)

    Ou ele, Portas, se tiver unhas para isso, liquida as sanguessugas do bloco central por meios democráticos, ou a coisa irá ser feita por outros meios, mais tarde ou mais cedo. Seja por ‘gauleiters’ alemães com livro de cheques, ou por portugueses com cordas curtas e postes altos.

    Como disse o Medina Carreira, rouba-se demais para o tamanho do país. Está na altura de abater os bácoros-ladrões mais gordos.

  13. Luís

    Não me parece que PPC tenha estofo intelectual para fazer uma reforma séria no ensino. E estou em crer que a probabilidade de estar enganado é baixa.

  14. Luís

    Aliás, a pessoa mais indicada para estar na liderança do partido e do país quando fosse executada essa reforma seria Paulo Rangel.

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