Da acção directa

Ao alegar acção directa, Ricardo Rodrigues alega, em síntese, que durante a entrevista da Sábado, i) as perguntas dos jornalistas constituíram uma ameaça séria ii) a um seu direito, iii) ameaça essa que não podia ser efectivamente removida pelos meios coercivos normais, o que iv) justificou o furto dos dois gravadores por ser, em linguagem banal, um mal menor.

Olhando para os dados que temos, que são as imagens da entrevista e as declarações de Ricardo Rodrigues, ficamos sem perceber de que forma estão reunidos os pressupostos da acção directa, já que ainda se não percebeu i) como é que perguntas (e não afirmações) que um entrevistado pode optar por não responder constituem uma qualquer ameaça ii) a um qualquer direito, iii) insusceptível de ser removida pelos meios normais.

Ricardo Rodrigues foi violentado em que direito e como e por quem? E tal ameaça, a existir, só podia ser removida pelo furto de gravadores? E tal furto é proporcional ao conflito de direitos eventualmente em causa?

Sem a resposta a estas questões custa ver como é que o furto de Ricardo Rodrigues passa tão rapidamente por acção directa. Como aliás custa ver ao ponto a que a coisa chegou para justificar uma absurda e patética tentativa de condicionar a liberdade de imprensa.

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2 pensamentos sobre “Da acção directa

  1. Luís Barata

    A cereja no topo do bolo é que esse senhor é membro da comição de inquérito em que se procura apurar a existência de condicionamento da liberdade de imprensa. Muito bom!

  2. Pingback: Ricardo Rodrigues condenado « O Insurgente

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