Put your money where your mouth is

Disse o presidente da AICEP que «considera a descida do ‘rating’ do país “uma manipulação de mercado” e um “ataque violento” a que se deve responder imediatamente e “de forma concertada”

Talvez o senhor presidente e os seus colegas queiram comprar títulos de dívida pública do estado português, de forma concertada. Se tiverem razão, ganharão uma pequena fortuna quando os yields voltarem a baixar.

16 pensamentos sobre “Put your money where your mouth is

  1. O grande problema das agências de raiting e a sua apreciação sobre Portugal, especulação/ataque à parte, é que têm razão sobre as contas públicas do País.

    E se os Governos que temos tido desde a Revolução dos Cravos tivessem sido bem mais competentes e bem menos corruptos, hoje já ninguém se lamentaria do ataque dos tubarões.

  2. Euro2cent

    Há gente que insiste em cavar a sepultura com a boca, como diziam os dietistas de antanho. E também não aprendem que quando se está num buraco, se deve parar de cavar. Arre, nem é preciso ir à biblioteca, já liam jornais quando o camarada Soros entalou os ingleses, é preciso repetir a cena aqui ?

    Alguém que lhes conte a anedota do “deixa-os poisar”. Pode ser que como laracha lhes entre na pinha.

  3. RVB

    Parece-me que é uma posição demagogica a sua. Digo isto porque o nível de financiamento que necessitam os Estados não é compatível com o financiamento por pequenos investidores. Estou errado?

  4. ricardo saramago

    Para juntar todos esses capitais dos pequenos, que somados se fazem grandes é que existem os mercados e o sistema financeiro.
    O problema é que esses malandros que poupam e emprestam, estão a ficar preocupados com o que se passa por cá.
    Como diria o presidente Checo, os portugueses é que não querem perceber.
    Mas vão perceber mais cedo do que julgávamos.

  5. Carlos Duarte

    Caros,

    O problema das agências de rating é de feedback (alguns dirão excessivo) nos mercados. Os ratings deveriam reflectir a qualidade do bem analisado (títulos de dívida pública) mas não influenciá-la (que é o que acaba por acontecer).

    Entre Terça (em que Portugal tinha um A+) e Quarta (que passou a A-), o que se alterou em relação ao conhecimento das contas públicas portuguesas ou na percepção de risco?

    Não estou a dizer que o downgrade é errado (admito que esteja perfeitamente correcto), mas o acto em si teve influência (i.e. agravou) o “juro” da dívida.

    Comparando com uma situação “física”: está uma indíviduo numa sala e acha que a temperatura está amena. Olha para um termómetro de parede e vê que este marca 30 oC e em consequência disso passa a ter calor. Ora a temperatura é exactamente a mesma (30 oC), mas a percepção da mesma muda. Isto é uma reacção irracional e emotiva, que é analoga ao que ocorre com o mercado. A diferença está em que em resultado da percepção de calor ter aumentado, a temperatura em si não aumenta (ou seja, pela percepção de existéncia de risco ter aumentado, não quer dizer que o risco em si tenha, de facto, aumentado).

  6. Carlos,

    Ao contrário do exemplo da temperatura, o risco é impossível de estimar. Apenas a percepção de risco é mensurável nos mercados podendo ter um intervalo de “lag” até a informação ter consequências na medida. É perfeitamente possível que a reacção tenha sido exagerada. Mais uma razão para quem acreditar nisso tomar a iniciativa de adquirir títulos tendo ganhos em vista quando a situação normalizar.

  7. Carlos Duarte

    Caro Migas,

    Eu sei que o risco é impossível de medir e por isso mesmo é qualquer qualquer “medição” que seja considerada credível tem influência na percepção do mesmo.

    As agências de rating são demasiado poucas e demasiado grandes para existir um efeito de diluição de risco (se quiser, um mercado de “ratings”), pelo que um decisão pela S&P ou a Moody’s tem efeitos eventualmente excessivos.

    A “bronca” do subprime (todos eles cheios de AAA’s – ver artigo de opinião no FT de hoje) é um bom exemplo da excessiva influência dos ratings (que, diga-se, é mais culpa de quem os segue).

    Uma ideia que surgiu há uns tempos – e que poderá ser aplicável – passa pelo pagamento dos ratings não ser feita pelo emissor dos fundos a uma agência, mas antes feita ao regulador (em função da complexidade do produto). O regulador, por sua vez, entregaria a avaliação a agências externas (que seriam sorteadas de uma “pool” de agências autorizadas) que classificariam o activo.

    Quanto às sovereign debts (em que a avaliação não incorre custos para o emissor), acho que o mercado de CDS é um melhor indicador.

  8. Miguel

    “Uma ideia que surgiu há uns tempos – e que poderá ser aplicável – passa pelo pagamento dos ratings não ser feita pelo emissor dos fundos a uma agência, mas antes feita ao regulador (em função da complexidade do produto). O regulador, por sua vez, entregaria a avaliação a agências externas (que seriam sorteadas de uma “pool” de agências autorizadas) que classificariam o activo.”

    E o que é que pode impedir qualquer entidade de fazer uma avaliação externa e atribuir-lhe uma classificação? Esse esquema não tem grande hipóteses de ser implementado.

  9. Miguel

    Aproveito para recordar que os arbitros de futebol são nomeados por ume entidade (supostamente) independente e idonea o que os coloca a salvo de qualquer pressão e acima de qualquer suspeita.

  10. Miguel Madeira

    “E o que é que pode impedir qualquer entidade de fazer uma avaliação externa e atribuir-lhe uma classificação? Esse esquema não tem grande hipóteses de ser implementado.”

    Penso que isso não seria um obstáculo – se, além da agência de rating contratada pelo regulador, aparecesse outra a produzir um rating alternativo, que mal vinha ao mundo com isso (excluindo, claro, estar-se a trabalhar em duplicado)? Depois era uma questão de ver a qual rating os investidores davam mais crédito.

  11. Certo. Mas o modelo competitivo de avaliação e baseado na reputação dos avaliadores é o que está em vigor. Qual a necessidade (e a relevância) de legislar sobre o assunto?

  12. Penso que a teoria implicita é de que uma avaliação independente do avaliado será uma espécie de “bem público” (isto é, ninguém em particular – além da entidade que põe o produto no mercado – terá grande interesse em pagar a uma agência de rating para avaliar um dado produto).

  13. Miguel

    Os investidores têm todo o interesse nisso. Até as fazem por sua iniciativa.
    Não lhe parece óbvio?

  14. Miguel

    Para além disso o avaliado procura vender um produto e terá também todo o interesse que a avaliação seja credível para potênciais investidores.

  15. ricardo saramago

    A essa conclusão já chegaram há muito tempo as centenas de “agências de rating” que proliferam por todo o mundo.
    Ao contrário do que parecem querer fazer crer os comentaristas não existem apenas as 3 mais famosas.
    Cada um escolhe os conselhos daqueles em quem confia, tal como escolhe o seu médico, quando pode.

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