O PSD e Pedro Passos Coelho

 

Para muitos dos seus críticos Pedro Passos Coelho é uma incógnita. Pouco consistente, confuso, parece não conhecer bem o chão que pisa. Esperavam um homem sabedor, culto e com obra feita. Mas mais importante que todas estas qualidades, um político, principalmente quando se espera que venha a chefiar o governo, tem de ser capaz de ouvir e agregar à sua volta os melhores. Não há super-homens, menos ainda seres perfeitos. Ora, é precisamente pela forma como deu início ao mandato de líder do PSD, e fruto das poucas oportunidades que tive de falar com Pedro Passos Coelho, que este tem dado mostras de ter condições para chegar ao poder e exercê-lo, depois de devidamente preparado. Como ontem eu, o Rodrigo Adão da Fonseca e o Miguel Botelho Moniz podemos concluir em conversa entre os três, Passos Coelho tem noção de que ainda não está pronto. Mas predispõe-se a isso. A humildade é muito importante em política, mais ainda quando dela não nos vangloriamos.

Também não podemos esperar mudanças bruscas na economia e na sociedade. O PSD tem muitos interesses que precisam ser reconciliados para que se atinja um resultado final. Como julgo já ter referido vezes sem conta, vai ser preciso muito trabalho, muito estudo, para que no seu discurso político, esta direcção do PSD consiga convencer o PSD primeiro e o eleitorado depois, da necessidade de algumas reformas difíceis. Sou liberal, mas prefiro um pouco mais de liberdade e melhoria das condições de vida, a nada.

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12 thoughts on “O PSD e Pedro Passos Coelho

  1. CN

    Nunca é claro se é melhor/preferível no curto ou longo prazo, “gradualismo” versus “corte”. Depende.

  2. 1)In any collaboration between two men (or two groups) who hold different basic principles, it is the more evil or irrational one who wins.

    2) When opposite basic principles are clearly and openly defined, it works to the advantage of the rational side; when they are not clearly defined, but are hidden or evaded, it works to the advantage of the irrational side. – Ayn Rand

    Não é que interesse grande coisa esta questão dos principios e a rendição a meias-medidas vindas de gente com bases morais confusas. O caminho que levamos não é reversível com medidas estruturadas, muito menos com meias medidas.

    Só faz diferença o líder quando for para começar de novo. Esta herança é demasiado pesada.

  3. E para concluir, se o PS for esperto este PPC é fácil de destruir. PPC é inconsistente no que defende. O PS é mau, mas é consistentemente mau. Explorar a falta de consistência de PPC, forçar a gafe, a falta de lógica, etc. vai ser fácil por qualquer opositor com dois dedos de testa.

  4. André
    Exactamente.
    Uma cultura de colaboração, nunca tão necessária, depois de 5 anos na cultura do monólogo arrogante, da agressividade e da fragmentação socialista.
    Uma cultura de mobilização colectiva, centrada nos desafios e não nas personagens e nas suas personalidades medíocres.
    A nova liderança do PSD começou bem. Deu os sinais correctos. Uma perspectiva saudável porque inclui o factor humano, e não o actual paternalismo dos “falsos deuses” (Arno Gruen) da linguagem do poder, impessoal e destrutiva.
    Ana

  5. O.K, vamos ver se entendi. Há décadas que falamos de gradualismo, mas o facto é que o Estado não parou de crescer e arrecadar mais, ao mesmo tempo que ia privatizando serviços antes pagos pelos impostos com o apoio dos liberais. O aumento tributário foi realmente gradual: de 17% do PIB em 1973, com superavit, se chegou a 38,5% com um défice de 11% em 2010. E nem quero falar da dívida…
    Agora o país está prestes a perder tudo o que resta da soberania graças a uma crise que está ainda no começo, a classe média proprietária que restou está desaparecendo diariamente graças a milhões de regulamentos, multas e tributos, os jovens emigram em massa ou vivem de part time expedientes em condições cada vez mais chinesas (no mundo globalizado é preciso competir com escravos sem direito nenhum, inclusive o da propriedade) e o sentimento de revolta é imenso, bastando um fagulha para o incendiar.
    E o senhor acredita que um cavalheiro que não consegue ter ideias claras do país apesar de já ter passado dos 45 anos e “fazer política”, que nada fez a não ser viver de uma máquina partidária que se sustenta com o dinheiro dos grandes que vivem de negócios com o estado que quebra os não incluídos no esquema com impostos, cujo nome é “Partido Social Democrata” e que no poder só fez aumentar o estado, afinal, foi com Cavaco, o liberal, que os funcionários públicos passaram dos 500 mil(hoje vão em mais de 700), tem condições de fazer algo a não ser o que os seus patrões querem dele?
    Mesmo que o homem quisesse, e se quisesse não estaria no PSD, ele cairia no dia a seguir. Abram os olhos.

  6. Meus caros, bem sei da urgência de reformas difíceis, duras e que medidas a meio termo, servem para cada vez menos. Apenas lembro que estas necessitam de trabalho para que, devidamente estruturadas, possam convencer os eleitorados, principalmente o do PSD que não está pronto para as receber.

    A outra eventualidade é nem termos tempo para tal. A bancarrota chegar e aí não interessa muito o que os militantes do PSD querem ou deixa de querer.

  7. A outra eventualidade é nem termos tempo para tal. A bancarrota chegar e aí não interessa muito o que os militantes do PSD querem ou deixa de querer.

    Ora ai está. Para quê preocuparmo-nos com o resto? 😉

  8. Luis

    O ideal seria um governo PSD aplicar reformas mais consensuais num primeiro mandato, (Educação ou Justiça, por exemplo), e reformas polémicas num segundo mandato: despedimentos da função pública, fim do RSI, aumento da idade da reforma, revisão do conceito de SNS, revisão das leis de ordenamento, novo mapa do poder local com metade das freguesias e concelhos, encerramento de cursos e privatização de estabelecimentos do Ensino Superior, etc.

  9. Luis

    Para isso, PPC não pode revelar ao que vai: deve em primeiro lugar garantir que conquista o poder, e isso exige muito trabalho; contudo, está ao seu alcance, basta haver mérito pessoal para tal. Há pontos fracos nas políticas socialistas que podem ser explorados: a falta de exigência nas escolas, o falhanço das grandes obras públicas, a morosidade da justiça, os vários escândalos que envolvem figuras do PS ou ligadas ao partido, entre outros.

  10. JB

    Vejo sinais contraditórios nos primeiros tempos de PPC:

    1) a entrevista a MST foi muito boa e revelou um político com um discurso económico coerente e inovador.

    2) Algumas prioridades muito mal escolhidas que a serem seguidas por outras más escolhas podem esvaziar o balão rapidamente. Desde logo, não se justifica dar tanta importância a uma revisão constitucional que será inviável sem os votos do PS, sendo que previsivelmente este partido não aceitará mudanças no que verdadeiramente importa (acabar com a tendencial gratuitidade da educação e da saúde, estabelecer limites para o défice, etc..). A ideia do Conselho Superior da Nação, mal explicada, redundante (se pensarmos que muito mais logicamente a audição prévia de candidatos a cargos públicos relevantes deve acontecer no parlamento).

    Em suma, PPC tem de ter muito cuidado em não cair no erro de Menezes que apresentava um proposta de manhã e a proposta contrária da parte da tarde. E para isso vai ter de não ceder à tentação de aparecer muito nos “media” nos primeiros tempos, porquanto se o fizer vai ter de entrar na lógica de uma “novidade” por aparição televisiva.

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