Vai uma apostinha?

Suspeito que a inesperada (e que Francisco Assis explicou muito mal) antecipação na tributação das mais-valias bolsitas terá algo a ver com as dúvidas levantadas pela Comissão Europeia acerca do PEC português. Assinale-se que, mais uma vez. preferem aumentar os impostos a reduzir a despesa pública. E fazem mais um frete à extrema-esquerda.

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18 pensamentos sobre “Vai uma apostinha?

  1. JP

    Provavelmente a gentinha que está no governo não faz a mínima ideia do que é a bolsa e para que serve, ou então estão a virar para o populismo do Sr.Louçã. Já no caso dos certificados de aforro foi a mesma coisa. Ou não pensam que as consequências a curto prazo serão pagas por um futuro governo do PSD ou são mesmo incompetentes.

  2. DC

    A Lei portuguesa prevê que quaisquer rendimentos sejam sujeitos a tributação. Por que razão os ganhos em bolsa não deveriam sê-lo? E têm sorte por se estar a apontar para os 20%, imaginem os 62% sobre a receita bruta que é aplicado aos casinos…

  3. Miguel

    Os políticos gostam mesmo de ficar com o dinheiro alheio.
    Mas o comentário acima só vem compravar que há mesmo que não saiba para que serve o mercado secundário. Taxem as maiss-valias. Depois não se queixam das consequências.

  4. DC

    Pois não percebo.

    Gostava de perceber era as razões pelas quais se deve isentar de impostos uma actividade destas, em tudo semelhante ao jogo (que actualmente é fortemente tributado).

  5. Miguel

    ” em tudo semelhante ao jogo ”
    Pois. Não percebe mesmo. E mesmo que fosse idêntico ao jogo. O que é a tornava um alvo de tributação agravada? O mesmo relativamente ao jogo, diga-se de passagem.

  6. DC

    Você que percebe do assunto é incapaz de elencar algumas razões para isenção de tributação, e pergunta-me a mim, que não percebo nada, por que razão deve ser tributada. Então vamos lá…

    1 – Desincentiva os pequenos investidores a jogarem com as suas poupanças. Redireccionam-se algumas poupanças para “jogos” com maior relevância económica e/ou social;

    2 – Refreia os ímpetos excessivos e obriga a maiores cálculos de risco;

    3 – É justo que as organizações que beneficiaram das injecções de capital (que são os actores que compõem o teatro da bolsa) tenham agora de contribuir com uma parte dos seus lucros;

    4 – Estamos no meio de uma crise económica originada, em grande medida, pelas transacções e esquemas aqui montados. É normal que se responsabilize, obrigando à dádiva de uma quota-parte para combater desemprego, incentivar o empreendedorismo, etc.

    5 – Lembra-se da Democracia? Inúmeros governos representativos (incluindo os EUA, França e Alemanha) estão a contemplar tributar as actividades dos seus centros financeiros, e é previsível que esta medida tenha o apoio massivo dos respectivos povos;

    Agora explane um pouco das suas teorias e previsões, já que tem obviamente maior propriedade e faz disto vida.

  7. Miguel

    “1 – Desincentiva os pequenos investidores a jogarem com as suas poupanças. Redireccionam-se algumas poupanças para “jogos” com maior relevância económica e/ou social;”
    Conclusão. Os políticos é que sabem o que devemos fazer com o nosso dinheiro

    “2 – Refreia os ímpetos excessivos e obriga a maiores cálculos de risco;”
    Obriga? Porquê?

    “3 – É justo que as organizações que beneficiaram das injecções de capital (que são os actores que compõem o teatro da bolsa) tenham agora de contribuir com uma parte dos seus lucros;”
    Qual é o critério de justiça que está a utilizar? As empresas retribuem as injecções de capital com dividendos e/ou valorização bolsista. Aos seu accionistas, é claro, que foram os que nelas colocaram o seu dinheiro. O que é que o estado (e você) têm a ver com isso?

    “4 – Estamos no meio de uma crise económica originada, em grande medida, pelas transacções e esquemas aqui montados. É normal que se responsabilize, obrigando à dádiva de uma quota-parte para combater desemprego, incentivar o empreendedorismo, etc.”
    Nomeie alguns desses esquemas. Não sei em que teoria se está a basear mas aconselhava-o a repensar para as políticas expansionistas dos bancos centrais e nas políticas despesistas dos governos no eclodir da actual crise

    “5 – Lembra-se da Democracia? Inúmeros governos representativos (incluindo os EUA, França e Alemanha) estão a contemplar tributar as actividades dos seus centros financeiros, e é previsível que esta medida tenha o apoio massivo dos respectivos povos”
    Teoria da manada? Já sabia que apoiada pela maioria se justificavam todo o tipo de atrocidades.

    “Agora explane um pouco das suas teorias e previsões, já que tem obviamente maior propriedade e faz disto vida”
    O que é que você sabe da minha vida?

  8. brutus

    “1 – Desincentiva os pequenos investidores a jogarem com as suas poupanças. Redireccionam-se algumas poupanças para “jogos” com maior relevância económica e/ou social;”
    No comments!!! Pior que um ignorante só um que se acha esperto

  9. JP

    Confirma-se. Muita gente não faz a mínima ideia sobre o importante papel financiador da bolsa e confunde bolsa com jogo no casino. O que vale ao BE é que quando o efeito se fizer sentir o resultado também será bom para a sua oposição.

  10. DC

    Já que nenhum dos especialistas enumera razões para as transacções bolsistas não serem taxadas, voltemos aos pontos do ignorante.

    1 – Não são os políticos. A lógica dos sistemas fiscais é regular comportamentos na arena social: taxando mais os comportamentos nocivos e menos (ou isentando) os comportamentos socialmente valorizáveis.
    Ora, nesta lógica e num contexto de crise económico-financeira, faz todo o sentido taxar mais uma aplicação financeira de risco e sem tradução visível no mundo real, usando este capital para, por exemplo, financiar ou apoiar outras iniciativas, empresariais ou não, mas de maior relevância social e económica. Ou até para estimular a poupança;

    3 – Está-me a dizer que não foram injectadas somas inimagináveis no sector financeiro nos últimos 2/3 anos? Nunca aconteceu? Não foram os estados que o fizeram? O facto de ter estado contra os bailouts, nao quer dizer que estes nao tenham acontecido. O mínimo de justiça é uma retribuição, algumas cedências e simplesmente a assumpção de que não se pode continuar com as mesmas práticas soberbas de sempre;

    4 – Os ponzi schemes a la Madoff, o short selling, os cds ou derivativos não são esquemas??

    5 – Felizmente ainda há alguma democracia. A maioria contribuiu com os seus impostos para que o sistema financeiro fosse mantido. As instituições financeiras continuaram o business as usual, preocupadas unicamente com o lucro (facil e rapido) esquecendo o seu papel na economia real. Todos pagámos, com impostos e empregos, a nossa factura, por que razão não havemos de exigir algo em troca? Alguma vez o direito à indignação foi mais justificado?

    Desafio-vos a enumerar as razões pelas quais o sistema financeiro deve estar acima da Lei. Se acham que estão certos assumam as vossas convicções e digam o porquê de estarem em contra-corrente de inúmeros autores, entidades e estados mundiais. Se só servem para atacar o outsider que vem aqui de vez em quando tentar debater ou perceber melhor certos temas, então servem para muito pouco…

  11. Miguel

    1.”A lógica dos sistemas fiscais é regular comportamentos na arena social”
    Pensei que deviam era financiar as funções do estado. Mas, é verdade. Há quem se arme em engenheiros de almas. Há muitos ditadores com essa ambição.

    2.”o mínimo de justiça é uma retribuição, algumas cedências e simplesmente a assumpção de que não se pode continuar com as mesmas práticas soberbas de sempre”
    Que práticás? E o que têm as mais-valias bolsistas a ver com os "bailouts"? Se o estado injectou dinheiro em algumas empresas que o vá pedir a elas. Não a quem investe na bolsa.

    3."Os ponzi schemes a la Madoff, o short selling, os cds ou derivativos não são esquemas?? "
    O primeiro é um esquema ilegal quando é feito por privados (ex. Madoff) mas legal quando praticado pelo estado (ex: segurança social). O short-selling e o cds não são "esquemas" e são perfeitamente legais. Penso que nem sabe para que servem. Aconselho-o a informar-se primeiro.

    4."A maioria contribuiu com os seus impostos para que o sistema financeiro fosse mantido. "
    Ver resposta a 2.

  12. Miguel

    “Desafio-vos a enumerar as razões pelas quais o sistema financeiro deve estar acima da Lei.”
    Onde é que eles estão a desrespeitar sejo o que for?

    “Se acham que estão certos assumam as vossas convicções”
    Fazê-mo-lo todos os dias. Vá acompanhando os posts.

  13. Miguel

    E já agora podia também informar-me em que bancos andou o estado português a inhectar dinheiro.

  14. Miguel

    Tem de aprender a diferença entre garantias e injecções de capital. No primeiro caso o estado só entra com o dinheiro se o banco falhar (o que até agora – felizmente) não sucedeu. E é um serviço que é pago (e não é barato).

  15. “1 – Desincentiva os pequenos investidores a jogarem com as suas poupanças. Redireccionam-se algumas poupanças para “jogos” com maior relevância económica e/ou social;

    A maior parte dos investidores em bolsa são fundos de investimento que gerem as poupanças das pessoas ou . Não conheço nenhum ‘jogo’ que tenha maior relevância social que o financiamento da economia e a remuneração das poupanças. A bolsa não é um jogo. Se os pequenos investidores preferirem o depósito ao investimento, estão a contribuir para uma economia baseada em dívida e não em investimento/risco.

    2 – Refreia os ímpetos excessivos e obriga a maiores cálculos de risco;

    Diminui a rentabilidade esperada dos investimentos nos mercados de capitais, que já por si está afectada por uma ineficiente dupla tributação (IRC+Dividendos). Os investidores vão passar a exigir maiores remunerações ao capital e menos empresas recorrerão ao financiamento em mercado primário. Perder-se-ão investimentos por falta de rentabilidade ou por deslocalização.

    3 – É justo que as organizações que beneficiaram das injecções de capital (que são os actores que compõem o teatro da bolsa) tenham agora de contribuir com uma parte dos seus lucros;

    As empresas contribuem através do IRC e de mais um conjunto alargado de taxas e impostos que já são suficientemente inibidoras dos investimentos. Quem está a pagar este novo imposto não são as empresas que se financiaram no mercado, são os agentes económicos que compraram acções para as suas carteira Aquilo a que chama o teatro de bolsa é o coração da maior parte das economias. É lá que estão as poupanças das pessoas e é a principal fonte de financiamento das empresas. Note que quase ninguém investe em bolsa no mercado primário se não houver um mercado secundário para dar liquidez aos investimentos. Em Portugal, nem por isso, aquilo já anda suficientemente estragado. Agora é só mais um prego no caixão.

    A taxação de mais valias é também mais um pontapé no capital de risco em Portugal. Um mercado que quase não existe e que nos faz falta para financiar a criatividade e a iniciativa tecnológica. Agora, pior ainda.

    4 – Estamos no meio de uma crise económica originada, em grande medida, pelas transacções e esquemas aqui montados. É normal que se responsabilize, obrigando à dádiva de uma quota-parte para combater desemprego, incentivar o empreendedorismo, etc.

    Não pode combater o desemprego com medidas que inibem o investimento. Não combate desemprego aumentando impostos. Impostos e leis laborais são, em todas as economias, o principal causador de desemprego e de baixos salários. O que está a fazer com este imposto é diminuir a pressão futura sobre o mercado de trabalho, porque vamos ter menos empresas, menos trabalhadores, menos lucros a distribuir e menos salários.

    5 – Lembra-se da Democracia? Inúmeros governos representativos (incluindo os EUA, França e Alemanha) estão a contemplar tributar as actividades dos seus centros financeiros, e é previsível que esta medida tenha o apoio massivo dos respectivos povos;

    As actividades dos centros financeiros já são tributadas. Aqui apenas se está a falar de tributar a liquidez dos mercados. Quando ‘a’ vende uma acção a ‘b’ não houve criação de riqueza. Há apenas uma alocação de recursos – ‘a’ valoriza menos um activo que ‘b’. A eventual criação de riqueza é feita na empresa, cujos lucros serão taxados. O que se está aqui a taxar é não só o lucro mas também a expectativa de lucro. Uma vez que não me parece que estejam a pensar devolver dinheiro pelas perdas que os investidores possam ter, entramos no regime de tripla taxação. Taxamos a empresa em sede de IRC, o dono da acção pelo dividendo e a expectativa do investidor no aumento de lucros no futuro por parte da empresa. O disparate absoluto. Construímos os mercados de capitais como o mecanismo fácil e económico de financiar as empresas, dando liquidez aos investidores. Agora matamo-lo com impostos. Bem diziz Reagan, que para um socialista, gerir é fácil: Se mexe, taxa, se continuar a mexer, regula, quando parar, subsidia.

    E o facto de uma medida como esta ter o apoio massivo de alguns povos, não é mais que uma prova de iliteracia económica generalizada. O que esta medida terá, sem dúvida, é o apoio massivo das praças financeiras alternativas. Nada como taxar investimentos num país para o vizinho esfregar as mãos de contente.

  16. Pizarro

    O short selling e os cds são esquemas? ahahaha. É o que dá ter um primeiro ministro que se orgulha em público de não saber o que é o Short Selling.

    Já agora, o short selling tem mais de 100 anos. O caro amigo só se lembrou agora dele pq?

  17. 4 – Os ponzi schemes a la Madoff, o short selling, os cds ou derivativos não são esquemas??

    O Ponzi é. Temos um excelente exemplo de um esquema de Ponzi, a nossa Segurança Social. Os outros, evidentemente que não. Podem ser mal usados, mas são ferramentas que as empresas dispõem que, por exemplo, permitem alocar diferentes tipos de risco a quem tem melhor capacidade de os suportar. O facto de poderem ser mal usados por alguém não elimina a sua necessidade. Por exemplo, posso pegar num carro e atirá-lo contra uma multidão, mas não me parece que isso seja motivo para proibir os carros.

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