Sobre tolerâncias de ponto e feriados

Um católico devoto não se deveria importar de abdicar de um dia de férias para acompanhar a visita do Papa. O mesmo raciocínio se aplica à celebração da Sexta Feira Santa, do dia do Corpo de Deus, do dia da Assunção, do dia de todos os santos, da Imaculada Conceição, do Natal e do Carnaval. Se nenhum destes dias é suficientemente importante para os devotos abdicarem de um dia de praia, porque devem ser os empresários e contribuintes obrigados a pagar por eles?

29 pensamentos sobre “Sobre tolerâncias de ponto e feriados

  1. Euro2cent

    Shhhh. É uma medida para combater o défice – quantos mais dias os serviços do Estado estejam fechados, mais se poupa …

    (Consultar Karl Kraus acerca de meias verdades e verdades e meio.)

  2. Carlos Guimarães Pinto

    “E já agora, as celebrações republicanas, datas de revoluções, etc.”

    De acordo.

  3. Gabriel Silva

    Penso que nos dias de todos os santos, da Imaculada Conceição e do Natal, ninguém estivesse disposto a abdicar de «um dia de praia». Pelo menos se a mesma se situasse em Portugal…:)

    Sobre o Carnaval, recordo que não é feriado, e não é festa religiosa, ainda que os católicos devotos possam evidentemente celebrá-lo.

    Seriamente: a opção por determinados e concretos dias de feriado, sejam republicanos, nacionalistas, religiosos ou outros, deve ser sempre opção política. Concordo que não devem resultar de qualquer acordo concordatário com a Santa Sé mas serem opção politica.

    Evidentemente, também não me parece que essa opção possa fazer tábua rasa da realidade social e cultural e muito menos serem ideologicamente programáticos.

    Dos feriados existentes, eu manteria o Natal, a Sexta-Feira Santa, o Dia de Ano Novo, o 1º de Maio, o 25 de Abril, o Dia de Portugal e o dia de Todos os Santos, acrescendo o feriado municipal.
    O Dia de Portugal deixaria de ser «de Camões e das Comunidades» e passaria para 24 de Junho, dia da Batalha de S. Mamede.
    Nos feriados que caíssem ao fim-de-semana, seria dia feriado na segunda-feira imediata.

    Por fim, acho que as tolerâncias de ponto, como horas pagas pelos contribuintes sem existir retorno, deveriam ser totalmente proibidas, com excepção de dias de calamidade (metereológica ou outra)

  4. Carlos Guimarães Pinto

    Gabriel,

    Eu, se trabalhasse em Portugal, preferiria trocar esses dias pela primeira semana de Agosto e o dia de aniversário da minha mulher, que valem mais que qualquer desses dias que refere. Não vejo porque é que a maioria deve decidir quando cada indivíduo tira férias.

  5. Gabriel Silva

    Percebo, mas não concordo Miguel.
    25 Abril é factual e objectivo: fim de um regime e começo de outro, onde passou a existir liberdade.
    25/11 é episódio do processo, ainda que relevante, mas a meu ver, com suficiente carga ideológica que retira valor simbólico para todos. A não ser assim, por maioria de razão, também se poderia defender o dia em que entrou em vigor revisão constitucional de 82 como o dia de plena liberdade, por apenas então ter terminado a tutela militar. Julgo mais prático e consensual utilizar data do início do processo, que simboliza e assinala conquista liberdade.

  6. Miguel

    O dia em que (finalmente) decidirem reformular o preâmbulo da CRP também deverá ser feriado nacional. Finalmente deixaremos de estar obrigados a “abrir caminho para uma sociedade socialista”.

  7. DC

    Carlos Guimarães Pinto:

    Não percebi. Propõe que todos os feriados e tolerâncias de ponto sejam convertidos em dia de férias?

  8. Miguel

    No fundo é o que são. Dias de férias fixos.
    Terão uma conotação particular para muitos, é certo. Para muitos outros não passam de dias de férias que não podem ser alterados.

  9. CN

    “25 Abril é factual e objectivo: fim de um regime e começo de outro, onde passou a existir liberdade.”

    Passou a existir “liberdade” é capaz de ser demasiado optimista. Não vejo que se tenha de celebrar tal coisa. Também é factual que o Papa vem a Portugal. É uma questão de quem dá importância a uma ou a outra.Diga-se que a política também obriga a que existam X dias de férias. É sempre opção política, porque a “política” (infelizmente) manda em tudo. Como tal, decidir dar tolerância ou não, não é menos incompreensível do que obrigar a feriado à celebração da república sobre a monarquia, e muito menos do que a do dia de Carnaval.

  10. Carlos Guimarães Pinto

    “Não percebi. Propõe que todos os feriados e tolerâncias de ponto sejam convertidos em dia de férias?”

    Num primeiro momento, sim.

  11. “Penso que nos dias de todos os santos, da Imaculada Conceição e do Natal, ninguém estivesse disposto a abdicar de «um dia de praia»”

    No dia de todos santos, ainda se está bem na Praia da Rocha (eu já cheguei a tomar banho no mar a 31 de Outubro e estáva calor).

  12. Carlos Guimarães Pinto

    Quando falo em abdicar de um dia de praia, refiro-me ao facto de a maioria dos portugueses, se lhes fosse dada a escolha, provavelmente não abdicariam de um dia de férias (de praia) em Agosto, para ficar em casa no dia da Imaculada Conceição. Tal como a maioria dos funcionários públicos provavelmente não perderiam um dia de férias em Agosto antecipando-o para 13 de Maio de forma a ver o Papa.

  13. CN

    “não perderiam um dia de férias em Agosto antecipando-o para 13 de Maio ”

    O mesmo para os restantes feriados fixados por lei. Se não fosse feriado, não gastariam dias de férias para ir ver cerimónias gastas nas Baixas. Não devem ligar grande coisa a essas datas também.

  14. Á.Oliveira

    De qualquer das formas o Goberno já decretou feriadito pós fecionários públicos, decisão com a qual estou plenamente de acordo e aproveito para felicitar o idiota.
    Recomendo também a ponte, pois este tipo de medidas contribui largamente para o PEC.
    Olha só o papel higiénico que se poupa, e se deixarem as luzes apagadas, hãm.

  15. Carlos Guimarães Pinto # 16

    Folgo por ver que alguém neste blogue concorda com uma proposta do MLS (a substituição dos feriados religiosos por dias de férias extra).

  16. JB

    Concordo com o Carlos e com o Gabriel Silva. Aceito um mínimo de feriados relgiosos e políticos (Natal, Páscoa, Dia de de Portugal, por exemplo) e a conversão dos restantes em dias de férias. Se forem convertidos em dias de trabalho, cada trabalhador deverá poder renegociar o seu contrato de trabalho, como é evidente.

  17. CN

    Luis Lavoura

    Eu quero os feriados republicanos-nacionalísticos também como férias. Não ligo nada a eles. Acho que os outros também não. Portanto, vamos lá ser neutros e acabar com os feriados todos.

  18. Folgo por ver que alguém neste blogue concorda com uma proposta do MLS (a substituição dos feriados religiosos por dias de férias extra).

    Conte mais um e pode somar-lhe os feriados republicanos e os nacionalistas também.

  19. JB,

    na terra do meu pai (Bairrada), ninguém deixava, tradicionalmente, de trabalhar à sexta-feira santa. Em compensação, na segunda-feira a seguir à Páscoa absolutamente ninguém trabalha (nem as padarias cozem pão).

    É por estas e outras que acho ridículo que a sexta-feira santa seja feriado nacional. Não deveria ser. Quem quisesse deixar de trabalhar, que tirasse um dia de férias. Quem preferisse fazê-lo na segunda-feira seguinte, que o fizesse. E quem não quisesse nem uma nem outra…

  20. bla bla bla

    Um feriado não tem nada a ver com um dia de férias. São situações socialmente distintas.

    No limite, por esta teoria, devia ser possível trocar os fins-de-semana por dias de férias (ou os Sábados por ex).

    A única objecção do autor do post é serem feriados religiosos.

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