Nisto da Ryder Cup 2018 já é à descarada

Já tinha escrito que a candidatura de Portugal à organização da Ryder Cup 2018 vai ser paga pelo contribuinte, mas nem com a maior das más vontades, nem que fosse um apóstolo do David Icke, me teria passado pela cabeça que o despautério chegasse tão longe.
O Algarve é dos melhores destinos de golfe que existem (foi considerado o melhor do Mundo em 2000 e 2006), com campos desenhados pelos melhores arquitectos do Mundo, muitos com qualidade para receber qualquer prova de top, da European Tour ou até da PGA, se fosse o caso. Há infraestruturas de todo o género necessário e, até, desnecessário. Mesmo assim suspeito que o investimento acabasse por ser integralmente, ou quase, pago pelo contribuinte como é o caso do Portugal Masters ( a propaganda dirá que não, mas o que é certo é que quem o paga é o Turismo de Portugal, ou seja, o contribuinte). Pois a lata é tanta, o descaramento é de tal ordem, que é a Herdade da Comporta que é a zona escolhida pela comissão de candidatura à Ryder Cup. Um daqueles projectos PIN que toda a gente percebe, excepto toda a gente. O tal projecto PIN já incluia seis três campos de golfe (que ainda não existem) e com esta candidatura, imaginem quem vai pagá-los. Pelo menos uma vez, gostava de ver um pouco de coluna vertebral nesta choldra sem nome. Que, por amor de Deus, as pessoas se revoltem e que alguém ponha fim nesta loucura, encha a ladroagem de alcatrão e penas e a leve num carril até ao Cabo de S Vicente.
A acrescentar a tudo isto e se me vierem com a conversa do fomento do turismo, aconselho que vão saber da evolução do mesmo e muito especialmente no golfe, desde 2008 no Algarve e quais são as perspectivas para os próximos anos. O génio do ex-Ministro Pinho (que coincidência tão gira)é uma coisa só ao alcance dos eleitos.
Foda-se lá para isto tudo!

Nota: no meio de tanto descaramento e apesar das promessas, não há uma porcaria de um campo público em Portugal onde as pessoas com menos meios possam praticar golfe.

Nota II: faltou escrever que a Herdade da Comporta é um projecto PIN do BES, que vem do tempo do Ministro Manuel Pinho que, por sua vez, preside à comissão de candidatura à Ryder Cup 2018. Andam nitidamente a gozar com isto.

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21 thoughts on “Nisto da Ryder Cup 2018 já é à descarada

  1. andré cruz

    wrong.. Ja existe um campo publico em cantanhede.. Julgo q sao 9 buracos, o unico em portugal q será aberto a não federados ou what ever 🙂

  2. O Campo de Cantanhede é Pitch & Putt, o que já não é mau e eu não sabia da existência. Por outro lado, na prática, quase todos os campos estão abertos a não federados, é preciso é que paguem. Bem.

  3. Pizarro

    “Que, por amor de Deus, as pessoas se revoltem e que alguém ponha fim nesta loucura, encha a ladroagem de alcatrão e penas e a leve num carril até ao Cabo de S Vicente.” ahahaa, está excelente Helder.

    Foda-se para isto tudo é o que passo o dia a dizer para mim próprio.

  4. Outside

    Parabéns!
    Excelente post Helder !

    Farto desta GATUNAGEM sem medos nem vergonhas !!!

    Fiquebem

  5. Á.Oliveira

    Por acaso, conheci um Sr. que usava muito a expressão despautério, e a ser verdade o que escreve o meu amigo, sem usar do meu vernáculo, assenta neste caso que nem uma luva.
    Faltará vir alguém justificar que é por causa do novo aeroporto, do tgv, da plataforma logistica e da linha de Sines, mas se for data próxima tragam as penas que eu aqui vou ter de alcatroar.

  6. fernando

    Caro Hélder,
    como golfista, estou um pouco em desacordo contigo… É um desporto que traz bom turismo para o n/ país e nos divulga num mercado (target) interessantíssimo, pois as horas de sol que temos permitem-nos captar esses visitantes. No caso da Comporta, o projecto é já antigo e penso que mesmo a parte financeira da “coisa” já está mais do que tratada e muito antes de se falar sequer da hipótese da Ryder Cup vir para cá. Percebo as ligações que fazes (Bes, Comporta, M.Pinho), mas acho que não tem assim tanto a ver.
    Aliás, acho até muito bem que se concorra com outra região que não a do Algarve.
    Ora, a seguir ao Algarve, só a zona de Lisboa tem horas de sol que justifiquem a escolha.
    Já quanto à Comporta, existe mesmo o problema do raio das melgas, pois ali até picam por cima da roupa… Mas temos outros campos na zona de Lisboa que têm todas as condições de receber tal prova, assim como hotelaria, gastronomia e locais de divertimento à altura de tal evento.

    O que está errado é fazer não sei quantos estádios de futebol para um Campeonato Europeu para depois estarem às moscas…

    Para mim, a Ryder Cup será um investimento com alto retorno, e só é possível organizá-lo com apoios do estado e essa é uma das funções do Governo – apoiar o que é de apoiar.

    Fica bem e aceita um abraço do teu amigo. 😉

  7. Para mim, a Ryder Cup será um investimento com alto retorno

    Fernando, se acreditas mesmo nisso, fazemos o seguinte: cada golfista federado interessado na vinda da Ryder Cup para Portugal, entra com entre 200€ e 5.000€ (o que daria umas dezenas de milhões provavelmente suficientes), e torna-se accionista da empresa organizadora. Se tiver assim tanto retorno, ganhamos uma pipa de massa 🙂 Put the money where your mouth is 🙂 eu ponho.

    Abraço

  8. O que está errado é fazer não sei quantos estádios de futebol para um Campeonato Europeu para depois estarem às moscas…

    O princípio e o resultado final é o mesmo. Dada a experiência convém muito cuidado porque já sabemos como elas se fazem.

  9. Caro Pedro, tem razão. Li num artigo d’O Público de maio de 2008 mas de facto os seis campos são para Herdade da Comporta, Herdade do Pinheirinho e Costa Terra, as três perto umas das outras

  10. Não esquecer que o Manuel Pinho foi administrador do BES. E de quem é a Herdade da Comporta? Da família Espírito Santo! Coincidência dos diabos…
    Sou defensor da candidatura de Portugal à Ryder Cup, pois acredito que o seu retorno será elevado, quer a nível financeiro, quer a nível de notoriedade. Um evento deste vale mais do que cem campanhas de publicidade. E é a este tipo de público que queremos chegar. Mas se queremos captar o evento, apresentemos uma candidatura com um destino com provas dadas e não uma com tudo apenas no papel.
    Vejam mais em http://www.epocaalta.net

  11. Hugo, eu também defendo que a Ryder Cup 2018 venha para Portugal, não quero que seja investido um tostão dos impostos e estou disposto a investir para que seja assim. Basta criara um fundo de investimento que faça a gestão e eu entro. Se perder, ao menos divirto-me. Os contribuintes é que não têm nada que ver com os meus gostos nem com a captura de rendas óbvia em todos os casos do género.

  12. fernando

    Helder,

    o retorno duma coisa destas nunca é imediato, e por isso é que só interessa com o estado a investir. Além disso não é um retorno com dinheiro para distribuir, eheh.
    O turista golfista, normalmente instala-se em bons hotéis, come em bons restaurantes e deita-se +- cêdo, pois é pela fresca que é bom jogar golf.
    Ora, é um tipo de turista que gasta bom dinheiro, paga e não chateia.
    Por mim, há que captar estes turistas e não só para o Algarve, que já os tem e há muito tempo.
    Resumindo – não acho o investimento assim tão grande e apoio-o a 100%.
    Claro que percebo a tua ideia em relação ao estado que gasta sem critério e quase sempre duma forma meio nubelosa, mas aqui penso que o faz bem.
    Afinal de contas é um dos maiores eventos desportivos do mundo, com shares televisivos impressionantes, quer em nímero de países que compram a emissão televisiva, quer em termos de visitantes e dos bons.

    Grande Hélder, abraço amigo! 😉

    NOTA: Repara que continuo a não falar da relação M.Pinho/BES/Comporta… Ainda é cedo! 😉

  13. Jorge Coimbra

    Não há coragem de enfrentar as coisas de frente, ou pôr os nomes aos bois:

    TVI/PT: Maior accionista PT é o BES

    Caso dos Submarinos: Sindicato financeiro encabeçado pelo BES

    Herdade da Comporta: BES

    Deixemos os rodriguinhos, onde está e donde vem o dinheiro? O resto é ruído

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