O que é extraordinário nesta história é a inversão de responsabilidades: a culpa é dos especuladores, que, com a sua actuação, ganham muito dinheiro. Poucos parecem lembrar-se de que os especuladores só têm êxito porque alguém (os gregos) não fez o trabalho de casa. Para as mentes mais sensíveis, sobretudo com inclinação para a esquerda, aqui ficam alguns números. Para pensar:
1 – Entre 2004 e 2009, o governo grego aumentou o número de funcionários públicos em quase 50% e os salários/benefícios em 100% (Theodoros Pangalos dixit).
2 – O défice orçamental é de cerca de dois mil milhões de euros/mês. A dívida total, colocada pelo país nos mercados, já soma uns incríveis… 300 mil milhões de euros (vale mais 13% que o Produto Interno Bruto do país). Os juros que a Grécia vai pagar, este ano, por essa dívida (se as taxas não continuarem a subir) vai chegar a 13 mil milhões de euros (mais do dobro do investimento público português em 2010).
Porque é que são especuladores? Eu não emprestaria o meu dinheiro ao Estado Grego nem com 100% de Juros.
O caso grego é muito semelhante ao português: uma sequência de grandes e prolongadas explosões que por conveniência nos querem fazer crer ser um belo fogo de artifício.
Vende-se crise! Quem está disposto a comprá-la?
Uma Europa entalada
no trilho da dilaceração,
tal tem sido a marmelada
no meio dessa desfloração.
A placa está bem presente
com as letras do verbo vender
pisca de forma reluzente
para assim fazer-se render.
Parece o asalto ao poder, visto por cá, de há uns anos a esta parte. Os “marxistas”, em geral, têm muito apreço, pelo estado social, não admira.