Tirar Coelhos da Cartola

Como a malta da Ler não é particularmente eficiente a gerir a renovação das suas subscrições, só graças ao João Lisboa é que descobri a recensão que o Pedro Mexia fez do texto fundador do passoscoelhismo na edição de Abril:

“(…) A gente sabe que já não há políticos churchillianos, com guerras, reportagens, viagens, polémicas e aforismos, mas há mínimos olímpicos. (…) Vejamos a sua [de Pedro Passos Coelho] estrada de Damasco, aquela que o levou de umas vagas curiosidades comunistas à militância no maior partido da direita portuguesa: ‘A salvar o meu Verão, a JSD local fez um campeonato de cartas onde eu participei. Foi o primeiro contacto, por via lúdica, do que, até hoje, me situou politicamente’. Ora bem: eu sei que há muitos caminhos para a social-democracia, mas a bisca lambida não é um deles. Dizer que entrou para a JSD ‘por via lúdica’ revela uma louvável candura, mas fica a dúvida: quando é que a via deixou de ser lúdica? E fica outra interrogação: se ele tivesse jogado lerpa no Rato, seria hoje socialista? (…) Pedro Passos Coelho era um ‘one trick pony’. Sabia fazer um truque: liberalismo. Um bocadinho de ideologia, num partido que não gosta de ideologia, um bocadinho de sociedade civil, num partido com tentações estatistas. Nada mau. Mas com o ‘maldito subprime’ Passos ficou impedido de fazer o seu truque. Cai mal ser liberal agora. É como contar piadas sobre aviões a 12 de Setembro. Assim sendo, o que resta? Nada, ou quase nada. Vejam por exemplo, o capítulo sobre a cultura, aliás, sobre o ‘papel societal da cultura’. Decidi antecipadamente que Passos não tinha nada a dizer sobre cultura se usasse a palavra ‘clusters’. E lá está ela, na página 234. Passei à frente”.

2 pensamentos sobre “Tirar Coelhos da Cartola

  1. José Barros

    Muito bom, o texto do Mexia.

    Infelizmente, é este o “one trick pony” que nos vai governar. Ou este ou outro que lá está.

  2. JS

    Bem apanhado, mas permitam-me:
    Pelos diferentes “comunismos” passaram muitos, e muitos (até o M. Soares…).
    Sim, se por DESTINO (que comanda os homens) “tivesse lerpado” no Largo do Rato, provavelmente … tambem teria votado contra na AR, apesar da disciplina de voto, e ficaria com “má relação” durante decénios, com o Sr. M. Soares.
    Aparentemente é a sua maneira de ser.
    Não é falta de uma qualquer, útil, “idealogia”, ie: jangada verbal.
    Estaremos a constatar princípios? Não se aprendem. Têm-se. Chama-se carácter. Preferiu atravessar o deserto (tal como o Senhor do queijo) em vez da habitual, proveitosa, subserviênciazinha….
    E como disse, a semana passada, que QUER mudar esta “vitalícia ” (não pun intended) Lei Eleitoral para a AR … até sabe do que fala. A ver vamos. Boa sorte.
    PS. Não conheço o Sr. de parte nenhuma. Nem tenho qualquer remota filiação (ou simpatia) partidária.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.