No País das Maravilhas

Outro dia levei o meu filho a uma festa de anos no Kidzania. A ideia é engraçada, sendo supostamente uma forma de ensinar as crianças sobre o valor do dinheiro e do trabalho. No entanto, não pude deixar de observar que o Kidzania acaba por corporizar uma espécie de Páis das Maravilhas na óptica de José Sócrates: Uma data de gente anda de um lado para o outro a fingir que trabalha, recebendo em troca dinheiro de brincar que serve para adquirir produtos e serviços imaginários; cada um recebe um simulacro de formação profissional para desempenhar o seu trabalho, podendo mesmo obter uma licenciatura em Engenharia Civil e Arquitectura, bastando responder a uma pergunta cuja resposta foi comunicada ao instruendo minutos antes; os apresentadores dos noticiários apenas dão as notícias previamente preparadas para eles pelos graúdos.

Há, contudo, uma importante diferença entre a Kidzania e o mundo socrático: Na primeira, os pais pagam para os filhos se divertirem; no segundo, os pais andam a endividar-se para os filhos pagarem um dia mais tarde. Se não fugirem.

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2 pensamentos sobre “No País das Maravilhas

  1. francisco

    Parece mais a Cuba comunista…o povo faz que trabalha e o Estado faz que paga….é um faz de conta.

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