O PSD, o Poder e a Direita (2)

Antes de continuar, deixem-me fazer uma declaração de interesses: como militante do CDS, eu quero é que o PSD se quilhe. O meu interesse na campanha para a liderança laranja tem por base um único critério que é o de saber se o PSD vai passar a usar o seu peso eleitoral para ajudar a avançar a agenda que eu defendo para o meu próprio partido, ou se vai apenas continuar a garantir que o país vive habitualmente. Se for útil como parceiro de dança, espero que se aguente por muitos e bons anos. Caso contrário, que seja extraído como tumor democrático que é.

Ser útil como parceiro de dança significa articular-se com o CDS para cobrir o espectro eleitoral que vai do centro à direita. A estratégia de canibalização recíproca pode parecer apetecível mas esta só faz sentido quando o PSD decide ser algo além de um partido de poder, logo, inútil. Salvo em circunstâncias excepcionais, para não abdicar da direita, o PSD tem de abdicar da governação. Nas últimas eleições, o feito do PSD foi ainda mais espantoso, abdicou da direita e do poder simultaneamente, talvez por não ter percebido que, para bem ou para mal, já existia em Portugal um partido de direita antes do PSD de Manuela Ferreira Leite (e de Paulo Rangel, e de Aguiar-Branco) descobrir essa vocação.

Apesar dessa estratégia ter permitido ao Eng.º Sócrates continuar aos comandos da nação, não deixa de ser curioso ver que há quem insista nela. Presumo que da próxima vez é que a maioria dos portugueses vai votar em quem acha que ter razão chega para ganhar eleições. Ou talvez não.

Leitura complementar: O PSD, o Poder e a Direita

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6 pensamentos sobre “O PSD, o Poder e a Direita (2)

  1. José Barros

    Com o devido respeito, se o PSD é um tumor, o mesmo vale para o CDS. Por razões óbvias: o CDS critica o aumento de impostos, mas até agora não avançou com um PEC alternativo que dispensasse tal aumento. Além de que continua agitar bandeiras que aumentam a despesa pública (vide, aumento de polícias, de subsídios aos agricultores, etc…). Também não é solução e por isso estamos como estamos. Dito isto, de acordo quanto ao que não é fruto da tal militância. São-me igualmente indiferentes o PSD ou o CDS se continuarem a demonstrar o calculismo político que têm demonstrado.

  2. Tomás Belchior

    O CDS só não é um tumor porque em muitos aspectos (alguns deles muito criticáveis) cumpre a sua função. O PSD, pelo contrário, não está lá a fazer nada enquanto não voltar ao seu papel de partido de poder.

  3. Libertas

    «como militante do CDS, eu quero é que o PSD se quilhe»

    – Como conservador, eu quero é que o PSD se quilhe.

    Qualquer conservador deseja que o PSD siga uma linha bem socialista. E quanto mais socialista melhor!:

    (i) Liberta espaço para o CDS, permitindo o seu crescimento – presumindo que o CDS não adopta o socialismo como ideologia o que aconteceu quando esteve no governo.

    (ii) Quando + socialista o PSD, mais votos roubará ao PS.

    Mas é certo que se tivermos um PSD bem socialista e um CDS titubiante (entre servir o seu eleitorado e o exercício o poder) teremos uma reedição dos governos socialistas de Durão/Santana.

    Uma solução boa solução seria aquilo que em 1978 acontecia nas sondagens: um CDS maior que o PSD! E que o CDS continuasse conservador! Isto é que seria díficil, como se viu com os governos de Durão/Santana!

  4. José Barros

    O CDS não quer ser um partido de poder? Essa é boa, eu a pensar que qualquer partido – especialmente o CDS – quereria governar o país. Afinal, parece que quer ser uma espécie de bloco de esquerda à direita. Se é isso que os militantes do CDS dizem de si mesmos, então passo a considerar o partido ainda mais desnecessário do que já é. E é pena porque dele, assim como do PSD, fazem parte algumas pessoas em quem confio.

  5. Tomás Belchior

    Há mais do que uma maneira de governar o país. E há também mais do que uma maneira de se ser útil ao país sem passar por ganhar eleições. De qualquer forma, é óbvio que se o PSD não se assumir como partido de poder alguém se vai assumir no seu lugar. Isso nem está em causa. O que eu digo é que o CDS devia ter uma missão muito específica no quadro partidário actual. No futuro logo se vê.

  6. Tomás Belchior

    Libertas,

    O conservadorismo devia ser um método, não uma agenda. Para crescer precisa de mais. Mas é certo que pelo menos para consolidar o que conseguiu nas últimas eleições precisa de coerência e consistência. Acho que apesar de tudo está a ser feito um esforço nesse sentido.

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