O PSD, o Poder e a Direita


O PSD é um partido de poder, não é um partido de direita. Esta é uma constatação banal mas há muitas pessoas que não percebem o seu alcance. Ser um partido de poder significa que o seu primeiro objectivo é ganhar eleições. Dê lá por onde der. Quem não entende isto, não entende o PSD. É evidente que todos os partidos têm como objectivo ganhar algum poder mas ganhar o poder implica fazer uma série de aperfeiçoamentos a este desígnio que nem sempre são recomendáveis. Deve ser por isso que a ideia de que sem o poder não se faz nada assombra um certo povo laranja que, na minha opinião, se anda a passear pelo partido errado.

Continuando a elencar banalidades, deixem-me relembrar que para se ganhar o poder, a condição necessária (mesmo que não suficiente) é ganhar o centro. Por outro lado, a condição necessária para se manter o poder é ganhar o centro, não alienando a direita. Isto significa que idealmente o PSD precisa de um líder que tenha simultaneamente convicções e habilidade para fazer  compromissos sem trair essas convicções. Só assim consegue captar sozinho estes dois eleitorados. Sem convicções não consegue governar, sem compromissos não consegue vencer. Nem Pedro Passos Coelho, nem Paulo Rangel, nem José Pedro Aguiar-Branco encaixam nesta descrição.

Pedro Passos Coelho, no entanto, cheira a poder. Cheira a poder porque, como disse a Paula Teixeira da Cruz há uns tempos na SIC para justificar o seu apoio ao candidato, “está preparado” e “identifica-se com a matriz social-democrata”. Segundo a sua ideóloga, Pedro Passos Coelho está preparado porque “ouviu toda a gente”. Um ouvinte atento e identificado com a social-democracia não podia representar mais fielmente aquele caldo eleitoral de centro cuja principal motivação para ir às urnas é votar para deixar tudo como está. Estas duas características revelam a sua capacidade de fazer compromissos, de chegar ao poder, mas não dão para mais. E ainda bem. Ainda bem para o país e ainda bem para a direita. Talvez não chegue para o PSD mas isso é, em larga medida, um problema irrelevante.

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6 pensamentos sobre “O PSD, o Poder e a Direita

  1. José Barros

    Por acaso, não estou de acordo com a tese de que o Passos Coelho ganharia mais facilmente o centro. Bem pelo contrário, o facto de misturar numa salgalhada política muitas propostas socialistas (ou mais rigorosamente socratistas como a do plano para as exportações ou as comissões para a educação ou ainda a exploração do oceano para desportos radicais) com algumas ideias liberais (liberdade de escolha na saúde, privatização da Caixa e da RTP) terá como inevitável efeito trazer à discussão política o papão neoliberal que a esquerda gosta de agitar. E isso afugentará os eleitores do centro que são na sua maioria gente dependente do Estado. É por isso – e por outras coisas, designadamente as ligações perigosas de PPC – que o PS está mortinho que Rangel perca as eleições.

    Rangel é – também diga-se pela má razão de não ser liberal – aquele que mais facilmente capta votos no centro e centro-esquerda. Tem um discurso mais tipicamente PSD, ou seja, social-democrata e apresenta a importante ideia de romper na economia e ética que muitos portugueses querem ouvir. Além do mais escolhe a educação como tema para captar votos conservadores ao CDS que também são necessários ao PSD se quiser ganhar eleições. Pelo contrário, Passos Coelho perde votos conservadores, porque é a favor da lei de divórcio, bem como, salvo erro, do casamento homossexual. Ou seja, PPC é um desastre eleitoral à vista pelo que perde na comparação com Rangel, mesmo não sendo este o candidato ideal para o eleitorado português (o melhor seria Marcelo).

  2. Tomás Belchior

    José,

    Em certa medida concordo consigo. Há muitas coisas no discurso do PPC que são ridículas e/ou difíceis de digerir pelo eleitorado de centro. O que me parece é que se for realmente o caso, vão desaparecer rapidamente. Afinal de contas ainda estamos na fase da conquista do poder interno e os militantes do PSD é suposto estarem mais à direita que o seu eleitorado. Quando for altura de legislativas, o PPC vai fazer o que for preciso para ganhar, coisa que o Rangel tem mais dificuldade em fazer e é por isso que eu digo que os que o apoiam estão, em certa medida, no partido errado.

    Em eleições o PSD tem que de virar para o centro. Se chegar à direita melhor (para o PSD) mas o que não pode deixar de fazer é de capturar o centro. E acho que o PPC para bem ou para mal percebe isso melhor do que os outros candidatos.

  3. Tomás Belchior

    Ana,

    Esqueça lá isso dos votos de silêncio. A caixa de comentários existe para ser usada.

  4. Pingback: O PSD, o Poder e a Direita (3) « O Insurgente

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