O Revisionismo e a tutela política do História

“Uma Ideia de História” de Fernando Gabriel (Diário Económico)

A acusação de “revisionismo” é um pretexto frequente para legitimar a tutela política da história. Recentemente, o presidente russo e o primeiro-ministro israelita pronunciaram-se contra os “abusos de reinterpretação” da história da II Guerra Mundial. Aos russos desagrada a nova historiografia crítica proveniente dos países de leste que ocuparam e governaram por proxies ditatoriais; aos israelitas interessa preservar o monopólio do horror associado ao Holocausto. Sucede que toda a história é reinterpretação crítica, sempre em busca de uma maior coerência: a convicção de que existe um passado objectivo cuja “recuperação” é possível e compete ao historiador é um erro neo-positivista, que possibilita a subordinação da história às conveniências políticas. Aceitar que, em nome da “autenticidade” interpretativa, se silencie a voz crítica da história, é aceitar uma forma subtil mas essencial de empobrecimento civilizacional.