Cinema Português quer (o nosso) dinheiro

Através do Público fiquei a saber que os realizadores e produtores de cinema portugueses fizeram um Manifesto pelo cinema português, onde alegam que “nunca como hoje ele esteve tão ameaçado”.

E por esse motivo, e após vários considerandos, rematam a petição da seguinte forma:

O cinema português, que vale a pena, tem hoje em dia, apesar da paralisia, quando não da hostilidade, dos poderes públicos, um indiscutível prestígio internacional. Os seus realizadores, actores, técnicos, produtores, não deixaram de trabalhar apesar de tudo o que se tem vindo a passar. Está na altura de os poderes públicos assumirem as suas responsabilidades.
É necessária uma nova Lei do Cinema, mas é urgente uma intervenção de emergência no cinema português.

Para mim não está em causa a qualidade ou falta dela do cinema português, tal como me é indiferente se fazem filmes para o público ou não (no cinema, nunca andei atrás dos blockbusters), pois, mais uma vez o que está aqui em questão é haver uma actividade subsidiada por dinheiros públicos. Por que raio é que o pessoal das actividades ditas culturais pensa que tem que ser subsidiado pelo Estado? Por ser culto e ilustrado? Enfim…

9 pensamentos sobre “Cinema Português quer (o nosso) dinheiro

  1. E os “filmes” portugueses que mais cativam o público até são gratuitos para o consumidor. Chamam-se telenovelas. 😉

  2. “Por que raio é que o pessoal das actividades ditas culturais pensam que tem que ser subsidiado pelo Estado?”

    Sim no seu caso também acho que é melhor usar o dinheiro em cursos de português para adultos.

  3. “…também acho que é melhor usar o dinheiro em cursos de português para adultos.”

    E tal deixar cada um decidir o que fazer com o seu dinheiro?

  4. Ó meu caro, lá por isso substitui-se o lapsus calami “pensam” pelo correcto “pensa”. Quanto ao curso de português para adultos , não preciso, obrigado. Já agora, por que não separa com uma vírgula o “sim” do resto da frase?

  5. Miguel

    “demasiado elementar, esse raciocínio?, não?”
    Sim, espanta-me que tantos não o consigam alcançar.

  6. Rui
    A questão essencial é “que” cinema português. Para “que” público.

    Se estão sempre a filmar “o mesmo filme” com poucas variantes: a desgraça noctívaga urbana, a violência, e há sempre a droga e a prostituição… personagens condenadas ao fracasso e sem hipótese de redenção?
    E quando não é o lado escuro da vida urbana, e aqui já entramos nos intelectuais, nas elites promovidas, é uma completa ausência de comunicação com o espectador: uma recriação de ambientes surreais para uma burguesia com falta de imaginação, paixão, criatividade, onde não há uma centelha de vida?

    O Woody Allen, naquele filme em que é um realizador falhado a tentar voltar à actividade e em que sofre de uma súbita “cegueira histérica”, escondendo o facto de toda a produção e equipa de filmagens, conseguindo acabar o filme sem ter visto nenhuma das cenas, é um óptimo exemplo, a meu ver, para o actual cinema português. No final, o filme é um fracasso total nos States … mas um êxito em França!

    Pode parecer cruel esta minha visão, e até injusta, porque, apesar de tudo, tivemos uma ou duas excepções, mas mais cruel e injusto é filmar para o público francês em vez de filmar para o público português, por exemplo. Ou, simplesmente, não filmar para o público mas para si próprios.
    Agora, filmar para o público também não devia ser imitar o que se faz lá fora.

    Parece, no entanto, que se estão a fazer umas “curta-metragens” interessantes.
    E que somos bons no documentário.
    Porque não começar por aí?
    Ana

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