Mitos urbanos

Paulo Rangel é bastante melhor do que aquilo que nos tem sido oferecido nas últimas três semanas. Percebo a frustração de quem o apoia, porque as coisas não lhe têm corrido de feição – até nos debates, que, usando as referências henriqueraposianas, seriam “a sua praia”, Paulo Rangel falhou – mas francamente, tentar insinuar que até à data a sua candidatura se destacou na defesa das ideias, face aos restantes, é um insulto à nossa inteligência. As coisas são o que são, o debate tem sido feito para dentro, numa lógica muito partidária, o tempo dos programas e das ideias minimamente consistentes ainda não chegou. Lá chegaremos. Aguardemos. Até lá, agradece-se, a bem da sanidade, que deixem o spin de lado, e nos poupem a processos de “revisão da história”.

Agora, tenham bem presente, os candidatos vão mesmo ser avaliados, também, e muito, pela sua performance nesta campanha interna, ninguém está acima do crivo da crítica.

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8 thoughts on “Mitos urbanos

  1. José Barros

    Acho que Rangel tem sido muito mais avaliado que Passos Coelho e Aguiar Branco. É por estar a ser avaliado, que parece sair-se mal, enquanto os outros parecem sair-se bem, mesmo quando Aguiar Branco não tem uma proposta para amostra e Passos Coelho quer internacionalizar os nossos empresários à força exportando-os para Angola e Brasil.

    Além do mais, verifica-se outra coisa: o “spin” é mais forte e eficaz da parte de Passos Coelho, no mesmo estilo de Sócrates (veja-se o trabalho de sapa de Marques Lopes e CAA); Rangel tem apoiantes mais sérios e esse é o seu problema como foi, antes dele, de Ferreira Leite. E vai custar-lhe claro, porque actualmente a política vive de “spin”, mais do que qualquer outra coisa.

  2. Caro José Barros,

    Vamos ser claros, o que se passa é que por razões estatutárias, os candidatos só têm de apresentar os programas no dia 19 de Março, e portanto, todos estes debates são feitos ainda na ausência dessa definição mais programática. Aguiar-Branco tem resistido à tentação do sound-byte, e tem optado por só falar daquilo que já tem presente e 100% assumido na sua cabeça: foi clarividente, e sem reservas, na questão das golden shares, deixou bem claro o que pensa do PEC, do OE, e da relação com o PS, incluindo da possibilidade de uma moção de censura, avisou sem qualquer tipo de cerimónias que os tempos que aí vêm vão ser de grande austeridade e sacrifício (nenhum dos outros o fez desta forma pragmática, sem ser apocalítico), mas tem sido contido, tem gerido todos os timings com seriedade, para evitar depois fazer figuras tristes, como as que aconteceram com Rangel no caso das CCR’s, ou do ensino pre-escolar, ou das golden shares Vs regulação (nem me atrevo a comentar a ideia do “agricultor-soldado”). Temos de respeitar os candidatos, que estão a produzir os seus programas num quadro político e social muito particular, onde tudo deve, espera-se, ser bem medido e calibrado.

    Todos temos noção que esta campanha é todo um caminho, agora, não venham com tretas, estamos ainda no início, ninguém disse ainda nada de especial, até PR, para já ainda ninguém percebeu o que significa “ruptura”, e o que ele pretende para o país. Não tem mal nenhum, a seu tempo saberemos, e perceberemos o alcance das suas ideias. Esta crítica nem sequer é ao Paulo Rangel, mas aos “rangelistas”, que de tão carentes andam de uma referência, passam o dia no spin, na revisão da história, pensando que fazem um grande serviço: estão é a pôr o pobre do seu candidato numa situação difícil, pois, elevam tanto a fasquia, exigem tanto do homem, que o resultado tem sido que a montanha todos os dias tem parido um rato.

    Haja por isso alguma serenidade, e um bocadinho de aderência à realidade…

    Ab
    RAF

  3. José Barros

    Caro RAF,

    Não vejo sinceramente a quem te referes quando falas em “rangelistas”. Serão a Maria João Marques, o Nuno Gouveia, o Paulo Marcelo ou o Pedro Picoito (suponho que não haverá muitos mais na blogosfera)? Mas se são esses, dificilmente haverá apoiantes mais críticos e exigentes. Muito mais que um CAA ou um Marques Lopes em relação a Passos Coelho, convenhamos.

    Em relação aos programas, também me parece certo que o facto de os mesmos ainda não terem sido apresentados não significa que os candidatos não os possam e não os devam apresentar nos debates e nas entrevistas que dão. E nesse aspecto Aguiar Branco fracassou no debate desta semana, porque se preocupou mais em ganhar votos com a “calimerização” – essa sim, verdadeira – quanto à maneira como Rangel lhe comunicou que se candidatava, em detrimento de dizer como quer resolver os problemas financeiros e políticos do país.

    Quanto a Rangel, já o disse em mais de um comentário. Tem-me desiludido, porque espero dele uma maior capacidade para, não só apresentar melhores ideias de uma forma mais coerente, como também para saber confrontar os seus opositores, que é o que se supôe que um político faça. Dito isto, sempre votaria nele, caso fosse militante. Porque tem mais carisma e empolga mais os eleitores que Aguiar Branco e porque me inspira uma miaor confiança que Passos Coelho. Admito outras opiniões, mas para mim, o carácter, a par do programa, é essencial para a minha avaliação de um político. Não teríamos tantos problemas se não tivéssemos um primeiro-ministro sem carácter.

  4. José Barros,
    Concordo que o debate de ideias tem sido pobre, pelas razões que apresento, mas é transversal aos 3 candidatos. E há, também, o fenómeno pouco interessante de estarmos num debate interno que é visto por todos os portugueses. As regras de umas directas são diferentes daquelas que se aplicam a um país, e isso também é fruto de alguma inconsistência perante quem não é militante.
    São as regras do jogo.
    O que me desagrada é a tentativa de projectar aquilo que não é real, criando ficções que distorcem as regras do jogo, que não correspondem ao que se tem passado.
    Isso, não.
    Ab
    RAF

  5. José Barros

    Caro RAF,

    Continuo a perceber que ficções é que se têm criado. Tenho visto todos os comentadores a dizer que Rangel tem sido uma desilusão e que os outros candidatos, pelo contrário, têm surpreendido pela positiva. Donde, a ficção deve ser essa quando Aguiar Branco consegue fazer um debate de uma hora sem dizer ao que vem e Passos Coelho comete o hara-kiri político para um candidato supostamente liberal com a ideia de internacionalizar a nossa economia através da direcção dos investimentos para o Brasil e Angola. Dito isto, mais uma vez aceito que Rangel tem estado mal. No que divirjo de todos os restantes comentadores é no facto de achar que todos têm estado mal, inclusivé aqueles que agora são incensados como Passos Coelho e Aguiar Branco.

  6. Caro José Barros,

    Na substância, todos têm estado pobres. Na forma, AB surpreendeu pela maneira desenvolta com que conseguiu posicionar-se no debate, naquilo que foi discutido. Foi ter sido capaz de assumir uma postura combativa, que muitos não lhe conheciam, que residiu a surpresa.

    Nas entrelinhas, o PSD está à procura de alguém que seja capaz de domar o animal feroz que é José Sócrates – aliás, PR jogou muito na ideia de que “ganhou” debates a JS no Parlamento – daí essa preocupação maior pela forma. E aí AB esteve bem, e PR aquém daquilo que as pessoas esperavam dele.

    Ab
    RAF

  7. Juvenal Sereno

    Outro título que poderia ter este post é “mitos urbanos ou tentativas (diga-se em abono da verdade: suficientemente claras) de ‘branqueamento’ da realidade”.

    Fica a sugestão.

    Um abraço.

  8. Rodrigo,

    sabes que não sou adepto da urna de voto. Para o comum dos mortais que não vota nas directas a análise do José Barros está correcta. Para chegar a nós, o JPAB tem que se mexer, mostrar mais alguma coisa. O PPC conhecemos dos truques e da conversa dos últimos dois anos, o Rangel da campanha das europeias, do JPAB não sabemos nada. Uma ideia, um programa, uma coisa qualquer. Apressem-se pá. 🙂

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