Jornalismo militante?

É mesmo criticável que jornalistas sejam eles próprios protagonistas de notícias? Em teoria jornalística, assim parece (o jornalismo é quem apresenta os factos, não pode ser ao mesmo tempo quem apresenta e quem é apresentado). Mas numa situação como a que Portugal vive neste momento, em que governo e personalidades importantes da justiça e de empresas controladas pelo estado conspiram para controlar a comunicação social não-submissa ao governo, é perfeitamente natural que os jornalistas se auto-noticiem.

Isto não devia chocar ninguém. Olhando para o que se tem passado na Venezuela, onde o cerceamento à imprensa tem vindo a aumentar nos últimos anos e está hoje perto do sucesso (um domínio completo dos media por parte do estado), vemos que é possível e o mais natural que jornalistas quando vêem que a sua liberdade pode ter os dias contados se comecem a preocupar e noticiem isso mesmo.

Apesar desta prática desagradar a pretensos puristas do “jornalismo que não faz política”. Mas sabemos bem a sua verdadeira agenda, ninguém é ingénuo.

8 pensamentos sobre “Jornalismo militante?

  1. Plenamente de acordo, Filipe.
    E sabe o que mais me escandaliza? É a falta de solidariedade, diria até lealdade, entre jornalistas e entre canais de televisão. É absolutamente inconcebível este conformismo, este servilismo.
    Agora lá vão disfarçando de vez em quando, devem andar a frequentar aulas de “cooperação estratégica”, como aqui definiu muito bem o Carlos, porque houve um tempo em que as noticias eram apenas propaganda governamental, do início ao fim. E a “ficção nacional” nos números do governo como o défice e a dívida, sem os questionar. Debitavam informações fictícias, e sem pestanejar. Agora a propaganda é intercalada com notícias e opiniões divergentes.
    Ana

  2. “Sorry”, enganei-me.
    Onde se lê “cooperação estratégica”, deve ler-se “oposição estratégica”.

    (“Cooperação estratégica” é a do “President”. Bem, e se formos a ver, também tem sido a da grande maioria dos jornalistas e dos comentadores políticos.)
    Ana

  3. Jose Domingos

    Seria bom que os jornalistas, não estivessem dependentes do patrão, que por sua vez, está dependente, do grupo económico, que por sua vez está dependente do poder politico.
    Os jornalistas, não se deviam autocensurar, distorce a realidade.
    Os portugueses,precisam de sabera realidade, não a correcta.

  4. filipeabrantes

    #3

    Serão sempre dependentes do patrão (a não ser que criem o seu próprio meio de CS). O desejável é que o patrão não se imiscua demasiado no jornalismo praticado. O problema mais uma vez está no peso que o estado tem na economia portuguesa, que promove uma maior vontade por parte do patronato de tentar envolver-se na política editorial dos seus orgãos de CS.

  5. Na Venezuela a antena aberta vai passar a ser totalmente controlada pelo Estado. A RCTV não viu renovada a licença mas continua a emitir por cabo. Na realidade, mais canais, em antena aberta, serão dados a sindicatos, associações de estudantes, etc. Algo que o mercado só permite aos grupos económicos. O mercado não resolve tudo, amiguinhos.

  6. Joao Carlos

    A propósito da Venezuela o sr presidente do conselho lá do sítio estava falar ao povo no seu programa de tv habitual, em directo do palácio presidencial, anunciando mais uma vaga de expropriações/nacionalizações de empresas capitalistas, quando falta a luz no palácio…o sr.presidente ficou um pouco mais vermelhusco que o habitual e disse sem se rir, que a falta de luz tinha acontecido só naquela sala, que tinha um gerador,bla,bla, bla….penso que o video já deve estar na net. É só rir com a revolução socialista chavista….mais uns tempos e o sr.presidente do conselho vai ter que desistir dos discursos na tv por falta de energia…e começar a falar de megafone em punho.

  7. João de Lagoa

    Muitos jornalistas tornaram-se autênticos alfaiates: vestem a nudez dos factos com “fatos” ao gosto dos clientes!…:)

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