Tenho alguns remorsos por ser um cínico. Deve ser por isso que muitas vezes dou por mim a cair no lirismo de acreditar que os nossos líderes deviam ser melhores do que nós. Deve ser também por isso que o facto de o Primeiro-Ministro ter prosseguido com um comício enquanto morriam 42 portugueses na Madeira, mais do que me reconciliar com uma visão amargurada da política, me dá a volta ao estômago.
Mas, no meio de isto tudo, o que eu achei verdadeiramente delicioso foi a defesa “utilitária” da atitude do Primeiro-Ministro. Por exemplo, houve quem argumentasse que, uma vez que a “deslocação [à Madeira] não estava a ser impedida, ou atrasada, por causa do encontro com os militantes”, fazia todo o sentido que José Sócrates cumprisse a sua agenda. Outros optaram por afirmar candidamente que, não podendo o Primeiro-Ministro salvar vidas já que não é o Super-Homem, era absurdo ceder ao “simbolismo simpático que nada resolve” de mandar os senhores comissários para casa.
É sempre tocante ver estas tentativas de racionalizar atitudes rasteiras. Presumo que seja a isto que chamam multiculturalismo.
![burka_graduation[6]](https://oinsurgente.files.wordpress.com/2010/02/burka_graduation61.jpg?w=300&h=181)
Na minha opinião não se trata de multiculturalismo,apenas mais um dos gestos egocêntricos e de habitual falta de interesse pelos portugueses com que o PM nos premeia. Não sei bem que mais podemos esperar de um narcisista.
Segundo parece chegou de noite, esteve lá 4 horas a “ver” os estrgos e saiu de noite. Mais valia não ter ido já que tem dedicado à Madeira grande desprezo.